quarta-feira, 16 de março de 2016

AMIGOS E EPÍLOGOS...E UM POUCO DE VERDADE...E DE SAUDADE









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"Justamente por isso Nietzsche julga ser uma “festa” morrer.
Quando o vivente torna-se livre de sua vida, ele dispensa os “erros”, causadores do sofrimento, e se “reconcilia com o real” (versöhnen mit dem Wirklichen), isto é, com o mundo da “força contra força”.
Num certo sentido, por fim, não deixa de ser razoável admitir que a passagem do orgânico para o inorgânico representa um notável avanço."

(...)

Em contrapartida (À MORTE COVARDE), para Nietzsche, a “morte voluntária” é aquela que vem no “tempo certo” porque “eu quero”.
A maneira de querer a morte agora distingue-se daquela cultivada pelos pregadores da morte. Antes de desejar a morte porque se morre, o adepto da morte voluntária quer a morte para afirmar a si mesmo.
Deixa de fazer sentido tomar a morte por um estranho que rouba a vida, pois ela é sempre a “minha” morte, ou seja, algo de intrínseco ao meu próprio ser.
Portanto, o excessivo apego à longevidade passa a ser condenável.
No entender de Nietzsche, quando não é mais possível viver “orgulhosamente”, deve-se optar por morrer orgulhosamente e não continuar vivendo indecentemente na dependência de médicos e tratamentos.
Em todo caso, a apologia ao suicídio deve ser vista com reservas. A questão é que toda morte, natural ou não, é um suicídio, pois invariavelmente perecemos por obra de nós mesmos. Somente aqueles que desfrutam a morte covarde têm a impressão (equivocada) de a morte “ser uma obra de outro alguém”.
Atinge-se a “liberdade para a morte” quando se “morre a tempo”. Para aqueles que morrem no “tempo errado”, sempre se morre demasiado tarde ou demasiado cedo, pois “quem nunca vive a tempo, como iria morrer a tempo?”
Portanto, o caminho que vai da vontade coagida pela morte à vontade livre para a morte passa por uma profunda modificação na percepção do tempo. Para quem está convencido de que o tempo passa, a vida, assombrada pelo “foi assim” inalcançável para a vontade, nunca é completa, de modo que a morte só pode chegar como um acaso, isto é, no “tempo errado”.
Já a vontade que diz “assim eu quis” para o “foi assim” é aquela capaz de afirmar a própria morte, que só pode chegar no “tempo certo”. Com o assentimento ao “foi assim”, a vontade se livra de seu cativeiro e se reconcilia com o tempo. A vontade torna-se, então, livre.
Porém, não basta afirmar o tempo que passa, é preciso desejar que ele retorne por toda a eternidade. Nietzsche submete o homem a um teste crucial, uma vez que antes de propor que o homem triunfe sobre o espírito de vingança, ao se reconciliar com o tempo, o filósofo aposta que a redenção só se consuma com a transformação do próprio tempo. Mediante o desejo de viver a vida “incontáveis vezes”, o que inclui “cada dor e cada prazer e cada suspiro e cada pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno”, o tempo não é mais um “passar”. O “foi assim” só existe para aqueles que tomam tudo o que acontece como um acaso.
A morte que rouba, violenta, ataca, frustra, limita, etc., é um sintoma mórbido do homem cujo tempo é aquele do pai que devora os seus próprios filhos.
Com a adesão à eternidade do instante, passamos a ser completos e a morte nunca chega."
(apud file:///C:/Users/Usuario/Downloads/64790-85777-1-PB.pdf).


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Pra variar, uma interessantíssima abordagem sobre o pensamento do genial Nietzsche, atentamente extraída de um excelente trabalho de conclusão de curso, cujos créditos seguem abaixo. 

Nesta primeira parte, homenagem e registro ao fato de haver perdido um grande amigo de doze anos. Grande amigo. Ponto. O resto pertence apenas a mim.

Mas o que importa mesmo não é a abordagem, e sim as referências a Nietzsche, confesso. E me desculpo. 

E homenageio um grande amigo, que, apesar de sua natureza não humana, sabia ter mais lógica que nós, portanto, prefiro refletir sobre as suas lições do que "dramar".

E amava o fogo.

Resta apenas lamentar por aqueles que possam achar um tal tema irrelevante ou menor. Não escrevo para ninguém. Escrevo porque escrevo, e escrevo o que quero, como o pensamento que livre voa. 


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Que ordinário seria eu se não mais escrevesse. 

Que covarde, que patético. A coisa só é apagada quando é apagada, por mais besta que isso possa parecer.

O que teria acontecido para que não mais fosse preenchido o vazio das cibernéticas e relativamente virtuais folhas em branco.

Nada que um tapa na cara e um copo de "whisky" não resolva, como costumava dizer Humphrey Bogart.

Nada que afastar as moscas e monstros não acabe resolvendo.

Não devemos contar com a compreensão do mundo, e sim lançar mão de suas incompreensões, sob pena de bancarmos os tolos e as vítimas de sistemas que, por natureza, modo atávico, são opressores.

Por isso é que algumas trutas não conseguem subir as corredeiras, e reproduzir. Por isso é que algumas espadas "Katana" não chegam ao final da forja. Quebram apanhando do martelo do ferreiro.

Na vida, já deveríamos estar acostumados, pois o que é trágico se nos apresenta todos os dias, basta ver o cretino do Lula virando Chefe da Casa Civil da Dilma. 

