sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

...AND DANCING...IN THE RAIN...DINÂMICA E CRIAÇÃO...OU AUTO-DESTRUIÇÃO







"Acredite na justiça, mas não a que emana dos demais e sim na tua própria." 
Hagakure, Código Samurai





Deveria ser inventado um mecanismo, obrigatoriamente instalado nos veículos automotores, que provocasse intensa dor quando uma buzina fosse acionada sem uma motivação urgente.

E tem que ser uma daquelas dores que realmente o ser humano não gosta, pois algumas agradam a esta raça, haja vista que, por algum motivo, acabam gerando algum prazer, algo que nem os próprios indivíduos podem controlar. 

A dor do oferecimento pênio-anal, por exemplo. 

Ou do bofetão bem aplicado e ministrado na hora certa. Vários seres nasceram para se divertir e regozijar com a dor. 

A sua e/ou a de terceiros, o que não melhora nada o panorama. A insanidade continua presente. 

Insanidade aqui tomada no sentido de exteriorização de uma situação em que um indivíduo consciente não consegue domar os seus instintos mais primitivos, inatos, atávicos.

O cachorro lambe o seu saco escrotal porque consegue. Só isso. 

Aqueles indivíduos, quando conseguem, também lambem os seus culhões. Fazem felação em si mesmos. Etc.

Insanidade negativa, pois há a positiva, como a do Renato: "conquistei meu equilíbrio cortejando a insanidade".

Refere-se ele, evidentemente, à insanidade negativa, assim denominada pela tradicional Escola Rogérica.

Pois há a insanidade negativa, também estudada por aquela Escola, sendo que esta gera efeito no sentido oposto, ou seja, passamos do equilíbrio ao desequilíbrio.

Como, por exemplo, como quando resolvemos deixar crescer, acima da boca, um chumaço quadrado e pequeno de pelos, e eliminar judeus ou vietnamitas como forma de resolver problemas regionais, ou enaltecer uma raça ou etnia. 

Falo, acima, sobre a verdadeira dor. A dor irrefutável, imponderável, inescapável. 

Aqueles fanáticos psicóticos da opus dei se acham o máximo por usar o cilício. Acham must. Hüber... 

Cilício até a minha prima de dez anos aguenta. Minha avó de cem anos (se eu tivesse...não se deve deixar a verdade atrapalhar o rumo da estória).

Dor mesmo sentiam aqueles que pereciam no touro de ferro, enclausurados em uma tal engenhoca de tortura, medieval instrumento cujo objetivo era provocar dor intensa às vítimas e prazer aos psicopatológicos convidados, assando desafetos (ou qualquer escolhido) sobre o fogo da boa lenha de carvalho.

Ou ainda aqueles que tinham o desprazer de morrer empalados (não se está a tratar de taxidermia, vos garanto), ou serem crucificados de cabeça para baixo, como São Pedro. Ao menos nesse caso foi uma opção.

Apenas o Vlad costumava sentir prazer diante dos empalamentos (o ânus pelo qual a rija vara adentrava não era o dele), sendo certo que até mesmo almoçava (traços de psicopatia apenas) em meio ao frenesi da morte lenta e dolorida de suas não inocentes vítimas, bem adornada com seus corvos sedentos por olhos frescos, e o característico cheiro do sangue.

Tirando o fato de almoçar em meio a este espetáculo de dor e morte, até que o Vlad tinha razão, se formos pensar rapidamente. 

O mesmo prazer que sentia quando ordenava a seus guardas que pregassem na sua mesa a cabeça dos mensageiros de outros povos que sugeriam dominação iminente, assim como fizeram os 300. De Esparta.

Aliás, se eu não fosse canelense, gostaria de ter sido espartano.

Mas, ainda sobre os barulhos urbanos patéticos e não necessários (já bastariam os necessários)...

...o mesmo se diga em relação aos propositalmente ruidosos escapamentos das motos pequenas. 

Servem apenas para que indivíduos desprovidos de maior propósito e argumento de vida, exteriorizem suas mais primitivas tendências territoriais.

Aliás, coisas pequenas e mais indefesas têm que produzir mais barulho e espalhafato visual a fim de tentar (tentar) ser mais respeitados.

Assim como fazem os bugios quando gritam. Ou os sapos em noites úmidas e sem vento. 

Ou para que possam correr sendo percebidos, o que também não serve.



*****************************XXX*****************************


Toda a vez que ouvimos uma ambulância passar, sabemos que teremos sorte se sequer tivermos tempo de ser socorridos em nossas horas mais extremas.

