Escrever o que...
Quem disse que para escrever precisamos ter alguma ideia.
Isso é um conceito, digamos, careta, obtuso, pobre, do que seja escrever, ou então peguemos as réguas, esquadros, tabelas e vamos a luta, atrás de escritos duros, todos sempre iguais, pois formatados para cortejar simplesmente o politicamente correto.
Todos os caminhos conduzem a Roma. Se boçais não formos, apenas bocejamos e procuramos algo mais empolgante do que o simplesmente previsível.
Escrever é apenas escrever. Começa com uma frase. Depois vem a outra, carregada de elementos que conduziriam a uma terceira e assim sucessivamente.
Planejar é bom. Se não formos politicamente corretos.
Deixar os dedos correrem, como o pianista também é bom.
Se não estivermos comprometidos com nada além da verdade que elegemos, a qual, por seu turno, poderá convergir, aqui e ali, com verdades já existentes, sejam elas dogmáticas ou não.
Aliás, as pessoas não deveriam eleger, em nenhum departamento da sua vida, ainda mais em se tratando dos departamentos com estruturas complexas, os dogmas como sendo os fatores predominantes de entendimento.
Dogmas normalmente são próprios de insanos, ainda que estes não venham a se reconhecer como tais.
Mas este é um tema para outro escrito.
Voltemos aos temas aqui debatidos, que são todos, e nenhum, mas pelo menos os dedos dançam no teclado, acentuando as minhas lesões por esforço repetitivo, diga-se de passagem.
Assim como ocorre em vários grandes filmes, como "Relatos Selvagens", a escrita não precisa acompanhar necessariamente um cronograma. Pode apenas ser, como no caso presente, onde não há ponto de partida nem objetivo.
As vezes escrevemos pelo prazer de escrever, como os italianos que parlam per le piacere di parlare, ou algo assim.
Não há comprometimento com nada, não pretende ser lido ou aceito. Apenas ser, nem que se perca como a lágrima na chuva do "Blade Runner".
Escrever é escrever, como disse um famoso norte-americano recentemente falecido, cujo nome não olharei agora.
Vários são os rituais que se nos incorporam ao longo da existência.
Não costumo cozinhar ou escrever sem varrer todo o ambiente no entorno, bem como organizar cada item visível em seu lugar, sempre sendo minimalista no aspecto assim chamado "decoração", o que também poderia ser chamado, na maioria das vezes, de conjunto de adornos inúteis.
Na sua maioria com características relacionadas a crenças místicas de toda a ordem, como os famosos elefantes de bunda virada para a porta e bobagens do gênero.
Os "sofisticados" acham que mandalas gigantes na parede seria mais apropriado que um cisne azul, laranja e dourado.
Para a maioria viver mais é apenas ter passado mais anos sendo a mesma coisa. Para outros pode ser uma espécie de mágica.
Não tentarei explicar, até mesmo porque sei muito bem o que é não poder compreender isso.
É algo por demais abstrato, pouco táctil se não estivermos vivos o tempo suficiente, por mais piegas que isso possa parecer, assim como a vetusta palavra "piegas" e a pouco lembrada palavra "vetusto".
Tratam-se apenas de etapas de conhecimento, como degraus, todos são necessários para que se alcance algo além do que meramente rastejar na existência. Podem até mesmo vir a ser super-poderes.
Se eu fosse um super-herói, sempre seria um anti-herói, como o antropofágico Macunaíma.
Não há como falar em Macunaíma e anti-herói, sem que a mente não traga à tona a figura do Grande Otelo.
Mas em termos de anti-heróis o que me identifico mesmo é o Megamente. Genial ele.
Mas em termos de anti-heróis o que me identifico mesmo é o Megamente. Genial ele.
Pelo menos a parte da minha mente que está conectada aos impulsos que experimento no tempo em que estou vivo e arredores, o máximo de arredores que consigo.
Não pretendo me apegar ao tempo de maneira provinciana, pois grande parte da minha mente é composta de impulsos meramente instintivos, atávicos, inconscientes etc., de modo que ao mesmo tempo em que experienciamos a mera realidade, esta é processada pelo cérebro como um caleidoscópio o faria.
"Um caleidoscópio ou calidoscópio é um aparelho óptico formado por um pequeno tubo de cartão ou de metal, com pequenos fragmentos de vidro colorido, que, através do reflexo da luz exterior em pequenos espelhos inclinados, apresentam, a cada movimento, combinações variadas e agradáveis de efeito visual."
Aliás, deveríamos nos esforçar para que, de maneira consciente, conseguíssemos incentivar essa tendência caleidoscópica da mente, que viaja por vários tempos, tempos que estão em nossos genes, e processa diversos fragmentos de diversos tempos, e os conjuga a partir de uma lógica maior e da lógica de cada indivíduo em menor escala, mas o suficiente para destruir o lado bom.
