"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?"
Franz Kafka
Esta frase foi dita mais ou menos assim no filme Good Will Hunting (Gênio Indomável), do Gus Van Sant, com o Matt Damon e o Robin Williams, embora não tenha sido devidamente "creditada".
O Damon refere-se ao fato de que de nada adiantavam espaçosas e pomposas bibliotecas se os livros ali contidos nada ensinassem.
Dizia algo como "arrepiar os cabelos", em relação aos livros que deveriam ser lidos. Se não me engano fala também em "murro no cérebro).
Noutro dia tentei achar esta frase nos diálogos do filme, pelo Google, mas não encontrei, e acabei me deparando sem querer com ela, quando procurava escritos do Kafka.
Enfim, sei que ninguém me perguntou, mas sempre falo sem me perguntarem mesmo. Enfim, acho um bom fundamento quando o assunto é volume de livros em uma biblioteca.
Às vezes trata-se apenas de amontoados de papel impresso velho, com fungos perigosos e traças. Nada mais. Sidney Sheldon, Morris West, Rowling, Tolkien, Patricia Highsmith, etc, essas porcarias que se amontoam em sebos na caixa de R$1,00.
Isso me fez lembrar que o Nelson Rodrigues havia escrito algo neste sentido, mas esta frase foi bem mais fácil de encontrar.
Aliás, incrível como tais encontros de ideias acontecem, como relatei noutro dia o caso envolvendo frase do Saramago e do machado de Assis, sendo que este último é que escreveu primeiro.
Tratavam de alguma ideia relativa ao fato de que não se precisaria correr, pois o que era de cada um ao natural vinha às mãos, etc.
Vejamos, contudo, a frase do Nelson Rodrigues, a que nos interessa, por ora:
"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Pois Rodrigues e Kafka seguem o mesmo caminho quando se está a tratar sobre os livros e sua utilidade.
Enfim, fragmentos sobre nada. Pensamentos aleatórios.
E descobrir que o Kafka também desenhava, ofício no qual, pelo menos na minha humilde opinião, também era genial.







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