segunda-feira, 10 de agosto de 2015

AO SÉRGIO........"FATHER........YES SON......I WANT TO KILL (LOVE) YOU".........WITHOUT OFFERS







O meu nome não é Johnny. Nem Édipo. É Rogério Valdez Pereira. E não sou psicopata.

Digo isso pois, ao contrário do que tentam me ensinar os mitos gregos e o Freud, no que diz com Laio, Jocasta e Édipo, não quero comer a minha mãe nem matar o meu pai. 

Pelo contrário, se tivesse que comer a minha mãe eu vomitaria, gritaria e teria um colapso nervoso, uma síncope (nãocope). 

E se tivesse que matar o meu pai, matar-me-ia antes. A não ser que o meu espírito tivesse sido aprisionado pela insanidade desatinada e homicida.

Acho surreais e patéticas as datas comemorativas que os humanos criam envolvendo a oferta de homenagens traduzidas em bens materiais.

Tais datas são devidamente incentivadas e impulsionadas por asquerosos lobs das grandes corporações e proprietários de estabelecimentos comerciais, que sempre manipularam e corromperam políticos e nações. 

E indivíduos, ovelhas que são. E empreiteiras. E tudo. Até cães, pois vários deles vendem as suas imagens para marcas de ração vagabundas, ordinariamente compostas.

Só não corrompem os animais. Fazem pior - maltratam-nos e provocam a sua extinção.

Assim como fazem os governos. Assim como fazemos nós. Filhos sempre semelhantes ao Pai.

Isso porque tais datas são criadas com base em motivações comoventemente financeiras e hipocritamente boazinhas, visando apenas e tão-somente o lucro.

Ainda bem que o meu pai conseguiu obter melhores resultados comigo, sendo, pois, um genitor bastante competente. Nem todos têm a mesma sorte. Pena de nós.

Por isso mesmo não costumo ficar publicando mensagens cretinas, uniformes, no assim chamado dia dos pais.

Existe, contudo, um apelo cultural, de modos que ontem liguei para o meu pai, não esquecendo de lembrar para ele que o admiro, pois é melhor que falemos tudo o que houver para falar enquanto continuamos caminhando juntos, pois, daqui há muitos e muitos e muitos anos não estaremos mais juntos.

Não apenas ele vai embora, mas eu também. Pena não ficarmos sempre juntos. Mas está sempre presente em meus pensamentos e meus afetos.

Bem, dito isso, as corporações e comerciantes que vão se fuder. Prefiro falar sobre a homenagem ao pai.

Então, se fosse o caso de fazer uma homenagem com dia marcado, e sem caráter de oferenda material, como deveria ser, ofereceria ao meu pai, o Sérgio, duas cenas fantásticas do filme Invasões Bárbaras, do prodigioso diretor canadense Denis Arcand.

São cenas lindas.

Trata-se de um vídeo enviado ao pai por uma filha que trabalhava embarcada, viajando pelos oceanos, como despedida já que aquele estava com uma enfermidade terminal, e havia optado pela eutanásia, no caso, com o uso de tranquilizantes e heroína.

Heroína, aliás, que acabou sendo a maior benção deste pai durante a sua doença, pois era o que o aliviava e tornava ludicamente criativo.

A outra cena é muito interessante no que diz com o aspecto relacionado a questões surgidas ao longo da vida em comum, e que pudessem eventualmente não ter ficado resolvidas, e que poderiam ser superadas se não forem radicais. 

O filme é incrível, e não incorre naqueles clichês de tristeza e melancolia exacerbadas, como ocorreu no caso do Philadelfia, embora seja um bom filme no todo.

Assim, embora tenha sido enviada a mensagem por uma filha ao pai, evidentemente o que importa é a essência da homenagem, e a beleza da cena, que sempre me chamou muito a atenção, e nunca mais deixou de estar viva e bem acessível em minha memória, bem como a outra cena abaixo.

Uma delas apenas no idioma francês, mas não só ele entende, como já viu o filme. Aliás, vi o filme por recomendação dele.

Mas mesmo assim, segue um trecho da cena:

Meu papai, meu papai.../Sentirei sua falta por toda minha vida/Sou uma mulher feliz encontrei o meu lugar/Não sei como fez, mas conseguiu me transmitir seu apetite pela vida./Você e a mamãe fizeram filhos muito fortes/Acho que é um milagre/Sabe, o primeiro homem na vida de uma garota é seu pai/Para mim, você sempre será.../Acaba olhando para o mar.


Pois afinal, nossos pais "são crianças como você. O que você vai ser quando você crescer..."

Legião























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