"PANORAMA ALÉM
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.A cegueira no olhar. Toda a noite caladano ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?"
Cecília Meireles
************ PRÓLOGO - Allegreto ************
Eis uma janela, aparato que tanto aprecio. Falo de janelas em geral, ainda que esta particularmente haja me despertado afeições mais latentes.
Não só pelo seu estilo antigo, isso é coisa de decorador, mas pela sua alma, pelo seu antigo carregado de energia de vidas que ali habitaram, estorias e significados de priscas eras, cheiros característicos, como as bibliotecas, sons estranhos, e habitantes dos forros e quartos escuros.
Os do forro já tive o prazer de conhecer.
Gosto de janelas assim como escadas, mas as escadas serão objeto de escrito próprio, sob pena de tornar eterno o presente.
E, assim como os diretores europeus, e mesmo o Bill Gates gostam de fazer, vamos abrindo janelas, as quais não necessariamente guardam pertinência com a anterior, ainda que normalmente guardem...
E por que deveriam guardar???
A criação se expressa como escolher...não serão as nossas mundanas regras que limitarão as suas infinitas formas de exteriorização...apenas mundanos pensamentos...e estes sempre andarão sozinhos...há imperfeições que jamais se salvam...
Somos apenas o canal pelo qual as ideias fluem. Ou não somos, e apenas nos tornamos leitores.
Ou, em último caso, rastejamos até um baile onde a principal trilha sonora seja o sertanejo, universitário ou não, e o funk, onde nos misturamos a dezenas de seres semelhantes, que se contentam em viver as vidas como as novelas, repetindo os mesmos dramas e as alegrias enlatadas ditadas pela grande mídia.
E referendadas pelo politicamente correto senso comum, aquele que faz com que a minha comida hoje em dia nos restaurantes, venha sem sal e sem pimenta, e os doces sejam produzidos sem açúcar.
Mais do que vidas secas, são vidas sem graça.
Contudo, afora eventuais e prodigiosos devaneios, retornemos ao tema principal deste ato - as janelas e adornos antigos.
Adoro janelas antigas. E casas antigas. E antigos adornos, sacros ou não.
Não sabia que gostava.
Surpresas a esta altura da vida, sobre temas aparentemente assentados.
Não só desconhecia qualquer tendência a admirar e mesmo habitar tais moradias ou prédios, como imaginava o contrário sobre o tema, o que prova, uma vez mais, que não conhecemos nem a nós mesmos acerca de temas comezinhos, que dirá os mais densos, por mais tenhamos opiniões sobre quase todos os assuntos (ou assim imaginemos).
Recordo que por algum tempo, isso tinha a ver com melancolias intrínsecas, vagas, mas bastante perceptíveis no que diz respeito ao fato de estar lidando com objetos ou construções antigas.
Estas sensações, com o tempo, se foram, o que prova, por outro, que as sensações de tristeza vêm de dentro, e não de fora, a menos que não estejamos preparados, como era o meu caso, ainda que alguns vivam 100 anos e desapareçam ainda despreparados.
Se acreditasse em outras vidas, poderia supor que este indivíduo do exemplo acima teria que nascer de novo, e viver outras vidas até alcançar patamares evolutivos mais elevados.
Mas não acredito, então, sob um ponto de vista existencialista, resta apenas lamentar por este ser, que acabou por abandonar a existência sem cumprir missões básicas, como entender as coisas como elas são, sem fantasias e influências internas negativas, pois ambos os elementos devem ser controlados e domados por um ser humano suficientemente evoluído.
Caso contrário, seremos vítimas de nós próprios, de nossas próprias limitações.
Destas não podemos ser vítimas, ou não devíamos nos dar a tal luxo, pois o controle destas fatores está apenas em nossas mãos, o que não acontece no caso de um míssil atingir a sua cabeça.
Mas, ainda sobre as casas antigas e adornos, os quais me agradam particularmente, como Gárgulas, cruzes, e as peculiares estátuas de cães, tigres, chacais ou leões, que quase sempre aparecem em dupla, cuja finalidade era não só exteriorizar o poder financeiro de que os detinha, mas também estabelecer marcos simbólicos de defesa, força e propriedade, conceitos tão arraigados na evolução não só humana.
Já descobri que um ateu pode admirar adornos sacros, sendo prescindível nutrir qualquer crença em seus significados religiosos.
Muitas vezes os símbolos são maiores do que as crenças que os elegeram como figuras veneradas, e muitas vezes o significado pessoal que se confere a determinado símbolo é o que vai interessar mais.
