quarta-feira, 29 de julho de 2015

PROVECTUM E OS BALÕES NÃO TÃO MÁGICOS








"Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são provas de idade e não de prudência."

Platão

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A Fraqueza Fundamental do Homem

A fraqueza fundamental do homem não é nada que ele não possa vencer, desde que não possa aproveitar com a vitória. 
A juventude vence tudo, a impostura, a astúcia mais dissimulada, mas não há ninguém que possa deter no voo a vitória, torná-la viva, porque então a juventude deixou de existir. 
A velhice não ousa tocar na vitória e a nova juventude atormentada pelo novo ataque que se desencadeia imediatamente, deseja a sua própria vitória. É assim que o Diabo sem cessar vencido, nunca é aniquilado. 

Kafka, in "Meditações."



Para a "cavalinha"......ou "little horsegirl"......  2015+...  



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Como tivesse finalmente alcançado êxito na escrita sem qualquer outra iluminação além de uma vela e eventuais manifestações ectoplasmáticas, por ora abusa e regozija-se (não esqueço de uma ocasião em que teclava com um ser e recebi a resposta ..."POR HORA COM H!!!"...desliguei a conversa.....como quando recebi a resposta "HISTÓRIA É COM H NÃO E!!!"...FILTROS).

Escritos a estas horas, pois, passaram a ter interessantes nuances de sombras, e curiosidades como o fato de que meus rabiscos e rascunhos, mal grafados em folhas de caderno, são lidos como o são as radiografias, com rápidas passadas pela luz no verso. 

No caso, a luz do monitor do lap.

Os rascunhos, rabiscos e esboços são aqueles documentos que, na eventualidade de ficarmos conhecidos, também acabam sendo vendidos em leilões idiotas para boçais mais idiotas ainda.

Certas obras deveriam autodestruir-se quando não estivessem em um lugar cujo acesso fosse franqueado a todos.

Fico com um olho no padre e outro na missa. 

Aliás, não confio em padres, tendo em vista a opção pelo celibato. Não adiantaria terminar com o celibato, pois o estranho mesmo sempre será o fato de que alguns homens passarão a vida sem nunca terem comido um cú.

E outros abusarão de crianças e jovens. Ou acoitarão com freiras e afins.

Ora, lá de onde venho o cidadão que nasce cabra "homi", tem que ter sempre em mente a inviabilidade da própria existência sem a possibilidade de cair na armadilha perfumada das fêmeas, viúvas (vulvas) negras.

Amargas pela própria natureza, belas ao avesso para os olhos que as enxergam, programadas geneticamente para arrebatar idiotas (homens).

Acho que prefiro a sabedoria da amargura do que a idiotia alegre da ignorância.

Pena que estas bichas ao invés de admitirem a própria derrota, em várias oportunidades não o fazem, lançando mão de seu mais estúpido argumento...a violência.

Daí a brincadeira perde a graça. Alguém descumpriu as regras e roubou. 

A arte deixa de prevalecer e as  hordas de bárbaros cumprem o seu papel. 

Ainda bem que na maioria esmagadora das vezes ainda não é assim. 

Pelo menos no mundo não muçulmano, ainda que cristãos digam não gostar de sexo, o que é pior, pois praticam às escondidas, e ás avessas. Provocam traumas. Extensão macabra dos seus. E ainda piores. 

Pelo menos o atual Papa (papa...) tomou alguma providência. 

Esse será o melhor Papa em papados. 

A única merda que ele disse foi no primeiro dia (fumacinha branca... que viadagem...devem consumir cânhamo os cardeais após a escolha...aquilo deve ser uma chatice convenhamos...o cara não pode nem sair para fumar um crivo), quando referiu que tinha vindo do fim do mundo.

Quem veio do fim do mundo foi o Papa anterior a esse. Insosso. Chato. Encarquilhado. Mau. Uma espécie de Cardeal Richelieu que virou Papa. Um bosta com ideias da mesma natureza. Vade retro.

Mas, finalmente adentrando o tema deste escrito...



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Já faz parte da nossa histeria coletiva mentir para nós mesmos, entre outras manifestações de nossa natureza suína, tais como fazer leis para dizer que existem, e a inédita modalidade do crime sem autoria. 

O crime existe, produz resultados externos, mas ninguém é o responsável pelo ato ou omissão que conduziu à configuração do crime.

Pois outro exemplo de exteriorização de nossa histeria coletiva politicamente correta tem a ver com o título deste escrito, ou seja, provectum. Latim, pra variar:

"Significado de Provecto
adj. Adiantado; que tem progredido.Avançado em anos./ Fig. Experimentado, muito sabedor.
Sinônimo de provecto: abalizado, antigo, competente, sabedor e velho. 
Provectum, do latim avanço."

Como se observa, o tema já é introduzido...

Fiquemos, pois, até mesmo a fim de manter a simetria das ideias, e defecar no politicamente correto, simplesmente com a palavra "VELHO".

Importante salientar, desde logo, que, embora este que vos escreve costume analisar os fatores dos seres vivos à luz das regras da natureza, a meu sentir o respeito pela velhice tem mais a ver com cultura do que tendências inatas.

