sexta-feira, 14 de agosto de 2015

MUITO SOBRE NADA. NADA SOBRE MUITO. E MAIS. DO MESMO.







Reminiscências...fatos "fractos"...lembro que a minha mãe às vezes chamava a gente pelo termo "fanchão. Fui pesquisar.

"Significado de Fanchono
s.m. Pej. Indivíduo do sexo masculino que mantém relações sexuais ou afetivas com outros homens.(Etm. provavelmente do italiano: fanciullo)"

Deve ser pela mesma razão que o meu avô chamava a gente de pederastas. Ele punha medalhas explosivas em cima das mesas. Sabia sobre a natural curiosidade das crianças. 

A gente pegava a medalha, acionava a espoleta. A gente se assustava e os outros riam. 

Certa feita levei um choque ao abrir um álbum de fotos. Ainda bem que tinha sete vidas.



                               ********************************************


Pois hoje a cama está com cheiro de jornal. 

Se é que se pode chamar o Correio do povo de Jornal. Saudoso Caldas Junior e sua TV2 Guaíba.

Jornal tem cheiro de jornal desde que me conheço por gente. Assim como o café. E a alfazema e o cravo. 

Ok, retiro a alfazema e o cravo, ficou um pouco estranho, suave demais eu diria.

Meio molhado, como aqueles meio mal embalados que eram jogados (e ainda são, não para mim, em virtude de questões meramente digitais).

Isso porque interessou-me particularmente (partícula) uma matéria informando que foram encontrados indícios de que Shakespeare era maconheiro. 

Então adquiri um exemplar do informativo diário impresso de grande circulação, até mesmo por isso consegue sobreviver. Sobreviver, nesse caso, é o termo.

Cachimbos com vestígios da apontada planta foram desenterrados ao redor de sua antiga casa, hoje ponto de visitação turística.

Bem-vindo ao clube bro!

Fumar ou não fumar, eis a questão. (liberar ou não liberar).

Pois aí vai uma homenagem ao aspirante egresso, Shakespeare. "Mano", isso ficou genial mesmo...tu devia estar numa boa quando escreveu...merece:

Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.



                        *****************************     


Não sou pastor evangélico pela mesma razão que não sou corretor imobiliário, político, gigolô, operador no ramo de carros usados (picão, ou picareta) ou cantor de sertanejo universitário, até mesmo para não correr o risco de ficar com a voz da Joelma.

Poderia desempenhar bem todos estes papéis, imagino, contudo, faltam dois requisitos - portar um tele-encéfalo assombrado pela insanidade das boas friezas teatrais, e estômago.


                         **************************** 


Quando sonhei que era uma pulga, percebi que aqueles saltos apenas são possíveis porque segundo a percepção deste ser, tudo acontece em câmera lenta. Como quando nos acidentamos. Ou levamos um murro nos beiços.



                        **************************************



" --- E a norminha, hein..."

Sempre tem uma Norminha.

Perguntou uma senhora à outra na fila do caixa eletrônico. Estava eu atrás delas. Daí a conversa continuou como a gente sabe que estas coisas continuam.

Uma disse para a outra que achava que ela tinha "baixado com pontada", daí a outra exclamou-se e disse algo religioso recordando rapidamente que a mãe da dita Norminha havia morrido do mesmo jeito, ambas com um aspecto de tragédia nos rostos, e tornando a falar algo. 

Elas têm um cheiro bastante peculiar, algo entre o perfume de papel higiênico e o desânimo, se o desânimo tivesse odores. 

Pintadas ficam com aspectos de bonecas de filmes de terror, mau resgatando seus passados vazios que se transformaram em cascas vulneráveis.

Daí elas começaram a falar em novena...

"Sentadas são tão engraçadas, donas de suas salas."




                                 ******************************************




E por incrível que pareça, o Benito di Paula ainda está vivo. E ainda parece como ele mesmo, como nas minhas recordações do Globo de Ouro. Acho estranho esse rapaz.

Benito di Paula, aliás, lembra o ator principal do excelente filme Clube de Compras Dallas. E vice-versa. O mesmo que roubou a cena no Lobo de Wall Street.

























Nenhum comentário:

Postar um comentário