A suástica, por exemplo, que veio a figurar como o principal dos símbolos nazistas, em sua origem, nada tem a ver com aquela odiosa orientação política.
O mesmo se verifica no caso das cruzes em geral, pois mesmo a suástica é uma espécie de cruz. Senão, vejamos:
"Suástica:
Símbolo religioso em forma de cruz cujas hastes têm as extremidades recurvas ou angulares (com a forma da letra grega maiúscula gama ) e que, entre brâmanes e budistas, representava a felicidade, a boa sorte, a saudação ou a salvação; cruz gamada.
Essa mesma cruz, com os braços voltados para o lado direito, foi adotada como emblema oficial do III Reich e do Partido Nacional-Socialista alemão, e se tornou símbolo do nazismo; cruz gamada.
Cruz:
Cruz (do latim cruce) é uma figura geométrica formada por duas linhas ou barras que se cruzam em ângulo de 90°, dividindo uma das linhas, ou ambas, ao meio. As linhas normalmente se apresentam na horizontal e na vertical; se estiverem na diagonal, a figura é chamada de sautor, ou aspa.
A cruz é um dos símbolos humanos mais antigos e é usada por diversas religiões, principalmente a católica. Alguns cristãos não a usam como símbolo.
Na subcultura gótica, surgida ao final da década de 1970, o símbolo geralmente representa sofrimento, dor ou angústia.
Na Roma Antiga, antes mesmo da morte de Jesus, uma cruz era usada para atar ou pregar condenados à morte por crucificação, fazendo-os padecer terrivelmente."
Portanto cruzes não se relacionam necessariamente ao catolicismo, assim como suásticas não nasceram a partir de conceitos aleatórios dos aberrantes nazistas.
Mas, (e uma vez mais) retornando ao tema de abertura, onde divagávamos acerca de janelas e casas antigas, necessário enfatizar que as noites nestes locais são particularmente interessantes e instigantes.
Talvez por isso haja escolhido um "preâmbulo cecílico", onde ela, uma vez mais, revela suas inclinações pelos meandros psicológicos da vida noturna.
Não a social, evidentemente, onde habitam as almas perdidas, ainda que não possuam ciência acerca de tal condição, caso contrário, e muito possivelmente, almas perdidas não seriam.
O cretino só é cretino porque não conhece sua própria condição, nem possui condição de chegar a um tal entendimento.
Por isso mesmo é que não se deve perder tempo tentando explicar a um cretino que ele é cretino.
Recordo uma passagem breve - caminhava com meu irmão pela rua, indo para a escola, quando deparamo-nos com uma mulher velha (o famoso idade provecta ou melhor idade para os politicamente corretos, gente sem sal nem açúcar que não gosta do horário de verão), com aspecto amargo e rabugento, portando uma Bíblia.
Daquelas que não devem depilar os pentelhos, usam calcinhas gigantes cor de pele, e fedem a papel higiênico, falta de criatividade e hipocrisia.
Essa gente que é tão fraca que se sujeita a ter a vida ditada por elementos externos, sejam escritos, sejam animados, mas sempre oriundos de humanos e seus devaneios religiosos, em busca de fugas para o fato de que são finitos, e que acham que para alcançar o nirvana devem viver vidas cínicas e sem prazeres.
Esse pessoal mesmo, que dita sua caminhada com cinquenta por cento de cinismo e o resto com ausência de possibilidade de expandir o pensamento.
Por isso mesmo é que seres humanos frequentam "templos" evangélicos e votam no Paulo Maluf, na Manuela Dávila (cito por sua inutilidade - não basta honestidade...tem que haver utilidade), Michel Temer, Collor, Calheiros, Cunha, etc.
Pois é, essa velha, exemplar rastejante desse tipo de humano descrito acima, reclama de nossos cabelos compridos, e, ao mesmo tempo em que bradava a Bíblia com a mão esquerda, franzia seus vincos negativos, vícios de rosto, talvez por viver subjugada pelo marido e pelo sistema, e vomitava outras besteiras do gênero, balbuciando sandices sobre supostos demônios.
Usava uma daquelas meias grossas, também cor de pele, onde se pode notar a forte presença de pelos adornando suas mal desenhadas pernas.
Fico pensando na área genital, e os fenômenos que ali poderiam ser verificados. Freak show:::
"Um show de aberrações, também chamado de show de horrores e freak show, consite na exibição de humanos ou outros animais dotados de algum tipo de anomalia relacionada a mutações genéticas, doença e/ou defeito físico. Tais exibições ocorriam frequentemente em circos e carnavais, especialmente entre os anos de 1840 até 1970. Dentre as atrações mais recorrentes, havia mulheres barbadas, gêmeos xifópagos, casos de gigantismo e nanismo, casos de teratologia etc."