Toda a vez sabemos que a nossa hora chegará, mesmo que isso em nenhum momento envolva uma ambulância, apenas um rabecão.

Ambulâncias induzem a uma ansiedade silenciosa. Pulsante, mas silenciosa.

Queremos que ela suma rápido, como quando passamos por um mendigo comendo lixo e chorando ao mesmo tempo. 

Mal sabe o Lobão que isso vem a ser pior que correr com lágrimas nos olhos. 

Como quando nos damos conta que estamos respirando. 

Como quando nos damos conta que vamos parar de respirar, e não vamos respirar de novo em algum tipo de paraíso ou inferno.

A ignorância é uma dádiva que a muitos pertence, neste caso não tive a sorte de ser premiado. 

A ignorância pode tornar (e torna) a existência mais feliz, na medida em que acreditamos que não vamos morrer, apenas passar a frequentar outras dimensões, ainda que estas hajam sido forjadas por nossos cérebros, em estado criativamente patológico.

A única verdade nisso tudo, é que nunca mais haverá nada, e essa não é exatamente a minha perspectiva em termos de existência.

Porque existir é existir, e eu não queria não existir mais. como era antes de eu nascer. Tudo estava acontecendo, eu não estava lá, e não sabia que estaria.

Não há um propósito. apenas há. E não há. Para o universo a minha vida, a sua, e a vida na Terra não significam nada.

Não há Deus. Há energia e matéria. Já vimos o que uma bomba atômica pode causar.

Existe a anti-matéria, comprovadamente, e ironicamente denominada "Partícula de Deus".

Afinal, seria uma frescura deste tal de Deus (qual deles afinal), fazer este auê todo só para criar uma vida pobre e suja em um planetinha de merda como o nosso.

Se há plano, somos apenas um pontinho na sua periferia.


*******************************XXX********************************


E os drogados.....aahh os drogados...quais? os oficiais? não....neste caso....falo dos típicos....

Um dos problemas dos drogados em geral, é que nunca entenderam que deveriam, ao menos, usar a droga apenas e tão somente como um meio e não como um fim, tal qual ocorre normalmente.

Nem que fosse para, ao final de tudo, confortar-se com a ideia de que a sua destruição prematura e dolorida acabou por gerar frutos, os quais poderiam ser colhidos para sempre, como ocorre com a arte em todas as suas manifestações.

Quando se é um drogado apenas por ser, deixamos de comandar as coisas, e, como sempre, como parece ser a tendência das massas, passamos a obedecer a um ou mais senhores.

E viramos masoquistas, algo que deve ser apenas um reflexo do fator principal,  que seria a subserviência. 

É a existência puta. A puta vida. 

Ao mesmo tempo servil, ao mesmo tempo inconformada. Poucas vezes feliz. 

Que ao menos o risco e o peso da condição ostentada por aquele que faz uso regular de substâncias catalogadas como ilícitas, e automaticamente observadas com preconceito pela choldra, tenha algum sentido prático.

Tudo isso também induz ao óbvio preconceito em relação a estes seres, e afirma a errônea ideia de que só se pode criar algo bom quando não se esteja sob o efeito de qualquer tipo de substância, e que o contrário só produziria o que fosse negativo.

Podemos produzir tanto em um como outro estado, depende do material de que somos feitos. 

Ou seja, a droga, quando usada como meio para coisa alguma além do fato do próprio entorpecimento e perecimento, não está trabalhando sozinha, senão que apenas exacerba as características negativas que o indivíduo já possui, drogado ou não.

Por isso mesmo é que os remédios receitados no atendimento psiquiátrico onde às pressas costuma ser internado, também nada resolvem. 

Apenas entorpecem e não são catalogados como substâncias proibidas. Mas deveriam.

Fica para outro capítulo o fato de que o álcool não é uma substância proibida, e que causa muito mais mal que o cigarro a maconha e a cocaína.

Ou o fato de que existem substancias químicas medicamentosas vendidas todos os dias em DROGARIAS (mais apropriado drogaria do que farmácia, senão puteiro vira casa de tolerância e o Congresso Nacional um convento), e produzidas por milionários laboratórios, imensamente mais prejudiciais que quaisquer das "drogas" mencionadas acima.

Aliás, vão à merda, pois este tema já cansou, e não vai levar a nada, pois as coisas são apenas o que são, e sempre foi assim mesmo. Em todos os campos.


*****************************XXX********************************


Dançar costuma ser bom, pelo menos para mim.