Isso porque em culturas mais avançadas em termos observância dos valores que costumo chamar de universais, as pessoas com idades mais avançadas, ao contrário de culturas com essência medíocre (não tem a ver com potência financeira), costumam ser muito valorizadas, como tesouros vivos.

Aqui o fato de uma pessoa ter chegado à velhice soa como uma punição aos imbecis, algo externo a eles, como se não fizesse parte do que eles serão, de modo que, portanto, já são. 

A velhice é comumente tratada no Brasil de maneira debochada, como perda, como fim, etc, por isso mesmo adoram colocar rótulos patéticos politicamente corretos (escrotos) como terceira idade, melhor idade.

Melhor idade é a expressão mais odiosa e cretina que se pode ouvir, considerando as suas variações.

Na verdade, ao invés de proteger e respeitar, nada mais é do que uma cretinice hipócrita que vem a demonstrar justamente o contrário, ou seja, o nosso desapego com a questão da velhice como se fosse um fato da vida exterior a nós humanos, tão jovens que somos.

Cretinos patéticos. Tratem velhos como velhos merecem ser tratados, não precisam inventar palavrinhas bonitas para inglês ver e depois açoitá-los diariamente como fazem com os negros e índios. Induzem a produção de um estado de ego infantil, por isso mesmo velhos e crianças é que acabam sendo alvo de sádicos que se dizem acompanhantes.

As gravações, longe de estarem desvelando um caso em específico, estão, em verdade, filmando a nós mesmos, pois afirmar que a velhice é a melhor idade está dentro do catálogo de sandices hipócritas que optamos por cultivar.

Pois rodando por baixo disso tudo sabemos que está o nosso cinismo, a nossa dissimulação silenciosa, pois como diz o Gabriel Pensador sobre o racismo em alguma música dele, "o racismo é disseminado sob a forma de piadas que teriam bem mais graça se não fossem o retrato de nossa ignorância transmitindo o preconceito desde a infância."

Pois o mesmo ocorre, sob a forma de piadas diretas e de maneira subliminar com o tema velhice, como é o caso, por exemplo, de uma música que conhecemos bastante, e que, inegavelmente, assim como outras nos dias modernos, trouxeram mensagens nefastas, vestidas de algodão doce, mas que ficaram bem gravadas em nossos inconscientes. Vejamos:


Tantas crianças já sabem
Que todas elas cabem
No nosso balão

Até quem tem mais idade
Mas tem felicidade
No seu coração


Ora, veja-se, no caso, a famosa música infantil do balãao mágico. 

Os termos "até" e "mas", mesmo que aparentemente empregados com relação às crianças mais velhas (será), e ainda que pareçam inocentes, tratam-se de evidentes mensagens subliminares, intencionais, pois retiradas de nosso inconsciente coletivo.

Os termo "até", nesse caso, abre a ressalva aos não aceitos, e a expressão "mas", relaciona-se a ser permitido "mesmo assim", ou seja, mesmo possuindo a mácula da idade.

E assim por diante.

Só não estava escrito que  com o passar dos anos poderíamos virar escrotos como a Simony, ou ficar com vontade de comer a Xuxa ou a Mara Maravilha. Algo que, por sinal, não teríamos muito sucesso se estivéssemos percorrendo a melhor idade. Melhor...ok

Devemos fazer como Humberto Eco aconselha em um dos ensaios do excelente Segundo Diário Mínimo, onde tenta nos ensinar como devemos ensinar às crianças sobre os animais, para que depois não acabem estraçalhadas por ursos em um zoológico (caso real, usado como alicerce para o ensaio) por pensarem que simplesmente eram simpáticos ursinhos de pelúcia.

Os animais são apenas os animais. A mesma lógica de fatores, tirando piadas previsíveis, deve ser empregada nesse caso. 

Evidentemente não comparo velhos a animais, socorro-me apenas da lógica a ser empregada, não se trata de escala de valores entre seres vivos. Não sejam tolos, uma vez mais.

Ou seja, a velhice é apenas a velhice, e está dentro de todos nós, alcance-mo-la ou não. Assim como na fase adulta a criança está dentro de nós, por mais que nossa parte consciente se debata querendo negar.

Prestigiar a velhice não é dar um nome agradável, só porque queremos criar um estado melhor para nossos pobres espíritos. É sabe-la em cada um de nós, e prestigiá-la enquanto elemento componente de nosso ser, e não um estado do qual queiramos ou possamos fugir e olhar de longe.

Evidentemente ninguém se torna bom porque está velho. Não se trata disso o escrito. Isso seria incorrer no lugar mais comum possível. 

Quando falo em cuidar dos velhos, o faço em face de sua evidente hipossuficiência, a mesma que passamos a ter ao lidar com expressões ridículas como terceira idade, idade provecta ou melhor idade.

Melhor nada.................falemos sério.......não é por aí que devemos seguir se quisermos tratar os idosos, e a nós mesmos, idosos que seremos, com mais respeito. 

Não é assim que chegaremos ao auto-conhecimento, pois somos um todo, e isso engloba o que foi e o que está por vir, já que preparados estamos pelo condicionamento genético a partir de gerações.