Uma piada da existência humana, não fosse o fato de que essa gente abominável (por sua ignorância...e ternos mal alinhados), começou, recentemente, a ditar os rumos da política, ao eleger pastores incompetentes, oportunistas e ladrões para ocupar cadeiras no congresso nacional, que, por natureza, já é um antro de ratos.
Neste momento comecei a me preocupar mais com essa choldra, haja vista que vão tomando conta dos meios de comunicação e arrebanhando esta escumalha, este grupo de tolos idiotas que acredita e banca imbecis espertalhões e canalhas que se auto denominam pastores e bispos, mas não passam de raposas disfarçadas de anjos, cuja única utilidade é tungar o dinheiro de cretinos ditos evangélicos, que dão o seu suor e sangue para bancar estruturas de aniquilamento moral e intelectual.
Mas...retornando à velha e sua tirania moral, talvez esta, aproveitando-se do fato de que de que tínhamos apenas 14 ou 15 anos, esta velha, uma triste figura, horrenda catatura, haja dirigido impropérios relacionados ao comprimento de nossas melenas, eu e meu irmão.
Neste momento comecei a me preocupar mais com essa choldra, haja vista que vão tomando conta dos meios de comunicação e arrebanhando esta escumalha, este grupo de tolos idiotas que acredita e banca imbecis espertalhões e canalhas que se auto denominam pastores e bispos, mas não passam de raposas disfarçadas de anjos, cuja única utilidade é tungar o dinheiro de cretinos ditos evangélicos, que dão o seu suor e sangue para bancar estruturas de aniquilamento moral e intelectual.
Mas...retornando à velha e sua tirania moral, talvez esta, aproveitando-se do fato de que de que tínhamos apenas 14 ou 15 anos, esta velha, uma triste figura, horrenda catatura, haja dirigido impropérios relacionados ao comprimento de nossas melenas, eu e meu irmão.
Nunca esqueci que meu irmão imediatamente respondeu àquele abutre vestido de velha, que Jesus desde sempre foi representado em imagens com os cabelos compridos...
Aquele urubu se foi, em meio a nossos risos, e suas contradições, preconceitos e ignorâncias, das quais, provavelmente, nunca se salvou.
Assim como na ocasião em que eu e meu irmão promovemos o Partido dos Trabalhadores para um senhor que estava enaltecendo o Fernando Collor, outro rato de esgoto.
E aquele velho e agressivo humano respondeu algo no sentido de que já tinha idade, e sabia o que era certo ou errado, e meu irmão respondeu que não tinha adiantado nada ele viver quase 60 anos...
Meu irmão estava certo, e não tinha mais do que 14 anos...às vezes isso acontece....aliás sempre acontece...
Mas...nas casas antigas sempre habitam fantasmas, acreditemos ou não neles, buscando resgatar os seus laços familiares, as festas e reuniões que ali aconteciam, os finais de tarde debruçados nas janelas a observar o movimento, seus amores e desamores, sonhos, segredos, devaneios, como este que ora se vos apresenta.
Janelas com desenhos antigos, choros, risos, quiçá gerações, trincos por fora das portas a fim de preservar castidades que não queriam ser preservadas, velas, pois o dia terminava mais cedo, a noite era longa, incentivando o cultivo de desejos silenciosos, sofrimentos ou alegrias existenciais, aflições e conquistas, escritos noturnos em diários sigilosos, fotos perdidas em livros antigos.
Agradecendo as noites de vento e ou chuva em que não era preciso controlar tanto o ruído, e os gestos podiam ser mais largos, e os pensamentos se expandirem mais, e voar.
Um voo tão melancólico quanto a realidade que os oprimia. A todos, inclusive quem se imaginava no controle.
Um voo tão melancólico quanto a realidade que os oprimia. A todos, inclusive quem se imaginava no controle.
************ ATO I - Presto ************
Quando nasceu a madrugada, resolvi manusear uma vez mais os dois livros que tomei emprestados junto à biblioteca pública local.
Podem ser retirados dois livros de cada vez, em espaços de duas semanas. Ou menos.
Podem ser retirados dois livros de cada vez, em espaços de duas semanas. Ou menos.
Tudo isso pela módica quantia anual de vinte reais.
Ou são loucos ou realistas.
Imagino que loucos não sejam, face ao excelente tratamento a mim dispensado. Talvez porque lhes sobre tempo, mas prefiro acreditar que simplesmente sejam humanos bem preparados.
