Não queria falar daquela choldra de psicopatas imundos que foi julgada em Nuremberg. Uso o tema apenas como escada para desembocar em algo bem mais ameno e enternecedor. Mas é sempre bom lembrar essas coisas, nem que seja pela importância simbólica do ato em si (não do post.....do Julgamento).
Assim como deveríamos sempre homenagear figuras como o Churchil (no que diz respeito à Segunda Guerra, não quanto à Índia entre outras orientações dele – assim como os personagens do Sérgio Leone, todos são bons e maus, pois são apenas humanos, demasiado humanos), e o Coronel Nazista Claus Von Stauffenberg, mentor e principal coordenador da Operação Valquíria, que quase matou o Hitler, “o carniceiro albino”, em seu Covil do Lobo.
Operação Valquíria é, evidentemente, uma alusão à Ópera homônima do compositor erudito alemão Richard Wagner, cuja passagem mais famosa e popular é a primeira cena do terceiro ato, denominada “Cavalgada das Valquírias”.
Sim pessoal, a mesma do filme Apocalypse Now, naquela cena incrível dos helicópteros chegando, onde os helicópteros, a meu sentir, seriam as Valquírias descendo livres no ar, assim como fizeram as Valquírias, quando rodearam Brünnhilde na intenção de protegê-la de seu pai).
Vejamos resumo que encontrei na internet, um resumo da parte final desta cena 1 do terceiro ato:
Sim pessoal, a mesma do filme Apocalypse Now, naquela cena incrível dos helicópteros chegando, onde os helicópteros, a meu sentir, seriam as Valquírias descendo livres no ar, assim como fizeram as Valquírias, quando rodearam Brünnhilde na intenção de protegê-la de seu pai).
Vejamos resumo que encontrei na internet, um resumo da parte final desta cena 1 do terceiro ato:
“Antes de se retirar, Brünnhilde revela que Sieglinde está grávida de Siegmund, e chama o garoto ainda não nascido Siegfried. Sieglinde agradece e parte para a floresta. Ouve-se a voz enfurecida de Wotan, e as valquírias rodeiam Brünnhilde a fim de protegê-la de seu pai.”
No caso as Valquírias, imagino que as Valquírias seriam o pessoal aliado ao Coronel Stauffenberg. Brünnhilde seria a Alemanha. O pai, às avessas, como na Ópera, seria o “carniceiro de Berlim” - Wotan, vulgo, Hitler. Apropriado.
Lembrei do Rudolf Hess, “o alucinado dentuço”, que fugiu da Alemanha e 1941 e foi preso quando saltava de paraquedas na Escócia. Ele sempre gostou de fazer coisas insanas, ninguém se surpreendeu. Achou que ia ser o herói (“mensageiro da paz”...........hahahahaha) que terminou com a Guerra, e entrou para a história como uma velho sujo e louco (e dentuço).
Lembrei dele pois vi em um filme da Leni Riefensthal (Triunfo da Vontade – 4º Congresso Nazista – 1934 - premiado em Veneza, na verdade a Leni é considerada genial), essa figura bizarra e obcecada, o Hess, discursando justamente na Cidade de Nuremberg, onde, a propósito aconteciam os maiores encontros e festejos dos nazi fuckers. O dentuço encerrou o seu discurso no dia do encerramento do Congresso gritando, de olhos arregalados, a seguinte frase:
“O partido é o Führer. O Führer é a Alemanha e a Alemanha é o Führer”.
" HEIL!!! SIEG HEIL" "SIEG HEIL"........
AS VEZES OLHAVA PARA O CARNICEIRO COMO A CRIANÇA QUE PROCURA O PAI NA PLATÉIA DO FUTEBOL.
Fanático nojento.
Aliás, a suástica em si não chega a ser um símbolo esteticamente feio. Foi o nazismo que se encarregou disso.
Também conhecida como Cruz Gamada, este símbolo tem uma curiosidade que acho bastante interessante e sintomática: está presente em diversas culturas (astecas, celtas, budistas, gregos, hindus), MESMO QUE NUNCA TENHAM TIDO CONTATO umas com as outras. Instigante isso. “É um dos amuletos mais antigos (vasos e cerâmicas encontrados 4000 ac) e universais.”
Segundo informa a Wikipédia:
"O polêmico psicanalista Wilhelm Reich (ucraniano de origem germânica), em "Die Massenpsychologie des Faschismus, Frankfurt 1974, S. 102-107", faz a seguinte leitura do efeito psicológico da suástica:
1. O Nazismo serviu-se da simbologia para atrair sobretudo a massa de trabalhadores alemães, enganando-os com a promessa de que Hitler seria um Lênin para a Alemanha;
2. "sob o simbolismo da propaganda, a bandeira era o que primeiro chama a atenção (cantando:).
Nós somos o exército da suástica,
Erguemos as bandeiras vermelhas
O trabalhador alemão nós queremos
Assim trazer para a liberdade."
Usando músicas que claramente pareciam comunistas, e com a bandeira habilmente composta, passava o Nazismo um caráter revolucionário para as massas.
