Assim como as cenas e personagens não precisam guardar relação com aquelas ou aqueles que virão após (se vierem), sob penas de restarmos escravizados por tácitas convenções de escrita.
O vazio e a forma. Não se pode pretender pautar a forma, assim como não se pode pretender pautar o vazio, sob pena de que este perca a sua característica.
Podemos, quando muito, é pautar nossos próprios vazios. Se conseguirmos,
Quando muito. E normalmente quando o fazemos, agimos de maneira incompetente, pois se pautar os vazios fosse um fenômeno recorrente no ser humano, não teríamos depressão.
Não devemos pretender nada ao escrever. Assim como não devemos imaginar limites.
O escrito tem o tamanho que tiver que ter, e isso é instintivo. Sempre se sabe a hora de parar, mesmo depois de dez mil edições.
E deve comunicar o que tiver que ser entendido, mesmo que a grande maioria nada vá entender.
Pensar o contrário seria exercitar a vaidade ou agir como os meios de comunicação de massa, que tentam ir até o povo, ao invés de tentar trazer o povo a um lugar melhor, custe o que custar.
Pensar o contrário seria exercitar a vaidade ou agir como os meios de comunicação de massa, que tentam ir até o povo, ao invés de tentar trazer o povo a um lugar melhor, custe o que custar.
Por isso mesmo sertanejos universitários fazem sucesso, quando qualquer cérebro que não seja recheado de merda, sabe que se trata de uma forma escrota, canalha e oportunista de fazer música, assim como o funk ostentação, com a ressalva, neste último, de que não têm muitas opções.
Cumpriria a nós resgatá-los. Mas estamos muito preocupados com nossos vazios cotidianos. Ocupa-mo-nos com nada, e a ninguém auxiliamos, frágeis parasitas que somos.
Até baratas e mineiros (habitantes de Minas Gerais) são mais fortes...sempre lembrando que "o mineiro só é solidário no câncer."
Na arte a forma e o conteúdo devem ser livres. Na convivência social é que não.
Não se precisa saber o ponto de partida. Não se precisa saber o ponto de chegada. Devemos é preencher competentemente o caminho, seja ele qual for.
Não se pode planejar o que escrever. Apenas verbetes curtos e referenciais vagos. Não devemos saber o que virá, devemos apenas ir as vezes. Deixar fluir. Podar as aparas, cuidando sempre para não ser consciente demais.
Romances são chatos, como chatos são os Rolling Stones. Para mim sempre tiveram, apenas fama, nada mais. Romances e os Stones.
"Salvei-vos ou ninguém vos salvará, pois, em verdade, estas sozinho."...Rogério Valdez 22:44
"Salvei-vos ou ninguém vos salvará, pois, em verdade, estas sozinho."...Rogério Valdez 22:44
Entendido isso, e só assim, posso prosseguir.
A forma é livre, e assuntos não precisam guardar relações instintivas e fáceis, ainda que em algum lugar se relacionem, já que sempre se poderá perceber a influência das tendências de quem emite o escrito. Ou da forma ao vazio.
Escritos livres voam sozinhos e não precisam informar lógica. Precisam voar. E ser.
Velas acesas. Amarelas. Velas amarelas e suas sombras que rimam.
Encontrei diversas explicações para o fato de alguém acender velas.
Prefiro ficar apenas com uma delas, talvez porque combine perfeitamente com o que penso, pois algumas perguntas já sabemos a resposta, e acabamos indagando mesmo assim por simples curiosidade acerca da resposta. Mórbidas curiosidades.
Ou seja, mesmo que não tenhamos qualquer tipo de crença, acendemos velas também porque gostamos, estão gravadas em nossos instintos como símbolo de vida (fogo e luz), como quando vemos uma casinha de longe, com fumaças e luzes e sabemos que ali há vida. Tendências primais.
Ou seja, muitas vezes não devo procurar nos conceitos cretinos pré-elaborados as explicações, mas dentro de mim mesmo ou em lugar algum, momento a partir do qual haverá apenas a liberdade de gozar de algo que faz bem sem perquirir a origem e o porque deste bem.
Velas, para mim, representam apenas rituais existenciais sem misticismos impostos, ou pateticamente aceitos, ou os dois.
Apenas rituais existenciais individuais. Rimamos de novo. E três vezes.
Todos deveríamos criar nossos próprios rituais, como aquilo que já falei sobre carregar no bolso sempre uma moeda com duas caras, pois a nossa sorte é nós que fazemos, assim como nós mesmos.
Pelo menos deveria ser assim.
