quinta-feira, 20 de agosto de 2015

VERA






Não devemos apenas nos limitar a ajudar criaturas vivas a continuarem vivas. Devemos também saber ajudar criaturas vivas a morrerem com dignidade.

Demorei para agitar o tema, mas aí vai a homenagem que prometi para a minha amiga Vera. 

Demorei porque não queria lidar com isso, não por preguiça. Mas fraqueza não é melhor que preguiça, então não estou me isentando.,

Ajudei a viver. Ajudei a morrer com toda a dignidade. Sábia como uma coruja. Discreta como a nobreza. Nobre como ela.

Passou os últimos dias por aqui, perto do mar, e perto do mar partiu. Depois de dormir.

Não que alguém esteja interessado. Ou haja perguntado. 

É que falei com ela ouvindo que faria um post em sua homenagem. 

Poderia ter falado longe dela, depois me dei conta, situação que me permitiria não fazer o post. Mas ela ouviu. Sorry.

 Sei lá, coisas. Preciso liberar isso, estava preso. 

Constipação moral. Vocês que aguentem. Aguentam tanta coisa pior sorrindo e agradecendo.

Eu que prometo, vocês que pagam. Paguem. Vocês devem.

A ela, não a mim. Mas a mim também. 

Dono a abandonou, mas ela nunca saiu de perto de onde foi abandonada, mesmo apanhando dos novos donos da moradia, até ser adotada na região.

Talvez tentando fazer com que reaprendamos o significado de lealdade. Talvez não. Acho que trouxe lições para nós, brutos. Inútil não foi a sua passagem. Inúteis fomos para ela em sua passagem. E maus. 


Poderíamos ter sido apenas inúteis, ela sabia se virar, mas nunca soube entender a maldade.

Mas isso não importa. Quase nada importa. Ela é que sabe. A Vera. Era este o nome dela. Viveu e  morreu sem ninguém saber, mas ela mesma era tudo o que tinha, afinal de contas. 

E alguns amigos anônimos. Mas não importa.


















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