quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

SÉRGIO...


O Pai
Terra de semente inculta e bravia, terra onde não há esteiros ou caminhos, sob o sol minha vida se alonga e estremece. 
Pai, nada podem teus olhos doces, como nada puderam as estrelas que me abrasam os olhos e as faces. 
Escureceu-me a vista o mal de amor e na doce fonte do meu sonho outra fonte tremida se reflecte. 
Depois... Pergunta a Deus porque me deram o que me deram e porque depois conheci a solidão do céu e da terra. 
Olha, minha juventude foi um puro botão que ficou por rebentar e perde a sua doçura de seiva e de sangue. 
O sol que cai e cai eternamente cansou-se de a beijar... E o outono. Pai, nada podem teus olhos doces. 
Escutarei de noite as tuas palavras: ... menino, meu menino... 
E na noite imensa com as feridas de ambos seguirei. 

Pablo Neruda, in "Crepusculário" 

Que saudade forte senti hoje desta pessoa que tanto admiro e amo. Nunca passamos longe o Natal. Nunca moramos há mais de cento e poucos quilômetros.

Que criatura bem forjada, que força boa, que companhia inigualável. 

Um Feliz Natal ao meu pai querido, sempre presente e sempre tão presente.







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