Assim, os tolos riem é de si mesmos quando estão caçoando da velhice estão, bestas que são. Bebem no Oceano da Ignorância, como a maioria da humanidade que se contenta apenas em rastejar. Invertebrando as suas existências todos os dias. Riem de nervosos. 

Nervosos não porque a velhice seja ruim, mas porque não estão preparados. E nunca estarão, viverão entre seus fantasmas e sombras. A estupidez tem uma paga, não passa despercebida. 

Esta sim, brindará apenas aos medíocres, que gozarão de juventudes e velhices vazias, esta mais do que aquela.

Até mesmo porque nunca ter-se-ão dado conta de que deveriam se aproximar dos provectum para tentar aprender algo, pegar atalhos, sempre julgando se o velho realmente é sábio, ou só nos estamos deixando seduzir pela bengala.

A velhice também pode em vários casos envelhecer ignorante, como dito acima, de modo que cumpre desenvolver os sentidos e ter cautela, pois podemos nos enganar do mesmo modo que os homens se enganam e se deixam hipnotizar pelos mortais cantos das sereias.

Contudo, nas mais das vezes as coisas funcionam como dizia o Renato Russo, "são crianças como vocês, o que você vai ser quando você crescer".

Todos já somos um pouco velhos, ainda um pouco crianças, e atuais imbecis tentando aprender mais do que as lesmas que costumamos nos tornar, até que morramos.

Pois tenhamos uma vida melhor que a de uma lesma em todas as idades, e um dos meios para isso é não negar nem a idade em que se vive, nem a que virá, nem a que foi, pois todas já fazem parte do que somos, apenas estão se desenvolvendo em momentos, digamos,  (crono) lógicos, mas a essência permanece intacta.

Acaso negue-mo-las, qualquer uma delas, teremos que acabar pagando por isso, não por uma punição divina ou porque eu queira, é que não teremos aprendido o suficiente para concluir que estávamos certos ao proteger e aprender com as gerações provectas, pois eles são a gente.

Aprendam a envelhecer, pois. Não passem a vida caçoando da velhice como se ela pertencesse a seres de outro planeta. Não, ela pertence a nós, e já pertence, os tolos é que não perceberam.

Não inventem mais expressões de linguagem ridículas para mascarar as suas angústias e culpas e medos e empáfias e soberbas sobre o que não controlam. 

Lambam os beiços se ficarem velhos. Sim, velhos. Pior idade. Mas parte do ciclo que não inventamos, então não inventemos cretinices, senão depois é pior. Carregam a velhice e as perplexidades suicidas. 


















terça-feira, 28 de julho de 2015

GOGOL



e pra terminar........e...não sei porque .....lembrando de laranja mecânica.............homenagens a GOGOL

"Sei que o meu nome será mais feliz do que eu."


"Quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas."


"Um bom guerreiro não é apenas aquele que não perdeu a coragem numa operação importante, mas também aquele que não se aborrece no ócio, que suporta tudo e que, haja o que houver, consegue prevalecer."

Nikolai Gogol












segunda-feira, 27 de julho de 2015

INVASÕES BÁRBARAS





"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"

Martin Niemöller


Martin Niemöller (Lippstadt, 14 de janeiro de 1892 - Wiesbaden, 6 de março de 1894) foi um pastor luterano alemão. Em 1966 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz. Desde. Desde a década de 1980, tornou-se conhecido pela sua adaptação de um poema de Vladimir Maiakovski, "Quando os Nazistas Vieram Atrás dos Comunistas".



Sim, o Estado Islâmico existe, sendo mera confirmação de uma lógica que desde há muito nos acompanha, e que termina por apenas confirmar a lógica de nossas inatas tendências, as quais as vezes se manifestam em ciclos com maior duração, e, por isso mesmo, imperceptíveis para os incautos.

Trata-se de mais uma exteriorização cíclica daquilo que convencionamos denominar "Invasões Bárbaras".

As invasões bárbaras são cíclicas, e sempre acompanharam a caminhada do ser humano pela terra, de modo que, desde logo, devem ser tidas como "normais", ainda que indesejadas.

Aqui, o conceito de indesejadas evidente e automaticamente se relativiza, uma vez que, se são fenômenos normais, são indesejados apenas pela chatice que acabam por provocar. 

Contudo, sendo estes normais, ao que tudo indica, parecem fazer parte de uma ordem de coisas que deve ser assim para que haja renovação e melhora em tempos futuros, devendo, pois, e estranhamente, ser desejados.

Basta ver o exemplo dos incêndios florestais que ocorrem sem qualquer intervenção humana. 

Desde há muito a ciência já nos explicou que tais fenômenos são úteis, e fazem parte da imprescindível renovação, a qual acaba por se justificar, ao verificarmos os seus efeitos a médio e longo prazo.

Evidentemente não estamos a tratar daquelas odiosas e permitidas queimadas, praticadas por ogros irresponsáveis e insanos, que tanto prejudicam o meio ambiente e contra os quais nada é feito, apesar de existirem leis. 

Incompetentes nós, que fazemos  leis e não conseguimos efetivá-las. patética raça.