Enfim, desta vez trouxe Drummond e Cecília para conhecerem meu humilde habitáculo. Na capa do primeiro lê-se: “Drummond – O Poder Ultrajovem e mais 79 Textos em Prosa e Verso”.
E na capa do segundo exemplar: “Poesias Completas de Cecília Meireles”.
Evidentemente chamou a atenção o destaque de capa do livro de Drummond - "O Poder Ultrajovem", que consiste em uma coletânea de pequenas crônicas.
Confesso, aliás, atrevo-me a confessar que achei sem graça estes escritos iniciais, os quais, sendo o destaque da edição, e considerando a sua ausência de "fatores empolgativos", não faziam crer que, aqueles não destacados, pudessem ser mais empolgantes.
Ainda mais depois de ler o subtítulo "No Restaurante", algo politicamente correto por demais, enredo cansativo e enredado, com um arremate que mais se afeiçoa aos felizes desfechos de filmes americanos, daqueles bem chatos e tão previsíveis que chegam a não ser previsíveis, e uma fábula final em forma de charada profética que não veio a se concretizar, considerando que o escrito foi produzido em meados dos anos setenta.
Dizia o Autor em tom pomposo e profético, que "se, na conjuntura o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem", ainda mais quando Drummond se baseia em arquétipos infantis como supedâneo de sua conclusão, que nos é ofertada em forma de fábula.
Pois é, Senhor Drummond, o tal de Poder Ultrajovem cagou tudo de novo.
Estranha, mas compreensível esta inevitável tendência do ser humano em ter esperança nas gerações futuras, ainda mais que quem as forja são as presentes.
Tentam, talvez, se isentar parcialmente de suas bobagens, quando, ao menos, reconhecem o seu erro, o que também não resolve nada.
Trata-se de lógica. Não estava com sono. Fiquei com sono, e com uma sensação de estar lendo algo que podia prever o que vinha logo a seguir.
Foi então que passei ao exemplar de Poesias Completas de Cecília Meireles. O sono passou. Estava quase deitado, e sentei. Senti empolgação. Senti o que se sente quando se está diante de algo genial.
Concentrei minhas atenções, pois, neste exemplar.
E este ato termina assim. Simplesmente assim. O que mais poderia ser dito, quando o presente escrito é dedicado e inspirado em Cecília??
O que mais poderia eu dizer, após falar mal de Drummond???
Então, sobre isso, era isso.
Evidentemente chamou a atenção o destaque de capa do livro de Drummond - "O Poder Ultrajovem", que consiste em uma coletânea de pequenas crônicas.
Confesso, aliás, atrevo-me a confessar que achei sem graça estes escritos iniciais, os quais, sendo o destaque da edição, e considerando a sua ausência de "fatores empolgativos", não faziam crer que, aqueles não destacados, pudessem ser mais empolgantes.
Ainda mais depois de ler o subtítulo "No Restaurante", algo politicamente correto por demais, enredo cansativo e enredado, com um arremate que mais se afeiçoa aos felizes desfechos de filmes americanos, daqueles bem chatos e tão previsíveis que chegam a não ser previsíveis, e uma fábula final em forma de charada profética que não veio a se concretizar, considerando que o escrito foi produzido em meados dos anos setenta.
Dizia o Autor em tom pomposo e profético, que "se, na conjuntura o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultrajovem", ainda mais quando Drummond se baseia em arquétipos infantis como supedâneo de sua conclusão, que nos é ofertada em forma de fábula.
Pois é, Senhor Drummond, o tal de Poder Ultrajovem cagou tudo de novo.
Estranha, mas compreensível esta inevitável tendência do ser humano em ter esperança nas gerações futuras, ainda mais que quem as forja são as presentes.
Tentam, talvez, se isentar parcialmente de suas bobagens, quando, ao menos, reconhecem o seu erro, o que também não resolve nada.
Trata-se de lógica. Não estava com sono. Fiquei com sono, e com uma sensação de estar lendo algo que podia prever o que vinha logo a seguir.
Foi então que passei ao exemplar de Poesias Completas de Cecília Meireles. O sono passou. Estava quase deitado, e sentei. Senti empolgação. Senti o que se sente quando se está diante de algo genial.
Concentrei minhas atenções, pois, neste exemplar.
E este ato termina assim. Simplesmente assim. O que mais poderia ser dito, quando o presente escrito é dedicado e inspirado em Cecília??
O que mais poderia eu dizer, após falar mal de Drummond???
Então, sobre isso, era isso.
************ ATO II - Allegro Cantante ************
Não odeio ratos, exceto aqueles do Planalto, não pretendendo incorrer em clichês. É que às vezes estes são simplesmente a representação pura da realidade.