PERMITO que o ritmo, neste momento, seja ditado por uma música, e no ritmo deslizo...quase irresponsavelmente...quase sabiamente... e começo a escrever aleatoriamente, ao sabor das ondas, como a "Nau da Loucura", de "Joaquim Louco...o Louco do Chapéu Azul"..."Nau da Loucura no mar das ideias"...
Esta é a música na qual deslizo (genial RZA, tema do filme Ghost Dog, do Jim Jarmusch, soa como um "jazz rapper", virtuosamente urbano, do alto dos prédios em noites nubladas....mas sem chuva...), não aquela do Ramil, cuja referência serve como ilustração apenas...ilustre ilustração...apenas:
Um escrito, estive pensando, deve poder ser escrito simplesmente a partir de pequenos ou grandes fragmentos, sem que haja a necessidade opressiva de que tais pensamentos se conectem.
Já presenciamos isso em diversas películas.
NÃO PODEMOS ESCREVER APRISIONADOS, ESCRAVIZADOS A TEMAS ESTÁTICOS QUE DEVAM SER DEPURADOS. DEVEMOS PINCELAR LETRAS COMO FAZ O POLLOCK EM SEUS QUADROS.
Devemos gritar esculturas. Devemos escutar cinemas. Saborear músicas. Cagar loucura. Pensamentos lineares não complementam, pois pensamentos sempre linkam pensamentos, imaginem quanta ideia se perderia ao elegermos uma pré-forma, mesmo que esta seja derivada de uma boa ideia. Não sejamos vaidosos. Não devemos salvar a nós mesmos, nem a nem b nem c, mas o coletivo.
Se não os salvamos, não nos salvamos.
NÃO PODEMOS ESCREVER APRISIONADOS, ESCRAVIZADOS A TEMAS ESTÁTICOS QUE DEVAM SER DEPURADOS. DEVEMOS PINCELAR LETRAS COMO FAZ O POLLOCK EM SEUS QUADROS.
Devemos gritar esculturas. Devemos escutar cinemas. Saborear músicas. Cagar loucura. Pensamentos lineares não complementam, pois pensamentos sempre linkam pensamentos, imaginem quanta ideia se perderia ao elegermos uma pré-forma, mesmo que esta seja derivada de uma boa ideia. Não sejamos vaidosos. Não devemos salvar a nós mesmos, nem a nem b nem c, mas o coletivo.
Se não os salvamos, não nos salvamos.
Não sejamos esquizofrênicos ao interpretar as extensões, formas e limites da escrita. "A forma é o vazio. O vazio é a forma."
Noutro dia um amigo disse que ao escrever eu teria uma responsabilidade com meus leitores. Não tenho, disse para ele, ou então nada mais escrevo, apenas escravo passarei a ser.
Não tenho com a forma nem com os leitores, só comigo mesmo, e olhe lá. Às vezes nem sei para quem escrevo, nem quem me move.
Não tenho com a forma nem com os leitores, só comigo mesmo, e olhe lá. Às vezes nem sei para quem escrevo, nem quem me move.
Prefiro, então, ser um escravo de minhas convicções, ou então de meus fantasmas, caso contrário os escritos nada serão além de uma colcha de retalhos desagradáveis e sem vida. Insossos. Preto e branco. Comprometidos. Prefiro voar só, à escravidão.
Se as estórias (sim com "e") devessem necessariamente guardar conexão, não existiria um filme tão bom quanto o "Relatos Selvagens", entre tantos outros, como alguns do Win Wenders, como o Paris Texas.
Pois para cada momento existe um ritmo mental, como por exemplo o jazz cozinhar, o Pink Floyd ou Midnight Oil ou Massive Attack para pensar e Raimundos para comer virgens.
Ofereço-me para fazer qualquer suco mas limonada é difícil. Sempre é difícil. Estava eu preparando, ou tentando preparar mais uma limonada que não ficou boa (mas consigo fazer boas).
Pensava na estranha dificuldade de conseguir obter uma boa limonada. Sim, é difícil equilibrar água, limão e açúcar, ainda que açodados e incautos pensares imaginem o contrário.
Isso, aliás, guarda semelhanças com a vida, pois existe a água. Se colocarmos adoçarmos demais ou ficar ácida demais, ou os dois, a coisa não ficará bem, e a linha é bastante tênue. Chegar ao equilíbrio não é nada fácil.
A vida é como tentar fazer uma boa limonada, pois. "Go ahead! Make a wish...". A maioria não deverá conseguir, contudo, deveria regozijar-se por estar viva.