Sim, milhares de vidas são perdidas nos incêndios provocados por causas naturais, mas algo insiste em querer nos ensinar que depois tudo vai ser melhor e que tal renovação era necessária.

Correto, também concordo que a lógica da natureza não precisaria passar necessariamente por estes ciclos, contudo, apenas devemos admitir que esta é a lógica, e, não tendo sido nós quem a criou, melhor adaptarmo-nos do que tentar infrutiferamente alterá-la.

O termo Invasões Bárbaras surgiu justamente para denominar o fenômeno relacionado à lenta e constante penetração de povos bárbaros que habitavam além das fronteiras do Império Romano, no território romano, o que, conjugado a fatores políticos e à disseminação do Cristianismo, conduziu ao seu declínio.

Esta ideia, aliás, se conecta com uma que há anos defendo - todo o sistema acaba sendo, mais cedo ou mais tarde, acometido por alguma moléstia, ou algum tipo de agente patológico.

Exemplo disso não só o fenômeno humano, mas o trânsito e aqueles que ali estão por dinheiro, o vírus para o software, o câncer para o corpo, etc.

Como no caso das doenças e bárbaros, devemos saber lidar com os seres que compõem essa organização terrorista denominada Estado Islâmico.

Assim como naquela época, e em todos os ciclos, saberemos ultrapassar mais esta invasão enquanto humanidade, pois o Império Romano, infelizmente (ou não), acabou ruindo. Não salvaremos tudo, salvaremos a essência.

Muitas vidas serão ceifadas de maneira brutal e injusta. Muitas obras de arte serão sumaria e estupidamente destruídas. Muitas comunidades deixarão de existir. Contudo, será preservada a essência.

Estas "pragas" talvez sejam necessárias para que nos demos conta de que, em vários aspectos, estamos abusando, como é o caso da destruição de nossos recursos naturais, ou mesmo aniquilação de outros povos em face da salvageria desenfreada provocada pela fome por dinheiro e recursos. 

Isso porque, ao analisarmos a ocorrência de tais ciclos, verificaremos que estes tendem a eclodir nos tempos em que grandes potências perdem a noção de sua utilidade para outros povos, e passam a concentrar-se em si mesmos e suas possibilidades de aniquilar outros povos.

O Império Romano e mesmo os EUA e o 3º Reich podem ser elencados como exemplos. Os bárbaros, pois, simplesmente fazem parte de um necessário sistema de freios e contra-pesos tendente a equilibrar as relações entre os humanos.

Veja-se que os bárbaros das invasões de Roma tratavam-se apenas de povos que acabaram marginalizados pelo Império, e habitavam as suas fronteiras. As desigualdades verificadas e as injustiças eram enormes. 

O mesmo ocorre com os bárbaros dos EUA e assim por diante. Os EUA quiseram se expandir demais, e passaram por cima de muita gente para isso. Agora é o tempo de seu declínio, pois as invasões ainda estão ocorrendo. O equilíbrio deve retornar.

Não há santos nessa ordem de fatores. 

Sim, os seres que compõem o Estado Islâmico são vermes, mas são o subproduto de nosso egoísmo apenas, tornando-se necessários ao reequilíbrio.

Façamos de tudo, entretanto, para que tais ciclos se repitam o menor número de vezes possível, pois em uma de suas próximas investidas podem os bárbaros conseguirem atacar com armas de destruição em massa, momento em que a brincadeira e a lógica dos ciclos perderia completamente a graça.

Sequer poderia eu tentar escrever sobre esta nova lógica vigente, traduzida, em resumo, na quebra da noção de ciclos e criação de uma nova e radical noção de quebra total, porque teria partido junto com a humanidade. 

Pensando bem, nem seriam mais necessários os escritos.

Uma das razões que me fez pensar em Estado Islâmico nesta noite, foi o fato de que gosto de escrever à luz de velas (amarelas), de modo que, refletindo sobre o seu primitivismo existencial, imaginei que vários de seus componentes vivem à luz de velas tanto em termos cotidianos como em suas mentes.

Pensei em Idade Média também, escuridões.

Lembrei deste odioso grupo de bárbaros, também, porque ouvi no rádio mais uma das sórdidas formas com que estes ratos procuram a atenção do mundo, como aquelas que já ouvimos noutros dias, como explodir locais públicos e destruir obras de arte.

Pois agora os fanáticos necessários estão arremessando homossexuais de prédios, tal qual fazia a asquerosa ditadura (redundante) Argentina quando atirava os seus opositores de aviões em pleno voo. Esta prática foi imitada por nós, como sói ocorrer.

Isso não surpreende, quando se sabe que bárbaros sempre se caracterizaram pela exposição de atos aberrantes e clavas ao apresentar aos demais povos os seus hábitos macabros.

Ora, pela lógica isso até faz parte da estratégia. Eu faria o mesmo.

O que surpreende mesmo é a demora que temos em reagir, enquanto humanidade, que é só o que somos. Por isso mesmo lembrei de citar a ideia que inaugura este escrito.

