Dores alheias só comovem aos anjos. Negros.
Quando parecemos condoídos em relação a terceiros, não estamos exatamente comovidos com a dor que não é a nossa.
Queremos é que fique no outro. Antes ele do que eu, pensam.
Há um alívio misturado com perplexidade e medo. Pena de si mesmo. De sua evidente decadência, onde cada vez os espelhos tornam-se menos amigos.
Estamos é com receio de que a do outro chegue finalmente até nós.
A perda não é lamentada em face do outro, e sim quanto às próprias carências, o medo de ficar sem pares. A solidão que se avizinha, devagar e sempre.
A solidão que sempre sentimos, pois afinal estamos presos entre costelas. Solidão e certeza de que vai partir também. Será que está preparado...
Queremos é que fique no outro. Antes ele do que eu, pensam.
Há um alívio misturado com perplexidade e medo. Pena de si mesmo. De sua evidente decadência, onde cada vez os espelhos tornam-se menos amigos.
Estamos é com receio de que a do outro chegue finalmente até nós.
A perda não é lamentada em face do outro, e sim quanto às próprias carências, o medo de ficar sem pares. A solidão que se avizinha, devagar e sempre.
A solidão que sempre sentimos, pois afinal estamos presos entre costelas. Solidão e certeza de que vai partir também. Será que está preparado...
O resto é apenas dissimulação. Nós e nossas mesuras ridículas que insistimos em cultivar.
Aquele teatrinho de tristeza que aprendemos desde pequenos, pois criados por hipócritas e cínicos, que são bastante úteis por exemplo quando visitamos um enterro.
Fazemos teatro de tristeza, olhamos assustados o presunto, o mínimo possível para que não achem que estamos nos divertindo, e o máximo possível para que gravemos a imagem em nossa mente sedenta por imagens sórdidas.
Aquele cheiro de flor misturada com morte. Aquele cheiro pré-podre. O cheiro de corpo pré-podre. No verão aconselho ar condicionado.
Sempre pensando no que os outros estarão pensando, pois em enterros os olhos cobram posturas.
Depois nos afastamos o máximo possível até um grupo de amigos para comer torradas, rir, e fugir da morte, olhando de vez em quando para a capela para ver se ela não o estará perscrutando.
Reparando, também, nos decotes e rabos das presentes, "marcados" em lindos vestidos pretos de luto, sem calcinha para não "marcar" afinal, tudo é uma chance, já que tudo são instintos e finitudes. E 'marcas".
Aquele teatrinho de tristeza que aprendemos desde pequenos, pois criados por hipócritas e cínicos, que são bastante úteis por exemplo quando visitamos um enterro.
Fazemos teatro de tristeza, olhamos assustados o presunto, o mínimo possível para que não achem que estamos nos divertindo, e o máximo possível para que gravemos a imagem em nossa mente sedenta por imagens sórdidas.
Aquele cheiro de flor misturada com morte. Aquele cheiro pré-podre. O cheiro de corpo pré-podre. No verão aconselho ar condicionado.
Sempre pensando no que os outros estarão pensando, pois em enterros os olhos cobram posturas.
Depois nos afastamos o máximo possível até um grupo de amigos para comer torradas, rir, e fugir da morte, olhando de vez em quando para a capela para ver se ela não o estará perscrutando.
Reparando, também, nos decotes e rabos das presentes, "marcados" em lindos vestidos pretos de luto, sem calcinha para não "marcar" afinal, tudo é uma chance, já que tudo são instintos e finitudes. E 'marcas".
Afinal de contas, o poeta é um fingidor e finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente...
E assim seguimos jogando o nosso xadrez com a morte, como no Sétimo Selo, de Bergman.


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