"Amamos tanto.
E a perda é cotidiana e infinita."
Hilda Hilst
Em todas (todas - sem bairrismos tolos) as cidades que tive a oportunidade (nem sempre o prazer), de ter contato, os DOMINGOS têm cheiros especiais, normalmente relacionados aos tempos de infância (hoje em dia, pois antes não poderia saber a carga psicológica envolvida).
Os infinitos tempos em que iniciamos a nossa caminhada, tanto mais proveitosa se não for curta.
Aliás, em face de aspectos culturais que não precisam ser discutidos agora, aprendemos a carregar a (estúpida) equivocada impressão de que os tempos bons são aqueles em que somos mais novos em idade, mesmo considerando que tenhamos trinta ou quarenta anos.
Isso conduz-me à ideia de que não houve evolução, pois, e não pretendendo alimentar clichês, todas as fases têm os seus encantos, o que é bastante difícil de explicar para aqueles que nada aprendem e apreendem ao longo de sua caminhada, sequer perderia meu tempo.
Digo apenas, e já quase completando 43 anos de idade, que muitas coisas só se pode assimilar, sentir, compreender, maravilhar-se, ou simplesmente entender, após decorridos anos de existência na condição de ser humano.
Imagino que até com os animais tal fenômeno pode ser verificado, mesmo diante de seu limitado entendimento acerca de sua própria existência e finitude.
Eles não existem apenas, e não morrem apenas.
Cumprem ciclos muito bem "entendidos", e são sabedores de que existe um início, um meio e um fim. Isso, é claro, aparadas as exceções, pois estas não produzem e nunca produzirão regras.
Assim, afora exteriorizações eventuais de precocidade (em termos), e afora as infelizes mortes prematuras, certas coisas, certas sensações e entendimentos só podem ser compreendidos dentro de determinado tempo.
Antes disso, é poesia.
Mas falava dos domingos. Cheiro de carne assada no começo do dia.
Pipoca, chimarrão, churros, crianças e algodão doce e adultos alucinados (perdidos) no meio, e café com leite ao final, acompanhado de alguma melancolia existencial. Bolo de cenoura ainda quente.
Orelha de macaco com leite (palmier é palavra de "froucho", além de não ser, para as crianças, plausível e divertido).
Meu animal de estimação, o Glix, por exemplo, fica louco quando sente o cheiro de "churros" no domingo, e sempre me pede, educadamente, que eu o conduza até a barraquinha da simpática "Dona Gorda", de quem ele ganha um beijo bem estalado, e um suculento churros.
O eufórico animal adora as visitas conduzidas até o estabelecimento da Dona Gorda, pois, além de churros, ele ali encontra diversos outros odores atraentes, como batatas, restos de todo o tipo, e restos de chocolate com leite em copinhos de plástico, algo que, mesmo novo, já pude notar com clareza.
Imbuído, talvez, pelo mesmo estado de ego infantil que nos motivava quando crianças, e, em ambos os casos, presentes os traços e notas de selvageria e "predadorismo" que as duas espécies carregam em si.
"Dog eat dog", como diz esta excelente e corrente expressão norte-americana, cujo significado me é tão pertinente, realista e adequado.
No resto da semana, a dieta é rigorosíssima, já estou vacinado. E ele também.
Mas, assim como fazemos com as crianças aos domingos, deixando-as saborear amendoins doces e mágicos (pra mim era) algodões doces, e maçãs do amor, também essas singelas e marcantes criaturas caninas acabam vivendo os seus domingos.
Ele gosta mais é do doce de leite. Coitado. Tão feliz. Tudo é novo, incrível e instigante.
Tão infinito e livre de dores e agruras. Apenas voando ao meu lado. E querendo apenas o imediato.
Tão vivo que chega a me ceder um pouco da vida dele. Afinal, nada mais justo, depois dos "arrozes com fígado de galinha".
As tardes típicas de domingo, na visão deste que vos escreve, contêm componentes objetivos e subjetivos, ainda que aqueles apenas sirvam para complementar e justificar estes últimos, com o passar do tempo.
O sol é diferente daquele sol da segunda. É mais ameno, tanto para aqueles que cultivam a euforia como para os melancólicos.
Feéricos parques de diversões e suas doçuras, loucuras e surpresas.