Voltaram-se os bárbaros contra os  EUA e eles estavam sozinhos, assim como desamparadas estão as comunidades todos os dias assoladas pelas atrocidades de mais este grupo de bárbaros que nossa história nos apresenta.

E estão sozinhos pelas mesmas razões, ainda que não pareça. 

Estão sozinhos, assim como a Inglaterra porque insistem em tentar manter isolamento com relação aos demais povos, principalmente em termos culturais e religiosos.

Tanto americanos quanto povos muçulmanos mais radicais possuem esta tendência de maneira bastante exacerbada.

O que devemos fazer...

Devemos aguardar que a ordem de coisas se restabeleça pois, como dito, são os ciclos, e sobre esta ocorrência não temos controle, pois o controle seria a paz entre os povos e a igualdade. 

Ocorre que isso não está em nossos genes, portanto pulemos esta parte e procuremos caminhos realistas.

Quanto a coibir a ocorrência dos atos de barbárie, sim acho que devem ser contidos com veemência, o que, infelizmente, não impede que ocorram durante algum tempo. É a paga por nossas mazelas.

Imagino que, por mais que se trate de um ciclo natural de acontecimentos, poderiam os povos ser mais solidários ao natural uns com os outros, até para que apenas uma nação não acabe virando alvo.

É como quando o Ministério Público opta por não pessoalizar denuncias com grande repercussão em termos de gravidade, para que algum membro em específico não acabe virando o alvo da ira de quem está sendo denunciado.

Não digo que devamos apoiar os EUA, pois o que esta nação pratica não é a ideia cretina de "polícia do mundo", senão que apenas é movidos por interesses econômicos que se equiparam ao fenômeno da colonização.

Fala-se em algum tipo de união verdadeira e sólida como objetivou a ONU, mas se perdeu pois deixou vingar a lógica dos dominantes, de modo que tudo ficou como estava. Passou a ser um adorno.

Este grupo radical de que se trata seria inevitavelmente pulverizado, pois não teria condição de expansão, e não aguentaria as pressões internas e externas e mesmo de seus próprios membros. 

Não seguem a lógica do equilíbrio, e o equilíbrio sempre reivindica a sua lógica, nem que para isso precise eliminar o próprio Planeta. 

Não se pode negar a lógica de tal equilíbrio, quando do outro lado a lógica universal tiver de enfrentar força com a mesma capacidade. O nada é um equilíbrio. Há 1 e há -1. Nada reside entre eles.

Apressemos, pois, o seu desaparecimento, mas assimilemos as lições derivadas dos acontecimentos, pois se existe o Estado Islâmico é porque ainda não conseguimos acertar como humanidade. 

Acho que o Universo está perdendo a paciência.

Isso prova uma vez mais que o Inferno somos nós mesmos.

E o pessoal interessado no tamanho da circunferência abdominal e idiotas da novela idiota.

As únicas invasões bárbaras que me agradam são aquelas propostas no belo filme "Invasões Bárbaras", de Denis Arcand, genial diretor canadense que há anos acompanho, desde o excelente "Jesus de Montreal", e mesmo o formidável "Declínio do Império Americano".

Aliás, "O Declínio do Império Americano" vem a ser justamente uma sequência do filme "Invasões Bárbaras", tendo sido este último realizado vários anos depois, e com os mesmos atores bem mais velhos, uma ótima proposta do prodigioso Diretor canadense Denis Arcand.

Voltemo-nos, pois, contra as invasões bárbaras sem olvidar das Invasões Bárbaras de Arcand, e sem olvidar das lições que teremos que repetir se não aprendermos de uma vez por todas a não pisotear o próximo para alcançar os nossos objetivos.

Os índios que o digam. Para eles somos apenas bárbaros. Somos o Estado Islâmico. A mesma impressão que os animais têm de nós. E a mesma impressão que temos de nós mesmos ao enxergar um ao outro na rua.

A cada ciclo a tecnologia da destruição está mais acessível aos bárbaros. Apresse-mo-nos em melhorar, pois.






























DORES, TEATROS E ANJOS NEGROS








Dores alheias só comovem aos anjos. Negros.

Quando parecemos condoídos em relação a terceiros, não estamos exatamente comovidos com a dor que não é a nossa. 

Queremos é que fique no outro. Antes ele do que eu, pensam. 

Há um alívio misturado com perplexidade e medo. Pena de si mesmo. De sua evidente decadência, onde cada vez os espelhos tornam-se menos amigos. 

Estamos é com receio de que a do outro chegue finalmente até nós. 

A perda não é lamentada em face do outro, e sim quanto às próprias carências, o medo de ficar sem pares. A solidão que se avizinha, devagar e sempre. 

A solidão que sempre sentimos, pois afinal estamos presos entre costelas. Solidão e certeza de que vai partir também. Será que está preparado...

O resto é apenas dissimulação. Nós e nossas mesuras ridículas que insistimos em cultivar.

Aquele teatrinho de tristeza que aprendemos desde pequenos, pois criados por hipócritas e cínicos, que são bastante úteis por exemplo quando visitamos um enterro. 

Fazemos teatro de tristeza, olhamos assustados o presunto, o mínimo possível para que não achem que estamos nos divertindo, e o máximo possível para que gravemos a imagem em nossa mente sedenta por imagens sórdidas. 

