quarta-feira, 27 de abril de 2016

RASTEJEMOS, POIS...







"A crítica rasteja. A criação voa." (Gian Piero Bona)


O que se aplica ao macrocosmo, normalmente se aplica ao microcosmo, como nos comunica, "mui" sabiamente, o Código do Samurai, quando refere que determinado entendimento "se estende a todas as coisas". 

Sim, como já falei ontem e nos últimos dias, e não pretendo ser tautológico, evidentemente existe uma espécie de "golpe" branco, que acabará por retirar do Poder Executivo nacional a atual Presidente.

Não que seja Ela, exatamente um anjo, sequer gosto dela, preferi todos estivessem fora, e um time melhor assumisse a ordem, uma nove e melhor Ordem, onde a honestidade e a lógica fossem a tônica, e não a estupidez deslavada e rasa, de ambos os lados (eleitos e eleitores).

Sim, sabemos que se trata de um golpe, ainda que saibamos que o Partido a que pertence a atual Presidente nada tem de honesto, mas, como Ela pertence àquela Agremiação política, e à própria política, acabará arcando com as consequências.

Assim como arca com as derivações do sistema em que inserida está. Ninguém diga a sandice de que não foi advertida.

Quem não gosta do calor, que não frequente a cozinha. Acaso frequente, que aguente as consequências.

O que importa referir, pois, é que, embora tenhamos toda a razão do mundo, principalmente em termos lógicos, em termos formais podemos ser fodidos por pessoas que nada valem, como o Cunha e seus capachos, ou os fantasmas escrotos que habitam as nossas minúsculas existências.

Ou seja, é um mecanismo recorrente na raça humana, aquela que habitamos, e a que estamos sujeitos diariamente, seja lá, seja aqui.

Assim como alguém (momento em que recordo de recente relato de um amigo) que acaba tendo a sua vida particular vilipendiada por alguém odioso, sujo e desonesto, como, por exemplo, quando a Lei Maria da Penha é deturpada em seus nobres objetivos, ainda que as suas raízes sejam, evidentemente, fruto de boa razão, e dignas de todas as homenagens.

Homens que maltratam as mulheres, como argumento de debate, devem suportar a "paga da praga" que carregam.

Falo é do relato de meu amigo.

Dizia ele, o que lança como exemplo, que, segundo a Lei acima sublinhada, alguém que possui vagina poder fazer o que bem entender de mal em relação à vida de alguém que não possui vagina, e, quando o ofendido reage, começa aquela choradeira hipócrita em âmbito judicial e policial, levando todos a crer que o ofendido é o ofensor, passando este a ser assim considerado, e, eventualmente, sofrendo as penas legais.

Certo é que homens praticam as maiores barbaridades contra as mulheres, sendo melhor, portanto, que uma tal legislação exista, mesma fato que sempre induz à ideia coletiva de que os homens agrediram.

E quem lança mão da Lei Maria da Penha com má-fé, não apenas age como os agressores contumazes a que tal legislação pretende combater, como também deturpam os objetivos do próprio Diploma legal.

Contudo, por outro lado, certo é também que uma tal legislação vem sendo largamente usada por mulheres abandonadas, contra quem as abandonou, com o beneplácito pré-conceituoso daqueles que julgam e investigam.


A Maria da Penha, pois, habita apenas dois extremos, ou seja, aquele em que funciona contra quem não deve funcionar, e aquele que não funciona contra quem deveria.

Basta acompanhar os noticiários e noticiosos. Diariamente.

Ou seja, quem quer efetivamente macular a integridade alheia, macula, e quem não quer macular, mas apenas advertir, é invadido em seus Direitos mais básicos, ditos de primeira geração, pelos constitucionalistas.

Assim sendo, e como se sabe, no que diz com a Lei acima mencionada, os que querem matar, matam, e não há quem proteja. 

Já, os que não querem matar, mas apenas responder às injustas ofensas contra si dirigidas, é que acabam respondendo penalmente. Lobos vestidos de ovelhas e vice-versa.

A Lei de que se fala não é patética. É nobre. 

Patética é a sua prática, que alcança apenas, e tão somente, àqueles que não pretendem descumpri-la, abrindo todos os flancos para que "sedizentes" ofendidos, acabem por truncar a vida daqueles que pretendem ofender.