Clichês são ideias repetitivas e ultrapassadas, vetustas, impregnadas e não necessariamente verdadeiras.
Já as representações de realidade orbitam núcleo diverso, ainda que, ocasionalmente coincidam com aqueles. São simplesmente o que é. São conceitos crus, quando não, viscerais.
Clichês são ideias repetitivas e ultrapassadas, vetustas, impregnadas e não necessariamente verdadeiras.
Já as representações de realidade orbitam núcleo diverso, ainda que, ocasionalmente coincidam com aqueles. São simplesmente o que é. São conceitos crus, quando não, viscerais.
Mas...sobre os ratos...antes que eu me perca explorando a ceara dos estéreis conceitos...não os odeio...apenas não me conforta a ideia de que pretendam fazer de sua habitação, a minha, ou, de minha habitação, a sua, tendo em vista o sem número de doenças que estes infelizes seres podem causar.
Moléstias por demais conhecidas a esta altura, que o diga Deus, o qual, no alto de sua ira, despejou a peste negra sobre nós.
Moléstias por demais conhecidas a esta altura, que o diga Deus, o qual, no alto de sua ira, despejou a peste negra sobre nós.
Temperamental, como sempre.
Um dia cria, noutro destrói. Um dia permite que crianças sejam curradas, noutro floresce as rosas (Hiroshima¿¿), e o Jasmim.
Bipolar. Lá na terra onde nasci, isso se cura com um “joelhaço” no saco escrotal do indivíduo.
Um dia cria, noutro destrói. Um dia permite que crianças sejam curradas, noutro floresce as rosas (Hiroshima¿¿), e o Jasmim.
Bipolar. Lá na terra onde nasci, isso se cura com um “joelhaço” no saco escrotal do indivíduo.
Afinal, se o Altíssimo criou os psiquiatras, que usufrua de sua criação de maneira mais próxima, ou simplesmente lance mão de sua onisciência para alcançar a verdadeira verdade.
E se criou os cientistas, que consuma Rivotril.
Talvez assim não me torre mais o saco promovendo chacinas de minorias étnicas na África e no Mundo Árabe, quando estiver de mal humor.
Ou a mortandade de mulheres por seres criados a sua imagem e semelhança, a menos que com isso seja o Criador conivente, caso em que os abutres levarão aos céus a intimação por descumprimento de preceitos da Maria da Penha.
Ou a curra de uma criança, durante dois dias, e por dois homens, finalizados com estrangulamento.
Essa estória de pecado original e livre arbítrio serve apenas, e como sempre, para isentar o Deus cristão, ou por acaso o Todo Poderoso iria ficar deprê em um sofá, observando as porcarias de suas criaturas que não deram certo ao escolher o caminho do mal?????
Ora, convenhamos, não estou nem mencionando o fato de que Ele já sabia tudo o que viria a seguir, pois é onisciente, onipotente, onipresente....onitudo....
De modo que não só poderia forjar seres melhores desde suas concepções, como poderia alterar o que veio após, ao invés de ficar fazendo "testezinhos" cretinos com cobras e maças em relação a seres que Ele mesmo criou e, portanto, sabe qual reação eles teriam.
E as pessoas acreditam nisso. E se matam por isso.
As pessoas adoram acreditar em irrealidades, só assim conseguem se aliviar do que não podem ser, do que não podem conseguir das pessoas e da própria ideia de finitude.
Ou a curra de uma criança, durante dois dias, e por dois homens, finalizados com estrangulamento.
Essa estória de pecado original e livre arbítrio serve apenas, e como sempre, para isentar o Deus cristão, ou por acaso o Todo Poderoso iria ficar deprê em um sofá, observando as porcarias de suas criaturas que não deram certo ao escolher o caminho do mal?????
Ora, convenhamos, não estou nem mencionando o fato de que Ele já sabia tudo o que viria a seguir, pois é onisciente, onipotente, onipresente....onitudo....
De modo que não só poderia forjar seres melhores desde suas concepções, como poderia alterar o que veio após, ao invés de ficar fazendo "testezinhos" cretinos com cobras e maças em relação a seres que Ele mesmo criou e, portanto, sabe qual reação eles teriam.
E as pessoas acreditam nisso. E se matam por isso.
As pessoas adoram acreditar em irrealidades, só assim conseguem se aliviar do que não podem ser, do que não podem conseguir das pessoas e da própria ideia de finitude.
E o Criador será julgado por suas criaturas, algo incomum, mas que ocorre no dia a dia, como foi o caso dos EUA e seu Osama, este último forjado no Paquistão entre frias guerras, gestado no limbo e no frio, parido no inferno, e parecido com seus criadores.
