segunda-feira, 13 de julho de 2015

RELÂMPAGOS, TROVÕES E NEURALIZADORES



Beira-Mar, Atlântida Sul, 14.07.2015. Entre 01h00m e 01h45m. Lá estava eu, postado, e, depois, postando. Trocadilho idiota. Esperando a sorte, que acompanha aos que ousam. 

Na mão, um tanto gelada, segurava o dispositivo que permitia congelar imagens. Mãos e imagens congeladas. Frigobar eletrônico, pois não se está a tratar de uma Brastemp (homenagem aos jargões que acabam gravados, gostemos ou não...homenagem, pois, à competência da peça publicitária, algo técnico, apenas isso).

Bem que ouvi mais cedo, não só em comunidades do Wats, mas também no rádio, que esta noite seria pródiga em relâmpagos.

Gosto destas noites meio sinistras, cheias de raios, chuvas e relâmpagos. Contudo, sempre torço para que não falte luz.

Prefiro, então, apagar as luzes e acender uma vela para fingir que faltou a energia. Isso porque é sempre bom poder ligar o computador se quiser, ou mesmo usar a internet via rádio.

Registrei algumas imagens deste formidável fenômeno natural ali na sacada.

Descobri que tentar capturar relâmpagos tende a viciar, não conseguia sair da sacada, mesmo quando achava que havia capturado o grande momento. Repito: mais de 750 fotos.

A explicação deve ter conexão com o fato de que sentia uma imensa satisfação quando, em meio a todos aqueles cliques, conseguia finalmente capturar o "momentum". É uma sensação indescritível de prazer, comparável a comer um bom pastel. 

Então eu queria de novo...e de novo...chegava a entrar em casa, mas ficava pensando e quando via estava lá de novo. Até que dei um berro, me olhei no espelho desfigurado, e cessei com a atividade. Estava me perdendo, balbuciando coisas sem sentido.

Estou em abstinência.

Qualquer dia serei internado em uma clínica especializada na recuperação de viciados em fotografar relâmpagos e eventos desta natureza. 

Começarei então a comer pilhas e escovas de cabelo, como o meu caro Rafael Ilha, aquele ser indefinido, que parece uma criança viciada em drogas e pequenos furtos. Eternamente em estado infantil de ego.

Não imaginava que fosse tão difícil registrar o "momentum lux supremum", nome que tive a oportunidade de conferir ao que denomino como auge do relâmpago mesmo que apenas em luz, o que se tentava registrar com este rudimentar aparato de captar e congelar imagens no tempo.

Digo que tive a oportunidade de pensar neste nome, tendo em vista o tempo que fiquei na sacada tentando capturar as imagens. 

Foram mais de 750 fotos, e, dentre elas, selecionei apenas 06...que dureza. Mas assim são as coisas, até com os fotógrafos da Playboy. Não é tão ruim.

Achei prudente interromper a sessão fotográfica quando tive a nítida impressão de ter visto um rosto emergir daquelas luzes e nuvens, o que foi imediatamente confirmado. Algo parecido com o "Megamente". Foi só o que lembrei. Sorry.

A foto segue anexada abaixo. Impressionante.

Nesta manhã devo procurar algum órgão do Governo responsável por este tipo de assunto. 

Vão gravar as estórias, confiscar as imagens, apagar os registros de internet e usar o neuralizador básico, de modo que esquecerei tudo o que vi. Nunca mais ouviremos falar no assunto.

Vai virar uma pasta perdida no departamento secreto de "Arquivos Confidenciais", com um carimbo "TOP SECRET".








































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