Aquele cheiro de flor misturada com morte. Aquele cheiro pré-podre. O cheiro de corpo pré-podre. No verão aconselho ar condicionado. 

Sempre pensando no que os outros estarão pensando, pois em enterros os olhos cobram posturas.

Depois nos afastamos o máximo possível até um grupo de amigos para comer torradas, rir, e fugir da morte, olhando de vez em quando para a capela para ver se ela não o estará perscrutando. 

Reparando, também, nos decotes e rabos das presentes, "marcados" em lindos vestidos pretos de luto, sem calcinha para não "marcar" afinal, tudo é uma chance, já que tudo são instintos e finitudes. E 'marcas".

Afinal de contas, o poeta é um fingidor e finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente...

E assim seguimos jogando o nosso xadrez com a morte, como no Sétimo Selo, de Bergman.




domingo, 26 de julho de 2015

WISH YOU WERE HERE...



Para FTVP - Sempre presente. R.I.P.














O BRILHO VIBRANTE DA MORTE - YOUR EYES ARE SHINING




"Sei que o meu Redentor vive, 
e que por fim se levantará sobre a terra. 
Eu mesmo O verei; 
os meus próprios olhos O verão e não outros. 
(Jb 19, 25-27)"








 "This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes... again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need... of some... stranger's hand
In a... desperate land?"


Curioso, quando encontrei minha mãe sem vida, lembro que a primeira reação foi tentar abrir seus olhos. 

Tenho também a clara, estranha e não menos curiosa recordação de que me veio logo à mente a música The End, do Doors, cujo trecho inaugura este escrito.

Veio à mente, contudo, aquele trecho específico que diz: "I'll never look into your eyes...again. (...)."

Aquela cena, por seu turno, já havia assaltado a minha mente diversas vezes ao ouvir a música The End.

Evidentemente se está a referir momento caracterizado por fato extremo, onde a lógica não vinga, mas o fato é que lembro ter feito isso - tentar manter abertos os olhos.

Introduzido o tema, passemos esta parte, pois alguns assuntos não devem ser tratados com demora. Não dramatizemos. O objetivo não deve ser esse. 

Simplesmente não se deve fazer isso, ou então será um escrito ordinário, autopiedoso e contraditório, como veremos adiante.

Tratem de desenvolver esta possibilidade psicológica - abstração - pois quem salvará seus medos não serão os santos, mas sim vocês mesmos. Ou não. 

Simplesmente continuarão com medo, vocação natural do ser humano, que insiste em cultivá-lo como se os frutos não fossem negros e venenosos.


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Pois bem, passemos à ideia que movimentou o pensamento em um primeiro momento.

Olhos normalmente brilham em virtude de uma situação positiva. 

No entanto, também brilham quando estamos com febre. 

Brilham também, ainda, e, segundo minhas observações, diante do medo da morte.

São brilhos com sutis aspectos que os diferenciam. No primeiro caso, diante de eventos positivos, brilha sem tremer. 

No segundo caso, a febre, é um brilho estático e um pouco inflamado, quase ruborizado. É a vida da doença.

Já no caso do brilho resultante do receio diante da finitude, notei que se apresenta com notas de algum tremor, uma vibração sutil. 

Olhos em desespero, e que precisam de auxílio, costumam, além de brilhar, acenar.

Já vi, a esta altura, várias vezes o medo da morte estampada com um sutil brilho trêmulo em vários olhos, e vários deles vi opacos como os dos peixes não frescos (também denominados peixes hetero), pois a força que os olhos tem em demonstrar estas quase todas as coisas é incrível, ainda que incautos e tolos não os compreendam. 

Meus olhos já tiveram esse mesmo medo, mas agora eles são apenas fatalistas, apenas vão seguindo adiante, pois simplesmente não adianta ficarem em estados de tensão, já que certos fatos são inevitáveis desde sempre, tais como a morte e a estupidez humana.

Agora os olhos são mais fortes, e desenvolvem certo conformismo. Conformismos devem ser combatidos sempre, a não ser que derivem de certezas inevitáveis.

A propósito, imagino que ateus normalmente tem mais facilidade para lidar com a morte do que aqueles que creem. Normalmente eu disse.

Simplesmente porque seguem orientações lógicas no que se refere ao tema, então têm mais tempo para se acostumarem com o que é de verdade, não perdem tempo cultivando fantasias arcaicas e tolas, como os seus seguidores e fundadores.


"Eu sou a ressurreição e a vida.
O que acredita em mim, mesmo que morra, há-de viver. E todo aquele que está vivo e acredita em mim,
nunca mais há-de morrer. ( Jo 11, 25-26)."

Isso porque aqueles que professam estas infinitas e tolas crenças religiosas na verdade não acreditam naquilo que imaginam acreditar e acabam tombando perplexos e trêmulos em meio às suas imagens sacras, sabendo que nunca houve salvação alguma, só uma dor forte e a escuridão. 

A mesma que havia antes do nascimento. Da cinza à cinza. Do pó ao pó. Da terra à terra. És pó, e ao pó retornarás. Deve ser por isso que o Pablo Escobar enriqueceu (tornar-se henrique).