Frutos não caem longe...etc
MAS FALÁVAMOS SOBRE OS RATOS...
MAS FALÁVAMOS SOBRE OS RATOS...
Na verdade, afora os preconceitos, os ratos são criaturas simpáticas, “bonitinhas”, exceção feita às suas caudas (rabos), que não só representam flagrantemente a sua involução, como são esteticamente repugnantes, eméticas, cheias de rugas cinzas e pelos mal distribuídos.
Como os pelos que adornam as peles que padecem de patologias dermatológicas, como a escabiose, popularmente conhecida simplesmente como "sarna".
Aliás, isso me faz lembrar que "o vício é que nem sarnoso...nunca pára nem se ajeita..."
A cauda (cola, rabo), é um apêndice (dizer desnecessário após “apêndice” seria incorrer em redundância).
Como os pelos que adornam as peles que padecem de patologias dermatológicas, como a escabiose, popularmente conhecida simplesmente como "sarna".
Aliás, isso me faz lembrar que "o vício é que nem sarnoso...nunca pára nem se ajeita..."
A cauda (cola, rabo), é um apêndice (dizer desnecessário após “apêndice” seria incorrer em redundância).
Pois na noite anterior tive a oportunidade de ouvir o tenso, ansioso, sinistro, intrigante e paradigmático som metálico, fugaz e euforizante da ratoeira que havia armado horas antes, adornada com um apetitoso e desejado pedaço de queijo Fontina, maravilha para usar na comida. Maravilha de qualquer jeito.
Como sói ocorrer nestes casos, desloquei-me rapidamente até onde havia instalado a improvável e tecnicamente simples engenhoca destinada à captura de pequenos roedores.
O ambiente estava escuro, pois a lanterna desistiu de funcionar. Notei que o mecanismo havia sido acionado, mas o rato não estava ali, com o crânio semi-esmagado.
Em um segundo momento, e acompanhada de um leve frio na barriga, pude observar a presença de um rato, vivo, e me observando atentamente, pude divisar o brilho de seus olhos, inclusive.
Não gosto de olhar nos olhos de uma vítima, sob pena de que isso venha a despertar sentimentos de piedade, o que não é apropriado quando se trata de uma execução. Sendo ou não a vítima um ser inocente.
Digo isso porque o rato não é exatamente um ser que mereça ser executado, apenas teve o azar de nascer rato, o que, automaticamente, o torna um potencial instrumento eleito pela natureza para a disseminação de um sem número de doenças, entre elas, poder-se-ia relacionar a peste bubônica.
O rato apenas é. Não pediu para ser, e apenas faz o que um rato deve fazer tendo nascido nesta condição. Nem mais, nem menos. Ele também não nos odeia, nos teme, com a diferença de que não pode nem quer nos eliminar, antes, pelo contrário, prefere que fiquemos vivos e produzindo lixo.
Mas já perceberam que, ao mesmo tempo, representamos uma grave ameaça, e, por isso, aprenderam a lidar com esta realidade, sendo muito rápidos, espertos, e ocultos.
Assim com o os vietnamitas em relação aos americanos, cuja principal fonte de alimento, quando estavam em seus túneis, vinha a ser justamente o roedor aqui mencionado.
Não quero comparar ratos aos habitantes do Vietnam.
Quero é comparar as estratégias empregadas pelos ratos, com aquelas empregadas pelos vietnamitas em relação aos americanos, ou seja, esta é uma estratégia que sempre deu certo.
E, evidentemente, enfatizar a ironia que reside no fato de que os vietnamitas se alimentavam justamente de ratos quando estavam em seus túneis, estratégia fundamental na vitória sobre os americanos (stupid white man).
Entretanto, retornando ao momento em que pude perceber a presença do rato, cujos olhos estavam fixos em mim, e brilhavam, paralisia esta o que atribuí ao fato de estar assustado com o acionamento da ratoeira, só tive um caminho a seguir e tinha que seguir rápido, a fim de aproveitar o estado momentaneamente catatônico do animal de que se trata.
Como estivesse calçando coturnos, a única ação plausível seria um golpe rápido e seco em direção ao infeliz ser. E foi o que fiz. Suas órbitas oculares saltaram para fora, um espirro de sangue desenhou na parede o dolorido epílogo de seu trajeto pela Terra, e ele se debateu por alguns instantes antes de esticar as canelas.
Era um rato gordo, bonito, pesado, bem criado.......era simpático, falou comigo com os olhos, nada tinha contra mim, nem eu contra ele, e sim contra as doenças de que era portador habitual, e mesmo assim tive a frieza de desferir tão cruel golpe contra a única dádiva que possuía...sua errante vida...mas vida.
