Amanheceres sempre sendo de novo. Essa é a sua lógica, é assim que deve ser. Nós que aqui estamos, por ti esperamos.
Alguns chegam brabos, carrancudos, com seus dois grandes e mal-humorados olhos cinzas prestes a nos devorar, como é o caso da primeira foto abaixo, captada ontem.
"Decifra-me ou te devoro", ele nos diz com sua enorme boca, alaranjada por dentro.
Talvez esteja mascando algum tipo de goma colorida, vulgarmente chamado apenas de "chiclé", ou "chicleti", sendo certo que neste último caso, se for homem, é daqueles com opções sexuais não ortodoxas.
Já o outro amanhecer abaixo retratado foi captado anteontem. É bem mais simpático, apesar das olheiras.
Talvez tenha dado um "rolé" pela noite.
Notem que ele aflora de suas olheiras, e não da linha do horizonte.
E chega conduzido por cordas de nuvens, ou por rastros de aviões cuspidores de fumaça. Vem iluminado e simétrico em seus trilhos, simetrias em nuvens, lógicas naturais.
Havendo um criador, há de ser a natureza, que não apenas faz parir, mas também ensinar, acompanhar. Com ela é que guardamos imagem e semelhança, e não com criadores criados por nós.
Inventemos o que nos cabe inventar. O celular. O computador. A Ferrari. Deixemos o resto com a natureza. Ela é que ensina.
Não criemos deuses, pois não podemos tentar ensinar a nós mesmos sobre o que não sabemos. Não sejamos deuses de nós mesmos.
Bastaria que fôssemos honestos e mais unidos, mesmo que agrupados a seus afins, como os animais.
E, não sendo animais, deveríamos cooperar, já que temos capacidade intelectiva para tanto. Mas nem isso conseguimos.
Deveríamos simplesmente poder controlar as tendências primitivas inatas, lutar contra elas com a consciência e a lógica.
Isso porque, se por um lado somos pressionados por nossos impulsos atávicos, por outro "possuímos um tele-encéfalo altamente desenvolvido, o que, combinado com o polegar opositor, nos permite o movimento de pinça com os dedos."
Ilhas e flores. E as faces do amanhecer, semelhantes às nossas.
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