segunda-feira, 27 de julho de 2015

INVASÕES BÁRBARAS





"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"

Martin Niemöller


Martin Niemöller (Lippstadt, 14 de janeiro de 1892 - Wiesbaden, 6 de março de 1894) foi um pastor luterano alemão. Em 1966 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz. Desde. Desde a década de 1980, tornou-se conhecido pela sua adaptação de um poema de Vladimir Maiakovski, "Quando os Nazistas Vieram Atrás dos Comunistas".



Sim, o Estado Islâmico existe, sendo mera confirmação de uma lógica que desde há muito nos acompanha, e que termina por apenas confirmar a lógica de nossas inatas tendências, as quais as vezes se manifestam em ciclos com maior duração, e, por isso mesmo, imperceptíveis para os incautos.

Trata-se de mais uma exteriorização cíclica daquilo que convencionamos denominar "Invasões Bárbaras".

As invasões bárbaras são cíclicas, e sempre acompanharam a caminhada do ser humano pela terra, de modo que, desde logo, devem ser tidas como "normais", ainda que indesejadas.

Aqui, o conceito de indesejadas evidente e automaticamente se relativiza, uma vez que, se são fenômenos normais, são indesejados apenas pela chatice que acabam por provocar. 

Contudo, sendo estes normais, ao que tudo indica, parecem fazer parte de uma ordem de coisas que deve ser assim para que haja renovação e melhora em tempos futuros, devendo, pois, e estranhamente, ser desejados.

Basta ver o exemplo dos incêndios florestais que ocorrem sem qualquer intervenção humana. 

Desde há muito a ciência já nos explicou que tais fenômenos são úteis, e fazem parte da imprescindível renovação, a qual acaba por se justificar, ao verificarmos os seus efeitos a médio e longo prazo.

Evidentemente não estamos a tratar daquelas odiosas e permitidas queimadas, praticadas por ogros irresponsáveis e insanos, que tanto prejudicam o meio ambiente e contra os quais nada é feito, apesar de existirem leis. 

Incompetentes nós, que fazemos  leis e não conseguimos efetivá-las. patética raça.

Sim, milhares de vidas são perdidas nos incêndios provocados por causas naturais, mas algo insiste em querer nos ensinar que depois tudo vai ser melhor e que tal renovação era necessária.

Correto, também concordo que a lógica da natureza não precisaria passar necessariamente por estes ciclos, contudo, apenas devemos admitir que esta é a lógica, e, não tendo sido nós quem a criou, melhor adaptarmo-nos do que tentar infrutiferamente alterá-la.

O termo Invasões Bárbaras surgiu justamente para denominar o fenômeno relacionado à lenta e constante penetração de povos bárbaros que habitavam além das fronteiras do Império Romano, no território romano, o que, conjugado a fatores políticos e à disseminação do Cristianismo, conduziu ao seu declínio.

Esta ideia, aliás, se conecta com uma que há anos defendo - todo o sistema acaba sendo, mais cedo ou mais tarde, acometido por alguma moléstia, ou algum tipo de agente patológico.

Exemplo disso não só o fenômeno humano, mas o trânsito e aqueles que ali estão por dinheiro, o vírus para o software, o câncer para o corpo, etc.

Como no caso das doenças e bárbaros, devemos saber lidar com os seres que compõem essa organização terrorista denominada Estado Islâmico.

Assim como naquela época, e em todos os ciclos, saberemos ultrapassar mais esta invasão enquanto humanidade, pois o Império Romano, infelizmente (ou não), acabou ruindo. Não salvaremos tudo, salvaremos a essência.

Muitas vidas serão ceifadas de maneira brutal e injusta. Muitas obras de arte serão sumaria e estupidamente destruídas. Muitas comunidades deixarão de existir. Contudo, será preservada a essência.

Estas "pragas" talvez sejam necessárias para que nos demos conta de que, em vários aspectos, estamos abusando, como é o caso da destruição de nossos recursos naturais, ou mesmo aniquilação de outros povos em face da salvageria desenfreada provocada pela fome por dinheiro e recursos. 

Isso porque, ao analisarmos a ocorrência de tais ciclos, verificaremos que estes tendem a eclodir nos tempos em que grandes potências perdem a noção de sua utilidade para outros povos, e passam a concentrar-se em si mesmos e suas possibilidades de aniquilar outros povos.

O Império Romano e mesmo os EUA e o 3º Reich podem ser elencados como exemplos. Os bárbaros, pois, simplesmente fazem parte de um necessário sistema de freios e contra-pesos tendente a equilibrar as relações entre os humanos.

Veja-se que os bárbaros das invasões de Roma tratavam-se apenas de povos que acabaram marginalizados pelo Império, e habitavam as suas fronteiras. As desigualdades verificadas e as injustiças eram enormes. 

O mesmo ocorre com os bárbaros dos EUA e assim por diante. Os EUA quiseram se expandir demais, e passaram por cima de muita gente para isso. Agora é o tempo de seu declínio, pois as invasões ainda estão ocorrendo. O equilíbrio deve retornar.

Não há santos nessa ordem de fatores. 

Sim, os seres que compõem o Estado Islâmico são vermes, mas são o subproduto de nosso egoísmo apenas, tornando-se necessários ao reequilíbrio.

Façamos de tudo, entretanto, para que tais ciclos se repitam o menor número de vezes possível, pois em uma de suas próximas investidas podem os bárbaros conseguirem atacar com armas de destruição em massa, momento em que a brincadeira e a lógica dos ciclos perderia completamente a graça.