Não conseguem sequer isso. Não merecem uma boa limonada. Nada é o que terão. Nada de limo (usine), apenas limo.
Pensava na estranha dificuldade de conseguir obter uma boa limonada. Sim, é difícil equilibrar água, limão e açúcar, ainda que açodados e incautos pensares imaginem o contrário.
Isso, aliás, guarda semelhanças com a vida, pois existe a água. Se colocarmos adoçarmos demais ou ficar ácida demais, ou os dois, a coisa não ficará bem, e a linha é bastante tênue. Chegar ao equilíbrio não é nada fácil.
A vida é como tentar fazer uma boa limonada, pois. "Go ahead! Make a wish...". A maioria não deverá conseguir, contudo, deveria regozijar-se por estar viva.
Não conseguem sequer isso. Não merecem uma boa limonada. Nada é o que terão. Nada de limo (usine), apenas limo.
Durmo e acordo pensando se vou conseguir escrever de novo.
Não se escreve porque se queira, se escreve porque se precisa. Pelo menos os verdadeiros escritos. O resto enche balaios de 0,99 cents nas feiras de "livros".
Existem os gênios e existem os desesperados, já dizia o "vô Vieira"
A dúvida acerca de produzir algo novo em termos de escrita causa apreensão e dúvida, e persegue o escritor, ou aquele que pretende ostentar tal condição.
O marco a partir do qual alguém se torna escritor é bastante nebuloso, e, nas mais das vezes, nada existe além da aventura vulgar, provavelmente parecida com a do escritor, como sói ocorrer.
Mesmo assim, e não sei muito bem porque, preciso continuar espancando o teclado do lap-top de maneira irresponsável, quase insana.
Diferentemente de outras profissões, aquele que se dispõe a escrever, nunca sabe se conseguirá ter a próxima ideia, até mesmo porque não existe nada além do próximo escrito, haja vista que se trata de uma escalada.
Quando se tem essa noção, só se quer subir. Nem sempre chegamos ao topo.
Contudo, este é um caso daqueles que se exaure com o simples mérito da intenção, de haver concretizado tentativas.
Ou simplesmente se exaure no exercício da escrita, seja ela punida pelo cinismo, seja ela visceral e maldita.
Importa mais a sinceridade do que o cinismo, quando este não for anunciado pelo autor ou personagens de uma trama, ou de um rabisco aleatório, despretensioso.
Mas, afinal de contas, qual a utilidade prática da escrita não- técnica para a humanidade?
Não técnica entenda-se aquela escrita que gravita em torno de devaneios poéticos, estórias cretinas e modorrentas, assola despreocupados melancólicos e virtuosos ou medíocres dogmáticos vaidosos.
Precisamos de escritores, ou será que os escritores é que precisam da escrita?
Não se escreve porque se queira, se escreve porque se precisa. Pelo menos os verdadeiros escritos. O resto enche balaios de 0,99 cents nas feiras de "livros".
Existem os gênios e existem os desesperados, já dizia o "vô Vieira"
A dúvida acerca de produzir algo novo em termos de escrita causa apreensão e dúvida, e persegue o escritor, ou aquele que pretende ostentar tal condição.
O marco a partir do qual alguém se torna escritor é bastante nebuloso, e, nas mais das vezes, nada existe além da aventura vulgar, provavelmente parecida com a do escritor, como sói ocorrer.
Mesmo assim, e não sei muito bem porque, preciso continuar espancando o teclado do lap-top de maneira irresponsável, quase insana.
Diferentemente de outras profissões, aquele que se dispõe a escrever, nunca sabe se conseguirá ter a próxima ideia, até mesmo porque não existe nada além do próximo escrito, haja vista que se trata de uma escalada.
Quando se tem essa noção, só se quer subir. Nem sempre chegamos ao topo.
Contudo, este é um caso daqueles que se exaure com o simples mérito da intenção, de haver concretizado tentativas.
Ou simplesmente se exaure no exercício da escrita, seja ela punida pelo cinismo, seja ela visceral e maldita.
Importa mais a sinceridade do que o cinismo, quando este não for anunciado pelo autor ou personagens de uma trama, ou de um rabisco aleatório, despretensioso.
Mas, afinal de contas, qual a utilidade prática da escrita não- técnica para a humanidade?
Não técnica entenda-se aquela escrita que gravita em torno de devaneios poéticos, estórias cretinas e modorrentas, assola despreocupados melancólicos e virtuosos ou medíocres dogmáticos vaidosos.
Precisamos de escritores, ou será que os escritores é que precisam da escrita?


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