sábado, 26 de março de 2016

ORLANDO SENNA - TEATRO E CONTRACULTURA



TEATRO E CONTRACULTURA...........HOMENAGEM A ORLANDO SENNA................GRANDE CARA.................MUITO INTELIGENTE................E VIVENCIOU SITUAÇÕES ÍMPARES AO LADO DE ÍMPARES SERES HUMANOS, COMO SARTRE, FIDEL E MARIO VARGAS LLOSA...................ALÉM DA JANIS JOPLIN.......HISTÓRIA VIVA............PODERIA FICAR HORAS OUVINDO SUAS AVENTURAS PELA VIDA..........ASSIM COMO O OSCAR NIEMEYER...........ADORAVA ESTE VIVENTE............TAMBÉM..........ASSIM COMO TODOS OS CITADOS ACIMA.................


""""Poluição audiovisual (Orlando Senna)

Estou vendo filmes da década 1940, franceses e estadunidenses. Em preto e branco, fotografia com forte contraste luz e sombra, narrativa com tempos para reflexão e respiração. Sem jorros de sangue ou vísceras expostas, um tratamento da violência completamente distinto do que vemos nos filmes e telesséries da atualidade. De vez em quando organizo essas mostras particulares, vistas em casa pela família, de filmes antigos. Funciona como uma desintoxicação audiovisual.

A visita à arte cinematográfica de 70 anos atrás se me apresentou como uma necessidade sanitária porque sofremos, minha mulher e eu, forte exposição à pirotecnia e à velocidade das informações na TV. Estávamos tentando ver uma telenovela e, durante os intervalos ou porque nos cansávamos de ver, mudávamos constantemente de canal, zapeando como adolescentes. Os anúncios dos próprios canais e a propaganda comercial se transformaram em poluição audiovisual.

O estilo "velozes e furiosos" produz em mim, na minha companheira, em muita gente que conheço e creio que em muita gente que não conheço uma espécie de agressão à sensibilidade, um assédio aos neurônios.

Além de ser uma mesmice, formato igual para todos os canais (apenas alguns canais públicos não o utilizam), é de uma pobreza estética e conceitual de dar dó.

A novidade e a qualidade dos videoclipes que inspiraram o formato ficaram para trás, o que hoje se vê e ouve é uma degeneração da proposta surgida há meio século (Now de Santiago Alvarez, o primeiro kinoclipe) de aceleração do ritmo ao juntar música e imagens.

O que resta é um pipocar exagerado de cortes, fusões e algaravia sonora. A propaganda do comércio varejista é a pior, parece que cada cenário é uma casa de loucos em momento de surto.

Sabe-se que a vida humana ganhou ritmos mais rápidos e sincopados nos últimos tempos e que a arte tende a acompanhar o diapasão da vida.

Isso é uma coisa, outra coisa é acentuar, enfatizar além da conta, ostentar o tictac da edição em uma medida exagerada. O efeito é adverso ao que se está tentando, não resulta em uma comunicação mais efetiva e sim em monotonia."""





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