Surreal. Hediondo. Aberrativo. Acostumados estamos, pois, a conviver com as aberrações, pois até em chupa-cabras acreditamos.


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Que ordinário e canalha seria eu se não mais escrevesse.

Não se escreve para alguém, nem para satisfazer utópicas e teatrais idiossincrasias...escrevemos porque escrevemos...e escrevemos o que quisermos...a palavra...assim como o choro...a vaidade e o despeito...são livres...e nos rodeiam por todos os lados.

As almas pequenas, ruins e fracas, sempre estiveram ao nosso entorno, como ervas daninhas, que vão se tornando, OU NÃO, visíveis, e, como tal, acabam por envenenar o ambiente, seja ele qual for.

Existem ambições pessoais surreais, em relação às quais, devemos manter distância regulamentar, pois, por menos que nos esforcemos, elas querem nos aniquilar, e as razões são infinitas e nada interessantes, dispensando, pois, maiores comentários.

Na Idade Média, era normal que familiares envenenassem os próprios familiares, normalmente em busca de Poder e Hegemonias morais e pessoais.

Não mudamos tanto. Continuamos queimando nossas bruxas. Continuamos serrando pescoços com serras elétricas em rede mundial. 

É simplesmente o nosso velho e bom cinismo delirante, discreto charme, que nos faz moderar nossos pérfidos modos e pensamentos, sadomasoquistas que somos, tão desprezíveis que gostamos de calar diante da chacina de presos ou soltos, em crimes perpetrados pela polícia, nossa "longa manus". 

Pois assim é o caminho do homem bom...em contrapartida ao homem mau e as iniquidades de sua tirania e egoísmo, conforme nos informa o Ezequiel 25:17, do consagrado e genial PULP FICTION.

Escrever funciona mais ou menos como o BLUES DA PIEDADE, que, no bojo de seus sábios ensinamentos, apenas anuncia: (bom mesmo é com a Cássia Eller)


"Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo, derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com caras de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo
Que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas mini-certezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar, fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade 
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues
Com o pastor e o bumbo na praça.
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade


Acho que isso é bem parecido com o que acabo fazendo ao deixar as minhas frases rolarem, só que aqui, ao invés de "cantar"..."escrevo".

*Pois escrevo "para os miseráveis, que vagam pelo mundo derrotados, para estas sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas, pras pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não têm...".

Até porque, nas mais das vezes, e por razões diversas e infinitas, justamente as pessoas que mais deveriam incentivar prodigiosas caminhadas, nem sempre o fazem, como fez o irmão de Van Gogh

Ou o pai deste ou daquele, que insiste em acreditar nas estórias de gnomos e elfos, pois os loucos já foram carimbados e encaminhados. Algo confortador, eventualmente.

Para ser louco, nas mais das vezes, basta que isso seja registrado e carimbado. Os outros, são apenas...normais, portanto, portadores de credibilidade, mesmo que não sejam (?)

Como saber?...sorte ou azar...nascer ou não um idiota, ainda que competente para questões outras, como...........auferir ganho financeiro.

Fossem os homens como as criaturas, e o mecanismo seria bem menos hipócrita, cínico. 

Seria mais visceral, mas antes as entranhas do que o pérfido e fétido teatro do dia a dia, onde loucos figuram como normais, ocupando posições de destaque, e a verdade foi relegada aos também viscerais hospícios. 

As vísceras estão lá e aqui pois derivam da mesma fonte, como os "nazifuckers" e seus "sobibores". Atos que geram fatos, e vice-versa.

Contudo, hoje não falarei em vísceras, nem escreverei para os miseráveis, que vagam pelo mundo derrotados. Não falarei sobre nada. 

Apenas registrarei a homenagem ao amigo que se foi, embora o céu esteja caindo sobre nossas cabeças, não só sempre, como no campo da suja e pérfida política desenvolvida em nosso país, com a qual aquiescemos ao eleger ano após ano os mesmos escrotos.

E foda-se quem não gosta de palavrões. Eu gosto.

Portanto, ao amigo:

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu prantoAo seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

Fossem os homens como as criaturas, e o mecanismo seria bem menos hipócrita, cínico. Sempre presente "meu brother". 

O tema é maior que os temas ditos maiores, pois estes últimos não são, haja visto que refletem, uma vez mais, nossas mais intrínsecas fraquezas, as quais já deveríamos ter resolvido, assim como palestinos e judeus, ou muçulmanos e o mundo.

Prefiro ser, então, mais raso, pois aí está a verdadeira nobreza. O resto se perdeu na falsa noção do que venha a ser sério. Sério é o Vale do Silício, e o meu cão. E outras coisas que não revelarei para que incapazes não sejam expostos. Apenas a maldade deve ser exposta neste último caso, mas isso a ninguém interessa, também. 

Deixemos assim portanto.

E vão se foder, vocês e suas falsas construções de mundo e de si mesmos. Suas verdades convenientemente forjadas.

"Quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que precisava provar nada pra ninguém" (...) "Mentir pra si mesmo é a pior mentira" (...) "Mas não sou mais tão criança... ponto de saber tudo"..."Já não me preocupo se eu não sei porque...às vezes o que eu vejo quase ninguém vê..." (...) "sei que as vezes uso palavras repetidos...mas quais são as palavras que nunca são ditas...".


"Feche a porta do seu quarto...porque se toca o telefone...pode ser alguém com que você queira falar...por horas e horas e horas"   (...)  "noite acabou...talvez tenhamos que fugir sem você..." (...) "somos pássaro novo...longe do ninho". (...)

















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