Esforce-mo-nos para que não venhamos a ter uma lógica suína em relação aos fatos da vida, pois as imagens do caleidoscópio podem ser virtuosas ou escabrosas.
Pois o caleidoscópio mental, segundo minhas impressões, funciona para conjugar não só elementos internos já incorporados ou incorporados ao longo das experiências cotidianas, senão que também serve como antena para captar vibrações para as quais devemos estar atentos, seja para incorporá-las ou rejeitá-las.
Devemos estar atentos, pois de alguma maneira, provavelmente em face de lógicas e ondas elétricas, determinado conteúdo foi trazido até nós, de modo que devemos perquirir acerca de seu significado.
No caso, entenda-se que os conteúdos existem e estão rolando por aí, seja em que mídia for.
Curioso mesmo é quando começam a se formar os padrões auditivos ou visuais, quando determinadas informações começam a se repetir em curto lapso de tempo, como fora um aviso.
Assim, quando menciono as ondas elétricas, não me refiro ao fato de que fatos e notícias existem.
Atenho-me à repetição de fatos excepcionais em curto lapso temporal. Não se está a tratar daqueles objetos de mídia que estão sempre em destaque. Cumpre advertir que referi-mo-nos aos excepcionais e que se repetem em 24 ou 48 ou 72 horas.
Pois, no que diz especificamente com este alcance caleidoscópico para fatos externos, causou-me espécie a quantidade de vezes que o termo quimera foi ouvido por mim no dia de ontem, seja em documentários de TV, seja no rádio, ou alguma leitura rápida.
Mais especificamente, em menos de 24h ouvi a palavra "quimera" em um programa de rádio da Jovem Pan, em um documentário do Discovery Channel e uma música da Elis Regina que tocou fortuitamente ao meu redor em algum momento do dia - Fascinação...ótima.
São as sincronicidades de Jüng, imagino, que tanto me causam interesse.
Vejamos, pois, os diversos significados que pode ter a palavra "quimera":
O que é Quimera:
Quimera pode ter diversos significados, depende como é empregada.
Quimera pode ser um peixe, uma figura mítica, um fenômeno genético, entre outras coisas.
Quimera é um peixe cartilaginoso que vive em águas profundas em todos os mares, é um peixe pouco comum e são relacionados com os tubarões e as raias. Existem cerca de 30 espécies no mundo, todas marinhas, sendo que a maioria vive nas profundezas.
Quimera também um substantivo feminino que indica uma esperança ou sonho que não é possível alcançar, uma utopia. Por esse motivo, alguns sinônimos para quimera são: devaneio; fantasia; ficção; imaginação.
Quimera na mitologia grega:
Quimera também é uma figura mítica caracterizada por uma aparência híbrida de dois ou mais animais e com capacidade de lançar fogo pelas narinas, é uma fera ou besta característica da mitologia grega.
A quimera pode ter cabeça e corpo de leão, com outras duas cabeças, uma de cabra e outra de serpente; cabeça e corpo de leão, com outras duas cabeças, uma de cabra e outra de dragão; duas cabeças ou até mesmo uma cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente.
Quimera na genética
Quimera também pode ser o nome de um animal que tem duas ou mais populações de células geneticamente distintas que teve origem em diferentes zigotos; é rara em seres humanos: registaram-se apenas 40. No caso do ser humano, é também conhecido como uma quimera tetragamética.
Este é o caso de uma pessoa com dois tipos de célula, que são diferentes a nível genético. Isto acontece quando um ser humano tem origem em dois indivíduos, gêmeos não idênticos, que uniram de forma perfeita ainda no útero da mãe, quando estavam na fase embrionária."
Bem, considerando os conceitos acima declinados, e procurando razões para que a palavra "quimera" haja assaltado o meu cotidiano, em um primeiro momento posso me identificar com os termos devaneio, fantasia, ficção e imaginação supra referidos.
Identificação em um sentido menos vulgar do aquele que eu não desejaria para mim.
Trocando em miúdos - no sentido bom, tendo em vista que logo pensei em devaneios noturnos que se traduzem em escritos, cuja finalidade nunca soube precisar muito bem.
São e apenas são, senão não seriam.
Identifico-me, mais, entretanto, é com o conceito de "quimera" aplicado no vasto campo do estudo da psiquiatria.
Assim, o que me deixou mesmo curioso foram as acepções psiquiátricas que pudessem envolver a terminologia "quimera".
Vejamos:
Vejamos:
"Mas esta figura mitológica ou ideia mágica veio mais tarde a baptizar algumas situações da vida real em qualquer um dos 3 corpos essenciais da nossa existência.
Mais do que uma vez áreas da psicologia/psiquiatria utilizaram a ideia figurativa e fantasiosa da quimera para catalogar comportamentos humanos, tendo em Freud um excelente exemplo do uso desta ideia inclusive quando nos caracteriza sexualmente como quimeras que são ternas e agressivas ao mesmo tempo e no mesmo segundo."