Ou simplesmente daqueles que apenas pretendem responder às injustas ofensas contra si dirigidas.

Facas e gumes. Verdades e falsidades. Hipócritas e honestos. Ações e reações desproporcionais. A história e as relações pessoais cotidianas são pródigas em exemplos.

Mas, infelizmente, como existem os monstros, o sistema permite e abre flancos para que demônios possam atacar boas pessoas, pois, formalmente, tudo parece estar a favor daquele que se diz ofendido, no que diz com a Lei de que se trata.



Mas esta é apenas uma comparação que me ocorreu vagamente em uma caminhada com o Glix, aquele que vem a ser o novo cão, e que está sendo doutrinada para ser forte e inteligente - após ouvir o relato de meu amigo - ou seja, assim como no caso em que a Dilma acaba por enredar-se em uma teia amparada pela legislação e Pelo Judiciário, o ser humano acaba fazendo o mesmo todos os dias em suas vidas ctidianas.

Por isso, talvez, o tema haja sido introduzido a partir da ideia de micro e macrocosmo. 

Digo talvez, porque nunca sei qual frase virá depois da frase que acabei de escrever. Escrever é deixar fluir, ou, caso contrário, duro será o produto da escrita, como os arquitetos que não têm vocação. 

Teclados são pianos, e o resto pode ser mecânico ou virtuoso, como Amadeus e Salieri, caso em que o gênio era o primeiro. "Nada substitui o talento", como enunciava o excelente lema de uma propaganda dos anos 80 ou 90, da ADVB, se não me engano.

Lembrei de outra - "Bonita camisa Fernandinho!! - A do Senhor também é linda (coro de puxa-sacos)".

Contudo, e retomando a comparação entre o impedimento e o eventual mau uso que se possa fazer a partir de legislações cujo objetivo é apenas nobre, isso também ocorre, em termos, no caso do iminente impedimento da atual Presidente. 

Digo em termos, pois, no caso envolvendo a política, quase se pode definir como cachorros que comem cachorros, velho dito norte-americano - dog eat dog.

Pessoas nocivas e venenosas, contudo, amparadas por lenientes Leis Civis e Criminais, a todo o momento, com base nestas mesmas bem intencionadas Leis, e com base em sua má-fé, acabam por tentar prejudicar a vida daqueles que são, efetivamente, os verdadeiros ofendidos.

A principal razão reside no fato de que quem lida com a verdade de maneira radical, acaba por revidar ataques e ofensas imerecidas. 

E aqueles que, imerecidamente ofendem, com base em dispositivos legais necessariamente permissivos, acabam por perturbar a vida de quem apenas revida estas mesmas indevidas ofensas.

Assim como o Cunha, nefasto ser, revidando às justas resistências da oposição, caso em que não condeno esta última, pois, se tivesse que lidar com o Cunha, o faria com punhais e vômitos.

Assim funciona a política no Brasil, e este foi o paralelo aqui estabelecido, modo introdutório. E assim funcionam as pessoas, no desenrolar de seus cotidianos medíocres, acres e repetitivos. 

Cópia de uma cópia, de uma cópia, como é a insônia. É uma forma de insônia, pois o insone costuma habitar limbos e paralelos.

Assim o mundo. É e assim sempre será, estejamos preparados. Tenhamos estômago.

O resto é silêncio...e formalidades idiotas que abarrotam os órgãos públicos e parlamentos e noticiários, tendo como supedâneo apenas um sentimento sórdido e capcioso de vingança, mesmo quando seres  despojados de qualquer sentido ético e decência moral (sociopatas - psicopatas sociais) sabem que trouxeram enormes prejuízos à vida de outrem, ou outros, conforme a análise, macro ou micro.

Como disse acima, o Código do Samurai se encarrega de nos ensinar que o pequeno gesto se estende a tudo. Roubar pouco não é diferente de roubar muito. 

Deus mora nos detalhes. O resto é o que todos vêem. 

Não guardo afinidade com qualquer crença religiosa, no entanto, em sentido abstrato, metafórico e simbológico, esta frase é das minhas preferidas.