A mão do pai ou da mãe sempre presentes, com seus atentos, penetrantes, e, ao mesmo tempo, doçura, pois, afinal, éramos apenas crianças.
Não nos preocupávamos com nada além de existir e encher o saco. Nem nos proteger precisávamos.
Não sabíamos o que estava lá fora. As cores disfarçavam a selvageria que nos rodeia por todos os lados.
Os domingos têm cheiro de grama e sol. De plantas, de cachorros e crianças, som que quase acaba prevalecendo sobre os demais.
Os domingos são inocentes, ainda que, para os covardes incautos e inconscientes, possa vir a significar simplesmente o suicídio.
São os opostos, que, de certa forma, se atraem, como mandam as leis mais elementares que regem a natureza, e, portanto, a nós mesmos, como é a "Lei da Predação", onde os maiores engolem os menores, ainda que comunistas e islâmicos (estapafúrdios) estados, ainda tentem remar contra a maré.
Não somos iguais. Não vivemos nem viveremos em paz.
Descobrimos que as notícias sobre judeus e palestinos era séria, e jamais teria fim. Ou teria...talvez apenas não tenhamos a oportunidade de vê-lo.
Não sabíamos que os próprios parques de diversões dos domingos, e mesmo as escolas, acabariam virando alvos de abjetos e auto-proclamados "homens e mulheres-bomba", os quais estourariam as suas tripas em nome de um tal de Alá.
Não esqueçamos as virgens, é claro. Pois para eles, segundo seu lema..."ninguém é inocente". São apenas os métodos dos "predados", como aqueles que se defendiam com paus e pedras.
Muito sangue correrá, assim como os acidentes nas estradas a cada carnaval, e mesmo assim continuarão exercitando apenas a sua natureza de vítimas dos predadores.
Ora, sangue e dor sempre houve, mas isso já estava incluído nas contas dos predadores. É a lei. É a natureza, e não a escrevemos.
Não haverá professor de sociologia ou teoria comunista que possa derrubar uma tal lógica natural. Haverá batalhas, mas as coisas sempre ficarão como foram programadas para ser.
É como o sapo tentando atravessar a enchente com o escorpião nas costas.
Confiou que o escorpião não o morderia, pois, caso contrário, ambos morreriam. Mas os escorpião picou, e, diante de suas mortes iminentes, apenas respondeu ao sapo que não poderia fugir de sua natureza.
Amor e ódio. Início e fim. Sim e não, bom e mau, tudo isso sempre anda junto, até porque, sem o seu oposto, teria ouro significado, ou significado algum teria.
Existe uma lei que rege as coisas todas, e certamente não fomos nós que a cunhamos. Quem foi eu não saberia responder, prefiro referir os que não a inventaram, um intento que envolve um grau menor de dificuldade.
Não que eu tivesse medo de dificuldades, mas neste caso é um pouco diferente.
Não é apenas difícil de saber, é simplesmente impossível, ainda que um sem número de "sedizentes" religiosos, desde os tempos mais primitivos, proclamem, publicamente, um tal poder, inclusive escrevendo e venerando textos permeados por fantasias delirantes, que ficariam melhor se retratados em um filme norte-americano.
As previsíveis películas americanas. Repito - não falo em exceções, como o Clube da Luta, e Sobre Meninos e Lobos. Ou o Milk.
Ou quase todos os filmes em que o Sean Penn está presente. Assim como aqueles em que o Selton Mello figura.
Já o Capitão Nascimento já encheu a paciência, assim como o Lázaro Ramos (último bom trabalho foi Madame Satã), e o Matheus Nachtergaele, e ainda o Rodrigo Santoro.
Muito peido pra pouca merda, ou então são simplesmente chatos, muito ajeitadinhos e previsíveis, como o próprio Santoro.
Prefiro assistir a um filme infantil sobre esquilos, do que ver o Murilo Benício ou o Tom Selleck. Já o Sacha Baron Cohen, não perco por nada.
Coisas. Divagações. Devaneios. Como são os ares dos domingos. Reminiscências, ou apenas um arco-íris cheio de novidades, cheiros e sabores. Todo infinito. Tão infinito que nem percebemos quando caímos no sono, à noite. No domingo.