Ok, isso era necessário, em termos técnicos. Destaco apenas o momento, o paradoxo, a eliminação fria e cruel a que sempre fomos propensos e sempre capazes.
Nossa natureza é estranha, e não é melhor do que a deles, pois não foi o roedor que tentou me matar. Quando muito poderia fazê-lo de modo involuntário, o que o isentaria de maldade.
Enfim.
Como sói ocorrer nestes casos, desloquei-me rapidamente até onde havia instalado a improvável e tecnicamente simples engenhoca destinada à captura de pequenos roedores.
O ambiente estava escuro, pois a lanterna desistiu de funcionar. Notei que o mecanismo havia sido acionado, mas o rato não estava ali, com o crânio semi-esmagado.
Em um segundo momento, e acompanhada de um leve frio na barriga, pude observar a presença de um rato, vivo, e me observando atentamente, pude divisar o brilho de seus olhos, inclusive.
Não gosto de olhar nos olhos de uma vítima, sob pena de que isso venha a despertar sentimentos de piedade, o que não é apropriado quando se trata de uma execução. Sendo ou não a vítima um ser inocente.
Digo isso porque o rato não é exatamente um ser que mereça ser executado, apenas teve o azar de nascer rato, o que, automaticamente, o torna um potencial instrumento eleito pela natureza para a disseminação de um sem número de doenças, entre elas, poder-se-ia relacionar a peste bubônica.
O rato apenas é. Não pediu para ser, e apenas faz o que um rato deve fazer tendo nascido nesta condição. Nem mais, nem menos. Ele também não nos odeia, nos teme, com a diferença de que não pode nem quer nos eliminar, antes, pelo contrário, prefere que fiquemos vivos e produzindo lixo.
Mas já perceberam que, ao mesmo tempo, representamos uma grave ameaça, e, por isso, aprenderam a lidar com esta realidade, sendo muito rápidos, espertos, e ocultos.
Assim com o os vietnamitas em relação aos americanos, cuja principal fonte de alimento, quando estavam em seus túneis, vinha a ser justamente o roedor aqui mencionado.
Não quero comparar ratos aos habitantes do Vietnam.
Quero é comparar as estratégias empregadas pelos ratos, com aquelas empregadas pelos vietnamitas em relação aos americanos, ou seja, esta é uma estratégia que sempre deu certo.
E, evidentemente, enfatizar a ironia que reside no fato de que os vietnamitas se alimentavam justamente de ratos quando estavam em seus túneis, estratégia fundamental na vitória sobre os americanos (stupid white man).
Entretanto, retornando ao momento em que pude perceber a presença do rato, cujos olhos estavam fixos em mim, e brilhavam, paralisia esta o que atribuí ao fato de estar assustado com o acionamento da ratoeira, só tive um caminho a seguir e tinha que seguir rápido, a fim de aproveitar o estado momentaneamente catatônico do animal de que se trata.
Como estivesse calçando coturnos, a única ação plausível seria um golpe rápido e seco em direção ao infeliz ser. E foi o que fiz. Suas órbitas oculares saltaram para fora, um espirro de sangue desenhou na parede o dolorido epílogo de seu trajeto pela Terra, e ele se debateu por alguns instantes antes de esticar as canelas.
Era um rato gordo, bonito, pesado, bem criado.......era simpático, falou comigo com os olhos, nada tinha contra mim, nem eu contra ele, e sim contra as doenças de que era portador habitual, e mesmo assim tive a frieza de desferir tão cruel golpe contra a única dádiva que possuía...sua errante vida...mas vida.
Ok, isso era necessário, em termos técnicos. Destaco apenas o momento, o paradoxo, a eliminação fria e cruel a que sempre fomos propensos e sempre capazes.
Nossa natureza é estranha, e não é melhor do que a deles, pois não foi o roedor que tentou me matar. Quando muito poderia fazê-lo de modo involuntário, o que o isentaria de maldade.
Enfim.
Pobre animal. Poderia eu ter nascido um rato. Qualquer um poderia ter sido concebido por um rato, uma ema, uma barata, ou uma vaca, caso em que acabaria chorando em um abatedouro administrado pelos selvagens coniventes que somos, assistindo a sua morte chegando, sempre de maneira cruel.
"Que se foda o ser humano", dizem eles em seus momentos finais.
