Não devemos apenas nos limitar a ajudar criaturas vivas a continuarem vivas. Devemos também saber ajudar criaturas vivas a morrerem com dignidade.
Demorei para agitar o tema, mas aí vai a homenagem que prometi para a minha amiga Vera.
Demorei porque não queria lidar com isso, não por preguiça. Mas fraqueza não é melhor que preguiça, então não estou me isentando.,
Ajudei a viver. Ajudei a morrer com toda a dignidade. Sábia como uma coruja. Discreta como a nobreza. Nobre como ela.
Passou os últimos dias por aqui, perto do mar, e perto do mar partiu. Depois de dormir.
Não que alguém esteja interessado. Ou haja perguntado.
É que falei com ela ouvindo que faria um post em sua homenagem.
Poderia ter falado longe dela, depois me dei conta, situação que me permitiria não fazer o post. Mas ela ouviu. Sorry.
Sei lá, coisas. Preciso liberar isso, estava preso.
Constipação moral. Vocês que aguentem. Aguentam tanta coisa pior sorrindo e agradecendo.
Eu que prometo, vocês que pagam. Paguem. Vocês devem.
A ela, não a mim. Mas a mim também.
Dono a abandonou, mas ela nunca saiu de perto de onde foi abandonada, mesmo apanhando dos novos donos da moradia, até ser adotada na região.
Talvez tentando fazer com que reaprendamos o significado de lealdade. Talvez não. Acho que trouxe lições para nós, brutos. Inútil não foi a sua passagem. Inúteis fomos para ela em sua passagem. E maus.
Poderíamos ter sido apenas inúteis, ela sabia se virar, mas nunca soube entender a maldade.
Mas isso não importa. Quase nada importa. Ela é que sabe. A Vera. Era este o nome dela. Viveu e morreu sem ninguém saber, mas ela mesma era tudo o que tinha, afinal de contas.
E alguns amigos anônimos. Mas não importa.
É que falei com ela ouvindo que faria um post em sua homenagem.
Poderia ter falado longe dela, depois me dei conta, situação que me permitiria não fazer o post. Mas ela ouviu. Sorry.
Sei lá, coisas. Preciso liberar isso, estava preso.
Constipação moral. Vocês que aguentem. Aguentam tanta coisa pior sorrindo e agradecendo.
Eu que prometo, vocês que pagam. Paguem. Vocês devem.
A ela, não a mim. Mas a mim também.
Dono a abandonou, mas ela nunca saiu de perto de onde foi abandonada, mesmo apanhando dos novos donos da moradia, até ser adotada na região.
Talvez tentando fazer com que reaprendamos o significado de lealdade. Talvez não. Acho que trouxe lições para nós, brutos. Inútil não foi a sua passagem. Inúteis fomos para ela em sua passagem. E maus.
Poderíamos ter sido apenas inúteis, ela sabia se virar, mas nunca soube entender a maldade.
E alguns amigos anônimos. Mas não importa.



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