Mas o domingo segue em frente, com sua marcha infantil colorindo artificialmente e com cheirinhos bons o ar, poluído pelos adultos e por elas próprias, por meio de sua ingenuidade e natural sadismo.
É a natureza.
Mas ainda não sabem, por isso a punição deve ser cuidadosa.
Aurora inocente e ingênua, em aparência, ou em seus estados mais patéticos, como quando bebês.
Isso porque, os melhores compêndios de psicologia afirmam o sadismo presente na personalidade dos seres em tenra idade), como aspecto marcante.
São apenas filhotes de escorpião que picam sapos, e os acompanham em sua morte, se preciso for. É a natureza.
Mas gosto do domingo. Isso, de modo algum é uma forma de dizer que não.
Adoro os cheiros, principalmente o dos churros, pipoca (doce ou salgada), a visão dramaticamente vermelha e instigante das maçãs do amor, os mágicos algodões doce, o sorvete pingando na roupa.
Era roupa de domingo, afinal. Calça e moletom com proteções de couro nos cotovelos e joelhos. Botas grosseiras. Mãos meladas, sempre prescrutadas pelas fortes mãos de meu pai. Sempre as admirei.
Não tanto pela força, mais pela disciplina e determinação. Isso cria força.
Nunca foi, meu pai, um mercenário, assim como o exemplo materno.
Eram fortes em opiniões, sérios, disciplinados, regulares, protetores, enérgicos, sábios, adequados e queridos, conceito este que não tentarei explicar, pois não sou o Luan Santana.
Eram estruturados e de verdade. Cultivavam o exemplo à amizade. Ensinavam o clássico e o atual. Faziam a parte deles. Os pais, em geral, olvidam (vim a saber logo).
Contudo, quanto a isso, era isso.
Ainda consigo sentir a novidade ingênua de um bom domingo.
Ainda não tenho conhecimento que, um belo dia, de algum tempo ainda remoto, aparecerá na minha frente o escroto do "cumpadi washington", agarrado na cintura da minha irmã, e segurando um abacaxi turbinado na outra mão, e vai proclamar, com seu habitual e puxado sotaque baiano, com notas de escracho abusivo: "não sabe de nada...inocente...".
Após o que, ri alto, me olhando no fundo dos olhos, como que dizendo algo que, explicitamente, não seria conveniente fazê-lo, e ao mesmo tempo esperando apenas que eu entenda, ou que seja competente para entender sem chorar.
Isso será, depois, relevante.
Tudo isso em um olhar só. O cara é vivido, deve saber das coisas relacionadas ao homem branco estúpido. Vai saber, melhor não arriscar.
Mas os meus domingos ainda têm cheiro de churros. Aliás, adquiri dois no final desta noite.
Na "Dona Gorda". Bom papo, palhaços de plástico, e o Glix feliz da vida, dando uma trabalheira para segurar enquanto os depositava na mochila.
Menos mal que estava sendo distraído com beijos, carinhos e quitutes, ofertados pelos populares que circundavam o local.
Aquele cheiro ótimo de churros.
Churros com geleia de pimenta. Que maravilha. Inventei, e gostei.
Senti falta do olhar atento de meu pai, apenas, para completar o quadro. Para que tudo parecesse eterno e simples. E previsível. Positivamente previsível.
Era ele que levava a gente no parque aos domingos. E quando chegávamos de volta em casa, mais gostosuras de domingo nos aguardavam, pois lá havia uma mãe. E cachorros. E galinhas. E porquinhos da índia. E coelhos e gatos.
O Pai, com aquela face séria, sisuda, roupa social, e a capanga embaixo do braço. Um cigarro ou outro. Acenos duros mas carinhosos. É alemão ora. E ainda por cima juiz. Esperar o que...(hehe).
Lia estórias antes de dormirmos. Júlio Verne, Monteiro Lobato, entre vários outros.
É como falei ao início deste texto, ou seja, em idade pueril, e mesmo no decorrer da juventude, não temos condição, ainda, de poder aquilatar o valor de algo, senão após decorridos os anos de vida, se anos de vida tivermos a sorte de ter.
Ou jamais aquilatamos, seja em que idade for, como é o caso daqueles que dão cabo da própria vida. Mas, de exceções, não estamos a tratar.