E dizem ainda: "filhos da puta egoístas sádicos irracionais e selvagens...de que vale sua evolução se permitem aos risos e indiferenças, que tanta dor seja sentida por organismos dotados de sistema nervoso, assim como aqueles escrotos que os maltratam...bastaria que fossem administradas injeções letais, mas a sua dignidade não consegue alcançar tais níveis de compaixão...selvagens que são em sua maioria..."
"Ratoeiras deviam estar é no Planalto Central, tendo o dinheiro como isca...!!!!"
"Ratoeiras deviam estar é no Planalto Central, tendo o dinheiro como isca...!!!!"
Eliminamos animais assim como eliminamos a nós mesmos, sempre com muita dor e indiferença.
Ainda bem que existem seres mais iluminados, que criam lâmpadas, celulares, redes mundiais de comunicação, poesias, entre outros tantos milagres oriundos da capacidade criativa do humano.
************ EPÍLOGO - Chorus ************
Quando as ambulâncias soam as suas "premortais" e agonizantemente imperativas sirenes, saímos da frente porque temos medo de sermos multados. Porque temos receio da opinião alheia. E porque temos receio de nossa própria morte.
Alteridade. Colocar-se na posição do outro.
" Alteridade: natureza ou condição do que é outro, do que é distinto.
Fil: situação, estado ou qualidade que se constitui através de relações de contraste, distinção, diferença (relegada ao plano de realidade não essencial pela metafísica antiga, a alteridade adquire centralidade e relevância ontológica na filosofia moderna (hegelianismo) e esp. na contemporânea ( pós-estruturalismo ))."
Pena que os humanos em geral só praticam a noção de proporção com o outro (alteridade - proportio ad alterum), quando esta postura mental oferecer benefícios, mesmo que ilusórios, a quem os formula mentalmente.
São sempre formas do velho e bom egoísmo, pois tal reflexão não costuma conduzir no sentido de perceber sentimentos de sofrimento alheios, sejam humanos ou animais, e orientar suas ações no sentido de tentar melhorar aquelas situações de angústia que não são as suas.
Contudo, vamos ao que interessa, pois a cruz quem carrega são eles, homens brancos estúpidos.
Ao que interessa, ou seja, bom senso, realidades realistas, noites de jazz (ou Stabat Mater - Vivaldi - formidável, comovente), as geniais cecílias (poderiam ser flores...reguei as minhas cecílias e minhas begônias), as necessárias verdades, os abomináveis seres ignorantes, nossas eternas inquietudes e virtuosas revoltas.
E quando os pássaros da Primavera iniciam a sua enfadonha e repetitiva sinfonia, os ratos correm dos gato em meu forro, as asquerosas "maquitas" são acionadas e os ruidosos e inevitáveis caminhões começam a retirar contêineres, é hora de partir.
Adoro o cheiro do diesel pela manhã, como diz a frase inaugural do Apocalypse Now. Apropriado, ainda mais se considerarmos que as legendas traduziram "napalm", para "diesel".
Talvez contando com o fato de que essas mesmas legendas se dirigiam a seres ignorantes, então era melhor dourar a pílula, para que pudéssemos digerir. Merecemos, simplesmente porque não somos melhores.
Preferimos sertanejo universitário, big brother e the voice.
E quando os pássaros da Primavera iniciam a sua enfadonha e repetitiva sinfonia, os ratos correm dos gato em meu forro, as asquerosas "maquitas" são acionadas e os ruidosos e inevitáveis caminhões começam a retirar contêineres, é hora de partir.
Adoro o cheiro do diesel pela manhã, como diz a frase inaugural do Apocalypse Now. Apropriado, ainda mais se considerarmos que as legendas traduziram "napalm", para "diesel".
Talvez contando com o fato de que essas mesmas legendas se dirigiam a seres ignorantes, então era melhor dourar a pílula, para que pudéssemos digerir. Merecemos, simplesmente porque não somos melhores.
Preferimos sertanejo universitário, big brother e the voice.
Concluo, pois, com a excelente Oração da Noite, também da Cecília, alguém que parecia parecida com seres que parecem eu.
"Trabalhei, sem revoltas nem cansaços,
No infecundo amargor da solitude:
As dores, - embalei-as nos meus braços,
Como alguém que embalasse a juventude...
Acendi luzes, desdobrando espaços,
Aos olhos sem bondade ou sem virtude;
Consolei mágoas, tédios e fracassos
E fiz, a todos, todo o bem que pude!
Que o sonho deite bênçãos de ramagens
E névoas soltas de distância e ausência
Na minha alma, que nunca foi feliz.
Escondendo-me as tácitas voragens
De males que me deram, sem consciência.
Pelos míseros bens que sempre fiz!...
Cecília Meireles in Nunca Mais e Poema dos Poemas"




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