Reich atesta que a "teoria irracional" da superioridade racial, tinha apelos ao subconsciente, através das formas da suástica e dos contrastes oferecidos pelas cores utilizadas (vermelho, preto e branco), chegando mesmo Hitler a afirmar que esta cruz era um símbolo anti-semita, em sua origem.
E, indo mais longe, faz a leitura de que a suástica esquerda tem nítido apelo sexual:
"Se olharmos detidamente para as suásticas no lado direito, vemos que elas claramente revelam formas humanas esquematizadas. Já a suástica voltada para a esquerda, mostra um ato sexual…"".
Bem, retornando às Valquírias, não foi por nada que mencionei o Hess no meio da estória. É que recordei desta frase do filme da Leni, e, a partir dela, se pode ter uma noção clara do alcance do significado do nome dado à desastrada Operação Valquíria, que terminou com a morte sumária de todos os seus líderes e vários colaboradores. O pai queria estuprar a filha. E neste caso é o que acabou acontecendo, pois deixou a Alemanha em ruínas e meteu uma bala na cabeça. Rato covarde.
Noutro dia contamos mais estórias dos “nazi fuckers”.
Desde criança sempre fiquei impressionado com a capacidade de certos países, como a Alemanha, conseguirem se reerguer após eventos terríveis como a Primeira e a Segunda Guerra. E o principal – se reerguer rápido e logo estar ombreando novamente com as grandes potências do mundo. É inacreditável.
E foi o que aconteceu. E aconteceu rápido. É aí que vem a parte boa da estória, e, uma vez mais, vou pedir para o meu vô, Ney Fortunati Pereira, contar pra gente, pois ele esteve lá e em vários outras cidades da Alemanha em 1958.
Adoro esse diário, pois os relatos são muito vivos, parece que a gente dá um passeio por sensações, cheiros, imagens como aquelas que ele estava vivenciando. Acho que é porque existem bons contadores de estórias, como o Forrest.
Além disso, uma das coisas que ele mais gostava na vida era ouvir Ópera, o que vem a ser mais uma relação entre os temas e personagens deste texto.
Bom, vou ficar em silêncio. Vou deixar a palavra com o Ney então, contribuindo uma vez mais com o post. Agora é com ele, contando de sua chegada a Nuremberg e outros eventos em outras cidades.
Vamos acompanhá-lo nesta caminhada sobre os ossos e restos dos “nazi fuckers” que, a esta altura, tinham virado adubo e alicerce. Serviram para algo, ao menos.
“24.08.1958
Partimos de Hamburg, ao meio dia, com Alexandre Gramow e Dona Margareth, Herr Jackopp e esposa, para Nuremberg.
Almoçamos numa pequena vila, onde fabricam vinho branco especial. O restaurante tem mais de 300 anos. Paramos em Heidelberg, para visitar o célebre castelo com o mesmo nome, e que foi construído na Edade Média. Parte do mesmo está em ruínas. A vista, do Castelo para o Reno é uma maaravilha, e o colorido das flores nos jardins outra maravilha. Continuamos viagem, e chegamos a Nuremberg à noite.”
Já quando esteve em Berlim:
“30.08.1958
À noite fomos assistir a Ópera “Don Carlos”, de Verdi, no Teatro de Berlim.”
Mas, como ocorreu na outra oportunidade em que fiz um escrito sobre o Diário do Ney, prefiro passagens como essa:
“31.08.1958
Partimos às 07h30m de avião para Frankfurt, onde chegamos às 09h10m. Baldeação.
Às 10h15m partimos de Frankfurt para Munich, onde chegamos às 11h45m.
Fomos com Zcepanek e Herr Damen almoçar à 26 km de Munich!
Voltamos às 18h00m, e eu fiquei no hotel, pois já estou enjoado de ser tutelado, e ir “secar” num “cabaret” até a madrugada.
__________________________________________ (risco com a caneta visivelmente pressionada, talvez, e digo apenas talvez, porque quisesse estar com os amigos, mas ainda tinha algum trabalho pendente com relação aos assuntos tratados na viagem, basta ver que o diário possui centenas de termos técnicos e desenhos muito minuciosos).”
__________________________________________ (risco com a caneta visivelmente pressionada, talvez, e digo apenas talvez, porque quisesse estar com os amigos, mas ainda tinha algum trabalho pendente com relação aos assuntos tratados na viagem, basta ver que o diário possui centenas de termos técnicos e desenhos muito minuciosos).”
Foi o único escrito em que, ao final, ele fez um risco forte abaixo.
Abaixo seguem fotos retiradas da internet. Uma delas retrata a Cidade de Nuremberg nos idos de 1934, durante a famosa Convenção do Partido Nazista. A outra foi captada em Nuremberg justamente no ano de 1958, ano em que o Ney viajou para lá. Respectivamente.
Enfim, reminiscências, efemérides, filigranas, ecos, pequenos pedaços de curiosidades. Boas ou más, cada qual com suas lições, cada qual interagindo.
Vejamos:









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