segunda-feira, 15 de junho de 2015

JOÃOZINHO TRINTA E O LUXO DO LIXO



JOÃOZINHO TRINTA E O LUXO DO LIXO. OS POBRES E O LUXO. OS INTELECTUAIS E O LIXO. O JAZZ E O SAMBA. O RAP E O FUNK. AS CONDICIONANTES. OS RESULTADOS. O FUNK E AS CORRENTES. O RAP E OS CIFRÕES. A OSTENTAÇÃO. A INTENÇÃO VULGAR DISFARÇADA DE LIBERTAÇÃO. A VELHA E BOA OMISSÃO




“ALGUMAS PESSOAS SÃO TÃO POBRES, QUE SÓ TÊM DINHEIRO” (Frase que já chegou a ser atribuída até ao Pedro de Lara. Prefiro-o, é mais inusitado e simpático. É incerta, imagino, sua autoria. 


“QUEM GOSTA DE MISÉRIA É INTELECTUAL, POBRE GOSTA DE LUXO” (Frase atribuída ao carnavalesco Joãozinho Trinta, mas, pessoalmente, prefiro acreditar na tese, mais fidedigna, de que a frase foi inserida no texto de uma entrevista fictícia que o jornalista Élio Gaspari teria levado já pronta para o J. 30, e este último apenas deu o seu aval. Admitamos, contudo, que a frase é ótima).






Existe apenas um papel em branco. Nada mais. É apenas tentar escrever, tentar fazer com que uma página acabe virando várias, ou não. 


O conteúdo que movimenta o texto, seu ritmo, importância do texto e acho que principalmente a “lógica esgotativa” (inventei agora essa merda), é que definem a quantidade do que deve ser dito sobre cada assunto. 


Isso não é algo que se queira, a gente apenas sente quando está pronto, quando disse tudo, quando aquilo era aquilo, sem mais nem menos.


Devemos saber quando a ideia termina, e inicia a vaidade. Quando a ideia está completa e inicia a lama, o exagero, o desnecessário, a repetição, a vulgaridade proporcional à ideia negativa que esteja sendo exposta. 


A euforia cretina diante das ideias positivas. Sobre os dois tipos de ideia, deve ser dito apenas o que deve ser dito, sem grandes picos, oscilações. As coisas são o que são.


Podem ser duas linhas, podem ser seiscentas páginas. Não podemos nos podar, mas também não podemos deixar de sempre saber quando algum escrito não deve ultrapassar as duas linhas, ou três. 


Não é incomum começar um texto, sem ter a mínima ideia de onde vai desembocar o que considero uma ótima técnica quando for o caso. E isso é difícil de definir também, a gente sabe quando isso está acontecendo. Apenas sabe. É instinto. O título sempre surge depois.


Vambora...O pessoal do “Funk Ostentação” sequer tem culpa do lixo que produz. 


Eles precisam produzir aquilo daquele jeito, pois, simplesmente, e mais uma vez a nossa Deusa lógica respondendo, eles não poderiam fazer de outro jeito.


Não venha dizer que poderiam fazer “samba”, pois as condicionantes são diversas. No caso do “samba”, eles também não poderiam fazer diferente. É isso.


Já o jazz, embora proveniente de camadas mais oprimidas da população afro-americana, não carrega as aberrantes tonalidades da ostentação babaca de outros irmãos seus. Seria o jazz mais intelectual¿ 


O “samba” no caso acima, está para o “jazz”, assim como o “rap” está para o “funk ostentação”. É apenas uma questão de origens. São as condicionantes.


Sabe-se, outrossim, que o Samba já fez parceria com o Jazz, e são famosos os exemplos, o que confirma e conecta em termos lógicos o quanto dito. Tomara que o Rap não faça parceria com o Funk Ostentação.


Assim, e retornando ao Funk Ostentação, e uma vez mais pela lógica, só poderia ser dessa forma, não adianta falarmos mal do resultado e não combatermos a origem senão é exatamente isso o que continuaremos ouvindo (por alguns segundos, no meu caso) das camadas mais jovens e desprestigiadas em termos financeiros.


É isso que os ensinamos todos os dias a tentar produzir pra tentar se libertar ao mundo puramente material, única ambição possível, e para a qual as mentes deles foram condicionadas, simplesmente não podem pensar de outro jeito.


E foi exatamente o que aconteceu com os jovens negros americanos das periferias quando surgiu o rap. 


Nos dois casos, aliás, a coisas surge como algo mais autêntico, mais sério em termos de protesto contra desigualdades sociais, apologias ao tráfico e suas armas. 


Depois descambaram para esta coisa festiva e histriônica, afetada que vemos todos os dias com ostentações e snoopys (BITCH!).


Não os ensinamos a querer mais do que isso. Se queremos que eles queiram mais do que isso, devemos ensiná-los a querer mais do que isso, até o ponto que eles, inclusive consigam entender e rechaçar o próprio lixo que produziam.


Evidentemente fala-se em educação.


É isso que faz aliás, com que o Joaozinho 30 (sempre erro quando teclo essa merda de nome) NÃO (pois a entrevista foi forjada, assinada pelo Élio Gaspari, genial Élio Gaspari diga-se de passagem) haja proferido aquela frase: 


“Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo.” 


Pois é. O conteúdo do Post acaba por explicar esta lógica, ilustrada na excelente frase do Joaozinho/Gaspari. 


A tendência é que, com o incremento da educação, sabedoria, etc., as pessoas evidentemente caminhem em sentido oposto a este monte de estrume produzido hodiernamente nas regiões periféricas da grandes cidades, caracterizadas pela presença de seres humanos desprovidos de condições mínimas de sobrevivência, e, portanto, sem dignidade e possibilidade de fazer melhor do que o que fazem todos os dias depois de acordarem.


O que inclui se desviar das balas do BOPE, assassinos oficiais. Limpeza social. Tentáculos do Estado que preferimos fingir que não existem, pois, afinal, acabamos por adotar um silêncio complacente e contemplativo (filmes), mal-disfarçando o prazer que sentimos em assistir a tudo aquilo, podres que somos. 


O que, por outro lado, também não afastar o fato de que são apenas tolos, misturados com putas e dinheiro. Ou putas misturadas com tolos e dinheiro. Ou dinheiro misturado com tolos e putas. Ordens, fatores e condicionantes.


E a questão estética é frustrante. Freak Show. Circo. 


Não parece bom quando chegamos ao ponto em que devemos escolher cada vez mais entre menos piores, ao invés de melhores que melhores. Por isso, dentro dessa lógica, ainda seria melhor o J. 30.


Afinal, carnaval é só carnaval.



ACHO QUE ESTA FRASE SE APLICA AO PESSOAL DO "FUNK OSTENTAÇÃO":


"Apenas devia ser possuidor quem tem espírito: não sendo assim, a fortuna é um perigo público." Nietzsche.



































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