Viver e querer continuar vivos é o que nós move e dá sentido.
Simplesmente não se adquire experiência sem que certos caminhos sejam percorridos.
Alguns jamais alcançam qualquer tipo de sabedoria, ainda que em idade provecta, casos em que, novamente, serão enquadrados nas exceções, mesmo que, aqui, não se matem.
Talvez se matem em vida, assistindo novelas, e votando no Sarney.
Não podemos lutar contra a nossa natureza, já dizia o escorpião, ao afogar-se.
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Um lugar, um horário e um dia propícios à escrita, à reflexão. Uma vez mais, o domingo.
As pessoas adquirem uma tonalidade plácida, cínica, nos domingos. Contudo, não é sobre isso que passaremos a discorrer.
Domingo. Uma temperatura controlada, algo que passou a ser muito importante, até por darmos mais valor a certas situações que nos rodeiam, como é o caso daqueles indivíduos que catam lixo nos contêineres todas as noites e dias.
Para nós, eles são como invisíveis, e agimos como verdadeiras pedras animadas.
Bem, mas retornando ao dia propício, cumpre referir que não se deve escrever de dia, apenas após o anoitecer, sob pena de que as ideias acabem ficando pastosas, previsíveis, duras, rasas, conectadas a realidades artificiais.
Essas que forjamos para tentar dar sentido às nossas vis existências.
Nem se deve escrever sob luzes brancas, apenas amarelas.
Não se deveria sequer viver sob luzes brancas, elas servem melhor aos açougues, farmácias e grandes centros de compras.
Sob luzes alvas, frias, os pensamentos também congelam, plastificam, enlatam, uniformizam e não possuem magia nem virtude.
São apenas...como essas coisas que são todos os dias...daquelas que não animam, só preenchem espaços de vida, sem empolgar nem despertar a arte, os elementos da criação.
Viramos zumbis. Aliás, esta vai para a lista das coisas que vou morrer e não vou entender - ou seja - estive vivo para constatar, estupefato, que filmes em torno do tema relacionado aos "zumbis", virou uma verdadeira febre.
Virou "cult". Virou mais um fenômeno "pop" (!!)
Se não estou equivocado, inclusive, foi o genial Umberto Eco que, há mais de duas décadas, escreveu sobre aspectos relacionados com o fato de que, considerando as características que permeiam as nossas gregárias tendências, todas as manifestações acabavam sendo engolidas, recebidas, aceitas, assimiladas pela ideia formada a partir do conceito do que venha a ser o que nos habituamos a denominar apenas "cultura pop".
Neste momento, sempre pensaremos em alguém como o exótico e prodigioso Andy Warhol. Ou no "grande irmão".
Breve explanação sobre o conceito de "cultura pop" segue abaixo, extraído da página "http://novaescola.org.br/formacao/cultura-pop-michael-jackson-481091.shtml."
Vejamos:
"Mas o que é, afinal, essa cultura de que tanto se fala? "Na verdade, ela tem origem na chamada Pop Art dos anos 60", diz Martin Cézar Feijó, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura, da Universidade Mackenzie.
Ele explica que esse movimento surgiu diretamente das artes plásticas, mais especificamente ligado ao pintor e cineasta americano Andy Warhol, autor de pinturas de rostos de figuras famosas como as atrizes Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor.
"Trata-se de um tipo de arte que tenta reproduzir ícones dos meios de comunicação, em uma época que coincide com o auge do cinema e da televisão e com a explosão de certas bandas e artistas, como os Beatles".
Segundo o professor, a cultura pop foi emanada dos meios de comunicação em uma tentativa de dialogar com a arte erudita, desde a pintura e a escultura até a música, a dança e a literatura.
"É uma representação artística que tem grande difusão na mídia e que aspira atingir um público cada vez maior", afirma o especialista. Apesar disso, ela não deve ser confundida com a cultura de massa.
"É um estágio posterior. A pop já faz parte do universo das mídias individuais ou em rede. Essa individualidade, que tem um cunho massivo - e não de massa -, se refaz por meio de diferentes combinações que cada indivíduo ou consumidor é capaz de criar como novidade", explica Gelson Santana Penha, professor do curso de Mestrado em Comunicação da Universidade Anhembi-Morumbi.
