domingo, 9 de agosto de 2015

A VIRTUDE E A FRAQUEZA DA ESCURIDÃO



"Quem não souber povoar a sua solidão, também não conseguirá isolar-se entre a gente."

"Homem livre, tu sempre gostarás do mar."

"O público é, relativamente ao gênio, um relógio que se atrasa."

"Existem em todo o homem, a todo o momento, duas postulações simultâneas, uma a Deus, outra a Satanás. A invocação a Deus, ou espiritualidade, é um desejo de elevar-se; aquela a Satanás, ou animalidade, é uma alegria de precipitar-se no abismo."


Baudelaire








Não gosto de escrever de cueca. Gosto de escrever de calça preta ou camuflada. E de coturno. E com dois punhais sempre por perto, para afastar os monstros. 

Antes eles do que eu.

É por isso que "entre todos os piores, eu sou o melhor. Não gosto de ver ninguém morrer triste...", como disse o genial personagem Vela de Libra, interpretado pelo genial Marco Nanini, no açucarado e engraçado filme Lisbela e o Prisioneiro.


Jamais escrevo pelado.

Sinto-me vulnerável ao escrever nu ou de cueca. Deve ser o instinto inato, adquirido ao longo do ciclo evolutivo. Atávico. O mesmo que acontece quando estou de chinelos. 



Não gosto de chinelos, pois além de parecer displicente e vagabundo (despojados de envergadura moral), também são feios. O mesmo ocorre ao escrever. Nunca escrevo de chinelos. Serão escritos chinelões, chãos.






Como mencionei inicialmente, não gosto de escrever nu ou de cueca. São escritos nus apenas, seja lá o que isso possa significar. Exercitem suas criatividades. Ou quase. 

Que previsível este comentário, próprio daqueles que cultivam a superficialidade de si mesmos. 

Sou previsível apenas quando me convém, entretanto. Intencionais previsibilidades.

Desenvolvi uma frieza necessária, oposta à frieza que deriva da má formação de caráter, ou mesmo genética, e que é necessária quando se pretende combater a maldade, cuja frieza constitui arma de destaque em seu odioso delirante arsenal bélico. 

Vulgarmente, trata-se da famosa maldade, tão vulgar e desgraçada quanto ela mesma. Tão fraca quanto o conjunto da obra de quem a ostenta. 

Conjunto da obra, pois podem ser vistas também como as sementes do mal, arrasadoras em seus efeitos, quando se não as percebe. E isso é o mais comum, justamente em face do despreparo dos humanos em geral.

Não sabem de si mesmos e do mundo que as cerca. Dos outros é que não saberão, pois, na vida, fazem rastejar. Acredita-se eu em reencarnações e bobagens desse quilate (quimia), diria que ainda teriam que viver muitas vidas.

O grande problema vem a ser este, quanto a isso. Não sabem, incautos que são, cegos entre cegos, se debatendo e enlouquecendo juntos em seus teatros pérfidos, que possuem apenas esta chance. Se não souberem agora, nunca saberão.

Salvem suas existências, existindo dignamente. Persigam e pratiquem valores que sejam universais, não aqueles que derivam unicamente de suas mentes deturpadas, vazias, oprimidas e mal formatadas. 

Açoitem-se, mas melhorem. Usem o cilício até que alcancem uma condição interior mais aprimorada. A dor afasta o desejo sexual e e apressa o que se deve fazer para que dela fujamos.

Porque será que é tão impossível para o ser humano médio simplesmente fazer a coisa certa. O que é certo é intuitivo, por isso mesmo aquele que pratica maldade lança mão do instrumento da mentira com tanta naturalidade, tal qual respira.


"Um dia pretendo tentar descobrir porque é mais forte quem sabe mentir..."

Legião Urbana 

Quando não se tem as intenções daqueles que habitam as escuridões (pura e simples manifestação de fraqueza), ou seja, quando nascemos para conhecer, percorrer e cortejar a insanidade e a escuridão.

Sinto-me muito a vontade, contudo, na escuridão, no breu, na penumbra, habito o meu interior, pois nele não encontro monstro nem escuridões indecifráveis. Encontro a verdade e conforto.

Pessoas escuras por dentro é que costumam fugir da escuridão, pois estar dentro dela é uma tortura insuportável. Não entendem a escuridão pois, além de ser escura, não estão preparados. 

Normalmente procuram a luz fora, em ambientes e nos outros, pois escuros são por dentro. 

E não encontram, só pensam que encontraram, mas depois vem as mesmas e velhas decepções de sempre, daqueles que acabam na página dez. Já eu prefiro começar na página 40.

O ser humano é gregário. Eu não. Preciso estar longe de pessoas, normalmente, para me sentir bem.

Pessoas são vulgares, egoístas, rasas, fracas, cheias de atos falhos e preconceitos de toda natureza. 

São todos superficiais e incompletos em suas análises uniformes, lançadas em voz alta e convicta em churrascos bêbados em domingos, rodeados de familiares e agregados iguais, em ambientes onde a nobreza reside apenas nas aparências, quando muito.

Andei notando algo muito interessante sobre os humanos com o passar do tempo. No telefone, no wats, facebook ou em redes de relacionamento, normalmente todos os homens são o mesmo homem e todas as mulheres são a mesma mulher.

Todos falam, desejam e priorizam as mesmas bobagens convenientes, hábito bastante evidente ao analisarmos ovelhas e rebanhos.

Noto aqui um paradoxo, ou um quase paradoxo. Uma contradição ou uma quase contradição: entre a ignorância plácida e submissa das ovelhas e a escuridão venenosa e pérfida da maldade, pois a maldade é mais sábia que os rebanhos. 

Tão sábia quanto a maldade é a bondade. Mas as ovelhas vivem no limbo, sempre serão cegas quanto ao mundo e sua própria condição, pois sua vocação é seguir o cajado. E o rebanho.

"Em mundo de cego que tem um olho é rei", o lema do pastor. Em mundo de cego, há escuridão, surdez e mudez, o lema das ovelhas. A bondade tem dois olhos. Dois aguçados olhos. 

E uma espada, cuja lâmina é tão fria quanto a da maldade, só que mais malhada, e, por isso, mais forte e...mais estranha. 

Por isso mesmo é ambas, bondade e maldade, costumam andar armadas, e ficar pousadas nos telhados na penumbra da noite. 

Maldades são predadoras de ovelhas e bondades são predadoras de maldades. 

Esta é a minha cadeia alimentar preferida.



Pessoas fracas ficam deformadas quando pretendem teatralizar a nobreza que não possuem. A maldade treme e se revela diante da nobreza. Explicite-mo-la.

Falar em putas más e gigolôs bons é um conceito abstrato, pois putas não são más, e gigolôs não são bons. Mas se fossem, teríamos uma metáfora.

Ignorantes, como sói ocorrer, gostam de produzir som alto e inútil, além de enfiar este mesmo ruído no cu dos demais semelhantes. 

E SEMPRE...SEMPRE (isso é o que acaba irritando)......sempre ficam indignados quando recebem algum tipo de reclamação, por mais educada que esta possa vir a ser, entre outras diversas características bizarras da mesma linha.

Assim funcionam os bons suínos, não chega a ser surpresa, ainda que seja lamentável. 

Dome-mo-los. Açoite-mo-los. Evite-mo-los. Curre-mo-los. Eles mordem, além de fuçar e roncar (e viver na lama), como todo o bom porquinho.




























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