"Porquanto aprouve a Deus, Todo-poderoso, em sua infi­nita providência, separar deste mundo a alma deste irmão, (ou irmã, ou criança, conforme for o caso); portanto, nós en­tregamos o seu corpo à terra. Terra à terra, cinza à cinza, pó ao pó, com a esperança e a certeza da ressurreição para a vida eterna de todos os que dormiram em Cristo."

Dinossauros não acreditavam que iam para o céu dos dinossauros, de modo que as vezes a racionalidade só serve para criar embaraços, ainda mais quando se trata de mentes fracas, que são a maioria. 

É o que é. De nada vai adiantar gritar, chorar, se debater ou ranger os dentes. Lamento meus caros, mas todos morreremos. 

Então parem de chorar e vão viver. Deixem de ser "barbies", e procurar subterfúgios. Enfrentem como homens as coisas como elas são. 

Vocês não são especiais e não nasceram necessariamente para ser felizes. Tenham culhões e sejam pelo menos honestos, já é um começo.

Sejam mais rígidos no cumprimento de suas próprias leis. Levem a sério a vocês mesmos "porque mentir para si mesmo é sempre a pior mentira."

Tentem ser fortes, criem os próprios talismãs e símbolos e reflitam sobre a finitude com base em paradigmas lógicos, pois só isso os trará alívio.

Nossa sorte somos nós que fazemos, justamente por isso sempre tenho uma moeda com duas caras no bolso. Nunca esqueçam, contudo, de sair de casa com os punhais. Não custa prevenir.


Nunca chegaremos ao ponto de gostar do fato de que vamos partir, mas ao menos não ficamos desesperados, angustiados e ansiosos. Apenas com náusea, pois como dizia Sarte:


"Os homens. É preciso amar os homens. Os homens são admiráveis. Sinto vontade de vomitar – e de repente aqui está ela: a Náusea.

Então é isso a Náusea: essa evidência ofuscante? Existo – o mundo existe -, e sei que o mundo existe. Isso é tudo.

Mas tanto faz para mim. É estranho que tudo me seja tão indiferente: isso me assusta. Gostaria tanto de me abandonar, de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir.

Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca… E subitamente, de repente, o véu se rasga: compreendi, vi.

A Náusea não me abandonou, e não creio que me abandone tão cedo; mas já não estou submetido a ela, já não se trata de uma doença, nem de um acesso passageiro: a Náusea sou eu."

Esqueçam estas fantasias bobas que constam em livros religiosos, não permitam que outros digam quem vocês são, ou criem as suas verdades. Não se rendam a canalhas oportunistas selvagens. Esses é que são, aliás, os verdadeiros demônios, pois "o inferno é o outro".

Não acreditem nos outros, apenas respeitem, pois não se deve acreditar em nada além daquilo que se duvida (RR...R.I.P.). 

Ajam pautados pela nobreza, bom senso, honestidade. Não se tornem monstros ao combater monstros. Não entrem na loucura dos outros. Sejam moderados e exercitem a temperança.

Faça a coisa certa e será recompensado, caso contrário não encontrará salvação nem aqui nem depois da morte.Tentem pelo menos alcançar a salvação que se mostrá possível. Enfrentem as coisas como elas se apresentam.

Não há céus nem virgens nem encarnarão besouros e formigas. Quando muito apenas não morrerão jovens demais, o que nem sempre é uma benção.

Lembrem-se que para o Universo o fato de existir vida na Terra, e mesmo a existência da própria Terra nada significa. É um grão em um mar infinito (ou não - Einstein).

As divindades nunca passaram de meros reflexos de nós mesmos. Os deuses é que são imagem e semelhança nossa, não o contrário.

Por isso sempre apresentam facetas de maldade e insanidade, sempre incentivaram conflitos, desavenças e preconceitos.

Promoveram chacinas e torturas que fariam o Fernandinho Beira-Mar e o Marcola parecerem freiras carmelitas, ou escoteiros.

É sempre o sórdido e falho ser humano que está por trás de tudo, não nos iludamos, para que nossos olhos não sejam tomados pelo instigante e pérfido brilho aguado do medo da morte.

O medo de ter sempre acreditado em bobagens que para nada servem, nem para amenizar a dor da "alma", ainda mais quando as religiões costumam ser permeadas sempre sempre rituais chatos, quando não sinistros, com cretinices de todo o gênero metidas a sérias.

Seus discursos cheios de ignorância dogmática, ilogicidade, ausência de lugar para a dialética, culpas eternas, medos de pecar, hipocrisia etc.

Isso porque simplesmente fazem refletir a merda de nós mesmos fantasiada de bolinho de chocolate e vermelho-cardeal da Prada.



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Assim sendo, parem de agir como menininhas e vão viver. Ouçam bastante jazz enquanto é tempo. Não maltratem os seus, nem os próximos, nem os animais.

Jamais baixe a cabeça quando sofrer alguma agressão aos seus Direitos.

Caminhem mais.

Tentem ver as idéias e elementos materiais podando a parte óbvia, e procurando os detalhes, aquilo que não costuma ser dito, sempre a partir de ângulos otimistas na medida do possível.