Uma vez mais a conceituação envolvendo o termo "quimera" se amolda a questões que envolveriam a minha personalidade. Digo envolveriam para não gerar maiores ilações, mas diria - envolvem.
Mais especificamente no que diz com o fato de Freud nos caracterizar sexualmente como quimeras em termos sexuais, no sentido de que seríamos ternas e agressivos ao mesmo tempo, o que pode perfeitamente ser ampliado á própria personalidade do indivíduo como um todo.
E pesquisando estas "quimeras", por fim, deparo-me com curiosos conceitos de diversas áreas do feérico e criativo conhecimento humano, até mesmo umas tais de quimeras energéticas, ou Agnis, cuja conceituação e aspectos curiosos transcrevo abaixo, pois, apesar de não crer nesta mística, traz algumas nuances que, coincidentemente ou não, combinam comigo, principalmente a parte final.
Meu lençol está com cheiro de circo. Aquele cheiro de serragem com elefante e terra úmida.
Meu lençol está com cheiro de circo. Aquele cheiro de serragem com elefante e terra úmida.
Enfim, fica como um curioso e inusitado complemento, para finalizar este longo, caleidoscópico e "devaneante" escrito:
"Na vida do dia-a-dia estas quimeras energéticas ou Agnis passam por um mau bocado, são dotadas de uma capacidade de auto-adoração e auto-destruição simultânea, constantemente lutam consigo mesmas à procura de quem são no íntimo mas tendo a plena consciência desta dualidade… sentindo que sofrem por um problema a dobrar pois sofrem no desenrolar deste e após a resolução do mesmo por este não estar inscrito em ambos os registos energéticos.Decidi abordar este tema porque muitas vezes estes indivíduos são alvos de mentes menos desenvolvidas e alarmistas que dão mau uso ao seu próprio dom misturando-o com fábulas e contos do fantástico. É normal os Agnis serem perseguidos por pessoas que lhes afirmam ver ‘encostos’, seres malignos, ‘amarrações’ e outros nomes que só de escrever dá comichão. Como costumo dizer quanto aos médicos, aos bruxos e aos amigos: se não gostas do que ouviste procura segunda opinião!Este é um tema deveras complicado de tratar devido à sua raridade e particularidades especiais. Por outro lado a quase inexistência de dados sobre estes casos no domínio público leva-nos muitas vezes a ponderar se além de o nome ser mítico não será também a sua existência um outro mito?Não! (eu conheço dois casos entre os meus pacientes destes anos de trabalho)São seres deliciosos mas extremamente difíceis de tratar e de lidar por estarem em constante descrédito do mundo, de si próprios, em constante sensação de sofrimento e com uma tendência para construirem traumas psicológicos com facilidade."
Caleidoscópios e Quimeras logo me trouxe à mente os Cronópios e Famas, de Cortázar.
Questão de sonoridades, assim como os Apocalípticos e Integrados de Umberto Eco, segundo o qual os Apocalípticos são aqueles que condenam os meios de comunicação de massa, e Integrados os que os absolvem.
Tema para outro escrito, como dizia o Silvio Santos ao final das estorinhas infantis dos disquinhos coloridos de vinil que ouvíamos atentamente eu e meu irmão quando éramos crianças.
Sim, o Silvio Santos já foi locutor de estorinhas infantis em disquinhos de vinil. Sempre com aquela porra daquele microfone dependurado.
E assim, entre quimeras e caleidoscópios, escritos e devaneios, e talvez utopias, monstros, peixes míticos e ficções, fico abastecido de elementos e preparado para adentrar um mundo bem mais denso ainda: o mundo onírico, para o qual ora me encaminho, com entusiasmo, cautela e uma certa ansiedade eufórica.
Questão de sonoridades, assim como os Apocalípticos e Integrados de Umberto Eco, segundo o qual os Apocalípticos são aqueles que condenam os meios de comunicação de massa, e Integrados os que os absolvem.
Tema para outro escrito, como dizia o Silvio Santos ao final das estorinhas infantis dos disquinhos coloridos de vinil que ouvíamos atentamente eu e meu irmão quando éramos crianças.
Sim, o Silvio Santos já foi locutor de estorinhas infantis em disquinhos de vinil. Sempre com aquela porra daquele microfone dependurado.
E assim, entre quimeras e caleidoscópios, escritos e devaneios, e talvez utopias, monstros, peixes míticos e ficções, fico abastecido de elementos e preparado para adentrar um mundo bem mais denso ainda: o mundo onírico, para o qual ora me encaminho, com entusiasmo, cautela e uma certa ansiedade eufórica.
Ali ficarei preso por algumas horas, e o inconsciente fará o que quiser comigo.






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