Mas, retornando às questões expostas preambularmente, e recordando lições sabiamente defendidas por meu Pai, e mesmo, minha mãe (cada um a seu modo, ainda mais quando esta sempre apoiou as orientações daquele) existe a Lei e existe o justo, e este segundo aspecto, normalmente, é muito difícil de detectar.

"O caminho do homem bom é cercado por todos os lados pelas iniquidades da tirania e do egoísmo do homem mau". 

Ezequiel 25:17, do filme Pulp Fiction já havia dito tudo, basta que entendamos. 

Mas não entendemos, pois não temos razões para isso, e é justamente com este aspecto que, nas mais das vezes, o vil ser humano conta.

Usa os ditames da Lei a seu favor, sem que nunca terceiros possam aquilatar ou conhecer o quão má é a sua intenção, ou mesmo o tamanho dos prejuízos que causaram, e causarão, pois os maus lidam com os despreparados, e estes são a maioria esmagadora. As ovelhas. 

E causam, dia a dia, pois, como dito acima, e, segundo os Samurais, é um entendimento que se estende a todas as coisas e relações.

O macro não difere do micro, pois deste aquele é formado. Lógicas apenas.

Não falaria em preponderâncias, sob pena de exercer a ingenuidade em grau estratosférico, mas existe o bem e o mal, e ambos os conceitos não são caretas.

Têm a ver apenas com verdade e mentira, e não padres, freiras e demônios pestilentos e odoríficos, frutos do devaneio desocupado do ser humano em geral.

Enfrentemos isso, e calemos a boca, pois, como disse, o resto é silêncio. E psicopatas sociais. E sermos fortes ou fracos. Macro e micro, ou seja, em âmbito político/social e na órbita pessoal.

Alguns seres apenas fazem rastejar. E coachar. 

Não tentemos salvá-los, pois salvação não há para a tendência. Aliviemo-nos, apenas, ao ler os seus obituários. "Ufa, um a menos".

Tentemos apenas, e com todas as nossas forças, pertencer ao pequeno grupo de humanos que conseguiram livrar-se do mal e da ignorância.

Outros, acreditam nos que rastejam, pois estes são dissimulados e astutos no que diz com o "praticar o mal", de modo que, ao fim e ao cabo, os que julgam não têm culpa, e os que acusam levianamente ficam impunes.

É o Sistema. Tratemos de administrá-lo. Isso me lembra, inevitavelmente, o Enigma da Esfinge - "decifra-me, ou te devoro...".

Assim sendo, e de certa forma, entendo a situação enfrentada atualmente pela Dilma, ao que tudo está a indicar, desonesta não é, apenas é filiada a uma agremiação desonesta, e acabou respondendo por algo que não lhe diz respeito, ainda que outras situações possam lhe dizer respeito, mesmo que não cogitadas hodiernamente.

Tiradentes que o diga.

Cada um lida com o seu sapo. Sapos pulam, mas também rastejam. Há que ser forte.

Nestes momentos, sempre lembro do "blues da piedade", do Cazuza, magistralmente interpretado pela genial Cássia - "Vamos pedir piedade...Senhor piedade, para esta gente careta e covarde...Dê-lhes grandeza e um pouco de coragem."

Ou, como diz a Banda gaúcha Ultramen - "Gente pequena, gente ruim, gente fraca...".

Mundo feito de gente sem-vergonha. 

Ao menos, sabe-se que estão sempre convivendo com o subproduto de suas ações nefastas, ainda que não percebam, já que poluídas pelo mau instinto de vida. 

Fosse eu religioso, diria: "aqui se faz, aqui se paga", sendo apenas uma questão de tempo. Deparar-se-ão com piores que eles, ou apenas morrerão sofrendo e com muita dor.

Gente cagada, mal-feita, oca, que costuma ter uma notícia ruim por dia.

A vida se encarrega de expurgá-los, não os homens e suas leis hediondas, formuladas para seres hediondos.

"Ao porco tirano, e suas Leis hediondas...nosso cuspe e o nosso desprezo..." Vitor Ramil.

Sobre isso, direi apenas isso. E já disse demais.

O resto...é silêncio...e interpretações embaçadas...















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