Desenvolva o fascínio que transmite a ideia de poder ter estado por aqui e ter visto que tudo isso existia. Sempre será melhor do que o nada. Do que não foi para aqueles que jamais nascerão.

Trepem mais, bebam mais, parem de beber essas merdas de h2o e refrigerantes imbecis com gosto de química, açúcar e remédio para não ficar doentes nem morrer. Sim vocês também ficarão doentes e também morrerão.

Comprem mil frutas e façam mil sucos, com mil combinações. Criem mais. E reflitam acerca da beleza das frutas, todas coloridas e cheias de aromas e gostos. Refrescam a vida. Nutrem o espírito.

Aprendam a reger os temperos. Plantem chá. Criem um coelho. Acampem. Pesquem. Comam pizzas e fondues de queijo. Chorem de alegria e de tristeza. 

Bebam mais Jack Daniels, comam bem, usem pimenta, bastante pimenta, e de vários tipos. 

Parem de fazer essas dietas ridículas, a não ser que estejam realmente obesos. 

Parem de correr pra la e pra ca como robôs, pois nada controlam, acabam um belo dia caindo no supermercado, com uma forte e lancinante dor no peito, em cima de uma pilha de latas de sardinha e sob o olhar perplexo dos demais clientes, clientes que serão da morte também, percebendo que nunca viveram. 

Vidas em preto e branco. Vidas sem poesia.

O humano estuda a morte alheia com uma distância cautelosa, talvez tentando passar despercebido ao olhar do ceifador. Isso é estéril, o ceifador tudo vê, e ele virá reivindicar as suas moedas.


"Os meus dias são mais velozes do que um correio; fo­gem, e não vêem a alegria. Passam como balsas de papiro; como águia que se lança sobre a presa." (Jó 9:25-26).

Assistam os filmes certos. Ouçam as musicas certas. Parem de se autoflagelarem ouvindo estas músicas carregadas de elementos de sofrimento e dor. Ou simplesmente uma mal organizada pilha de merda como o funk.

Façam, a si mesmos, o favor de se desviarem um pouco de sua vocação ao sofrimento, e ao sadismo. Viva e deixe viver. Querer o meu não é roubar o seu. Querer o seu não é roubar o meu.

Parem de encher o saco e vivam. Parem de eleger ladrões e corruptos. Tentem melhorar pois só há esta chance.

Comprem algodão doce e maças do amor as vezes. Vão ao parque de diversões mesmo que não haja uma criança a tiracolo. 

Sinta todos aqueles cheiros de circo, de pipoca, de churros, de gente que sentiam quando mais novos, quando tinham tempo de saber apreciar o prazer de tudo isso.

Tirem os animais dos zoológicos e levem para reservas. Matem que os maltratar, assim como aqueles que não respeitarem as terras dos índios. Chega de tirar de quem é mais fraco. Ensinemos e pratiquemos mais nobreza.

Saibam rir de si mesmos e saibam quando são ridículos. Tolerem. Perdoem. Peçam desculpas. Não sejam loucos.

Leiam Sartre, tirem os olhos um pouco dessas porras de androids e afins e falem olhando um pouco para o outro. 

Olhem as paisagens sem tirar fotos, parem de filmar tudo como os malditos e competentes chineses e japoneses. 

Prestem mais atenção no que ouvem e falam. Se não gostam de ler, devorem documentários. Não vejam o filme Avatar, vejam Taxi Driver ou Coração satânico.

Saiam do automático, ou então cairão na rua sem entender nada, cheios de botox. Múmias modernas. Todos iguais. 

Expressões semi-movimentativas, como os bonecos de ventríloquo, com aqueles olhos bem arregaladinhos, um quase sorriso, feições paralisadas, como suas existências interiores.

Todos parecidos, com suas cirurgias plásticas patéticas e tratamentos estéticos cretinos. Tentam evitar o inevitável e não vivem o possível.

Tentem perder esse olhar pérfido, tendencioso, malicioso, receoso e preocupado dos adultos em geral.

Quando criança lembro nitidamente que sempre pensava porque os adultos tinham aquele ar grave, e sempre imaginava que seria assim. Não porque eu fosse forçar isso. É que não percebia aquela tendência em mim.

Isso tem muito a ver com verdade, e imagino que obtive êxito na tarefa de não me tornar sisudo, carrancudo, emanando uma seriedade desnecessária, fruto de medos e inseguranças elementares.

Alias, para mim este aspecto forjado de seriedade dos adultos tem muito a ver com vazios, ausências de certezas e valores, ocos interiores, de modo que esta impressão me reporta a uma frase que está sempre presente para mim. Considero genial - 

"Quando um homem estiver particularmente confuso deve franzir o cenho e adotar uma expressão violenta, sob pena de bancar o bobo."

Deve ser falta de criatividade, mal silencioso e invisível para a maioria.


"Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, e como a flor do campo, assim floresce; passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não se conhece mais." (Salmo 103:15-16).

Portanto Vão viver e não me torrem mais o saco com sua choradeira. 
































figura final ars longa vita brevis