Sequer poderia eu tentar escrever sobre esta nova lógica vigente, traduzida, em resumo, na quebra da noção de ciclos e criação de uma nova e radical noção de quebra total, porque teria partido junto com a humanidade. 

Pensando bem, nem seriam mais necessários os escritos.

Uma das razões que me fez pensar em Estado Islâmico nesta noite, foi o fato de que gosto de escrever à luz de velas (amarelas), de modo que, refletindo sobre o seu primitivismo existencial, imaginei que vários de seus componentes vivem à luz de velas tanto em termos cotidianos como em suas mentes.

Pensei em Idade Média também, escuridões.

Lembrei deste odioso grupo de bárbaros, também, porque ouvi no rádio mais uma das sórdidas formas com que estes ratos procuram a atenção do mundo, como aquelas que já ouvimos noutros dias, como explodir locais públicos e destruir obras de arte.

Pois agora os fanáticos necessários estão arremessando homossexuais de prédios, tal qual fazia a asquerosa ditadura (redundante) Argentina quando atirava os seus opositores de aviões em pleno voo. Esta prática foi imitada por nós, como sói ocorrer.

Isso não surpreende, quando se sabe que bárbaros sempre se caracterizaram pela exposição de atos aberrantes e clavas ao apresentar aos demais povos os seus hábitos macabros.

Ora, pela lógica isso até faz parte da estratégia. Eu faria o mesmo.

O que surpreende mesmo é a demora que temos em reagir, enquanto humanidade, que é só o que somos. Por isso mesmo lembrei de citar a ideia que inaugura este escrito.

Voltaram-se os bárbaros contra os  EUA e eles estavam sozinhos, assim como desamparadas estão as comunidades todos os dias assoladas pelas atrocidades de mais este grupo de bárbaros que nossa história nos apresenta.

E estão sozinhos pelas mesmas razões, ainda que não pareça. 

Estão sozinhos, assim como a Inglaterra porque insistem em tentar manter isolamento com relação aos demais povos, principalmente em termos culturais e religiosos.

Tanto americanos quanto povos muçulmanos mais radicais possuem esta tendência de maneira bastante exacerbada.

O que devemos fazer...

Devemos aguardar que a ordem de coisas se restabeleça pois, como dito, são os ciclos, e sobre esta ocorrência não temos controle, pois o controle seria a paz entre os povos e a igualdade. 

Ocorre que isso não está em nossos genes, portanto pulemos esta parte e procuremos caminhos realistas.

Quanto a coibir a ocorrência dos atos de barbárie, sim acho que devem ser contidos com veemência, o que, infelizmente, não impede que ocorram durante algum tempo. É a paga por nossas mazelas.

Imagino que, por mais que se trate de um ciclo natural de acontecimentos, poderiam os povos ser mais solidários ao natural uns com os outros, até para que apenas uma nação não acabe virando alvo.

É como quando o Ministério Público opta por não pessoalizar denuncias com grande repercussão em termos de gravidade, para que algum membro em específico não acabe virando o alvo da ira de quem está sendo denunciado.

Não digo que devamos apoiar os EUA, pois o que esta nação pratica não é a ideia cretina de "polícia do mundo", senão que apenas é movidos por interesses econômicos que se equiparam ao fenômeno da colonização.

Fala-se em algum tipo de união verdadeira e sólida como objetivou a ONU, mas se perdeu pois deixou vingar a lógica dos dominantes, de modo que tudo ficou como estava. Passou a ser um adorno.

Este grupo radical de que se trata seria inevitavelmente pulverizado, pois não teria condição de expansão, e não aguentaria as pressões internas e externas e mesmo de seus próprios membros. 

Não seguem a lógica do equilíbrio, e o equilíbrio sempre reivindica a sua lógica, nem que para isso precise eliminar o próprio Planeta. 

Não se pode negar a lógica de tal equilíbrio, quando do outro lado a lógica universal tiver de enfrentar força com a mesma capacidade. O nada é um equilíbrio. Há 1 e há -1. Nada reside entre eles.

Apressemos, pois, o seu desaparecimento, mas assimilemos as lições derivadas dos acontecimentos, pois se existe o Estado Islâmico é porque ainda não conseguimos acertar como humanidade. 

Acho que o Universo está perdendo a paciência.

Isso prova uma vez mais que o Inferno somos nós mesmos.

E o pessoal interessado no tamanho da circunferência abdominal e idiotas da novela idiota.

As únicas invasões bárbaras que me agradam são aquelas propostas no belo filme "Invasões Bárbaras", de Denis Arcand, genial diretor canadense que há anos acompanho, desde o excelente "Jesus de Montreal", e mesmo o formidável "Declínio do Império Americano".

Aliás, "O Declínio do Império Americano" vem a ser justamente uma sequência do filme "Invasões Bárbaras", tendo sido este último realizado vários anos depois, e com os mesmos atores bem mais velhos, uma ótima proposta do prodigioso Diretor canadense Denis Arcand.

Voltemo-nos, pois, contra as invasões bárbaras sem olvidar das Invasões Bárbaras de Arcand, e sem olvidar das lições que teremos que repetir se não aprendermos de uma vez por todas a não pisotear o próximo para alcançar os nossos objetivos.

Os índios que o digam. Para eles somos apenas bárbaros. Somos o Estado Islâmico. A mesma impressão que os animais têm de nós. E a mesma impressão que temos de nós mesmos ao enxergar um ao outro na rua.

A cada ciclo a tecnologia da destruição está mais acessível aos bárbaros. Apresse-mo-nos em melhorar, pois.






























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