Gelson esclarece que a cultura pop nasce em meio à explosão do consumo individual "e apaga as diferenças entre imagem e realidade, reprodução e original".
É por essa razão, por exemplo, que o cantor Michael Jackson pode ser considerado um ícone da cultura pop. "Ele não é um exemplo para ninguém, isto é, ele tinha um tipo de existência que estava mesmo na 'Terra do Nunca', no plano da imaginação, da fantasia.
E o pop é exatamente isso: ele é muito mais consumido do que vivido; é a arte dialogando com o consumo sem pudor", afirma Martin Feijó.
Dentro desse contexto, outra importante característica da cultura pop é a de que ela alimenta produtos voltados para um público essencialmente jovem, exercendo influência sobre ele, principalmente na moda e no estilo.
"Quando surgiu o grupo The Who, nos anos 60, houve um movimento de estilo de roupas coloridas e calças justas, que é um tipo de estética que influenciou muito os jovens daquela época", lembra o professor.""
Nem se deve escrever sem música.
Nem, muito menos, quando sentimos, ao que, a aquisição de uma estufa acabou sendo providencial.
Nos dois sentidos, pois aquece, e ainda fornece luz na tonalidade desejada. Não fosse ela, teria os meus abajures, mas estes não aquecem, apenas iluminam.
Há pouco, caminhando com o cão, e como dito no primeiro tópico deste devaneio verbal, lembrei dos cheiros e sons próprios dos domingos.
E ambientes climáticos típicos deste dia da semana. Pelo menos no inconsciente coletivo, pois não costumo imaginar domingos chuvosos.
A não ser que ALGUÉM prepare bolinhos de chuva (bolinhos fritos), caso em que passarei a tarde vendo filmes e me deliciando com estas simples mas virtuosas guloseimas, com litros de "achocolatado" para acompanhar.
Ou café com leite. Gelado ou quente, adoro os dois.
Confortante a ideia de que, para mim, o domingo nunca foi o dia internacional do suicídio, ainda mais na fase do anoitecer. Tristezas vêm de dentro, e delas temos que escapar. Simplesmente não há outra saída razoável.
A gente acaba, inclusive, acostumando a abstrair a melancolia, se tiver alguma sabedoria e fizer alguma força. Não recomendo o Programa do Faustão...
Tampouco os apresentados por evangélicos, deploráveis atestados de nossa fraqueza, ignorância e incompetência como seres humanos.
A nossa loucura explicitada, em ambos os lados, tanto aqueles que gritam e cobram "dízimos" (pilantragem oficial), como aqueles que choram e pagam.
Psicopatas, cada qual a sua maneira.
Ratos não têm religião. Nem eu.
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E para finalizar, por que não abordar a questão da ejaculação, do gozo...(?)
Tão limitado e intensamente vibrante, efêmero quanto a própria matéria.
Matéria esta que o resultado do gozo, muitas vezes, acaba por formatar, na forma de mais um humano, pois falo de seu objetivo e não seus contraceptivos.
Aliás, costumam dizer que, ao abandonarmos o nosso sopro vital, perdemos 25 gramas de peso, o qual seria atribuído ao que convencionou-se chamar de "alma".
Contudo, sou daqueles que acreditam não haver relação entre o ciclo natural da vida, e a perda de 25 gramas ao falecermos, de modo que o gozo, definitivamente, gera apenas um ser vivo derivado da combinação havida entre machos e fêmeas, e não um ser vivo e sua alma.
Seria pedir demais...
Passageiras carnes ansiosas e insaciáveis. Descontroladamente instintivas.
Carne que move e promove a carne...que é matéria...só matéria...do pó ao pó...das cinzas às cinzas...não é da alma à alma.
Não há porque dissertar, já que tudo a isso se resume ao final e objetivo maior do coito...
O final do coito é normalmente acompanhado de silêncio, e alguma melancolia. Culpas e imagens do passado.
Por isso, ao nos masturbarmos, devemos fazê-lo demoradamente, de modo a retardar o gozo ao máximo, prolongando a pré-euforia.
Depois, é só comer churros com geleia de pimenta e dormir. Não há tempo para a culpa, nem para conversas tolas na hora que está começando o filme.