Expande as ideias, os espaços internos e externos, temos a sensação de uma breve viagem livre de nossas costelas, que nos aprisionam em um corpo que sente dores, que é falível e finito, ainda que criativo.

Contudo, quando se gosta de dançar só, e se é homem, o melhor a fazer é dançar escondido.

Acaso minhas danças envolvessem o componente feminino, nada comprometedor seria o ato. 

Entretanto, como não se trata disso, ainda que homossexual eu não seja, melhor mesmo é não ser visto em tais horas, pois o senso comum, agora que me livrei de concepções infantis, percebi que é bastante corrosivo, sendo prudente não cutucá-lo. 

Dirão que sou pederasta, maconheiro ou louco. Convém fechar as janelas nestas oportunidades.

Aliás, fazemos muitas coisas às escondidas, não apenas pagar e receber propinas, ou vender falsas ideologias políticas.

Extraímos melecas. Cheiramos nossos cus. Usamos drogas ilícitas. Exercitamos as mais diversas e bizarras perversões e maldades. Pensamos coisas horrorosas sobre pessoas com as quais mantemos diálogos aparentemente normais, psicopatas por natureza que somos.

Mas ainda sobre a dança...

Já vi as pessoas mais duras e dogmáticas, dançando sozinhas, cada qual com sua estranheza e sua falta ou presença de ritmo. Por vezes presenciei o dom, ainda que em um corpo duro.

Por melhor que seja a semente, pois, e neste último caso, não havendo um solo fértil, não haverá colheita, algo que permanecerá apenas no campo das cogitações aleatórias.

Dançar é algo que ocorre naturalmente. Ou não ocorre. Mas normalmente ocorre, então não lidarei com exceções.

Existem tendências humanas que são positivas ou não. Note-se que a religião é uma tendência em todos os povos, desde sempre, mas, evidentemente, eu não defenderia a manutenção de uma tal tendência.

Já a dança, ainda que também se trate de uma tendência natural, como considero um hábito sadio, a partir das ideias que preconizo, eu não teria porque não defender a sua prática e manifestação.

A dança é mais natural que a tendência dos povos desde sempre consistente na eleição de figuras divinas, a serem veneradas.

Isso porque a dança deriva justamente da leveza e prazer provocados pelo fato da existência, elevados ao grau do êxtase. 

Já a eleição de divindades e filosofias transcendentes em geral, tem a ver com o medo da morte, então, ainda que possa ser considerada uma reação (tendência) natural, não quer dizer que esteja correta, pois significa justamente a fuga daquilo que efetivamente vem a ser o natural, que é morrer.

A religião é uma tendência mais humana que natural, pois, haja vista que deriva de uma deturpação da própria racionalidade, e não de impulsos naturais, estes últimos efetivamente conectados ao fenômeno de estar vivo, e não perecer.

Prova disso é o fato de que os animais dançam, celebram a seu modo, mas não elegem divindades.

Convém, pois, saber separar o que é uma manifestação natural daquilo que apenas provém do hábito que se deve ter, vivos que estamos, de não aceitarmos a morte, de modo que elegemos divindades, desde sempre, e estas sempre têm a ver com transcendências, o que alivia nossas assustadas almas.

Conclui-se, pois, que a religião, ao contrário do que se possa conceber uma mente incauta (maioria), deriva justamente do fato de que vamos morrer, ao contrário do que se acredita, ou seja, que poderia ser a via para vidas eternas.

Religiões derivam, pois, do instinto básico de auto-preservação, pois a morte é que existe.

E a dança celebra a existência. Flui naturalmente, e esta sim se afeiçoaria mais à ideia que se deveria ter de uma religião, aqui considerada como filosofia, e não o cretino e insano elenco de divindades que nunca aparecem, a não ser para fanáticos religiosos, fenômeno recorrente.

Religião existe justamente porque a finitude existe. O que existe, pois, é a dança. A religião é um devaneio neurótico e negativo, de quem vive fixado no fato da finitude.

Ateus sabem sobre a finitude, talvez por isso dancem mais. carregam a cruz de saber sobre a finitude, mas ainda prefiro esta cruz do que uma existência cínica, hipócrita, de auto-punições e cultivando culpas, em nome de céus redentores, que nunca virão e que se viessem seriam tão chatos que a morte seria uma opção mais viável, ao menos em termos racionais. 

Talvez por isso evangélicos não dancem, apenas consigam levantar as mãos para o alto de olhos fechados e com cara de choro intenso, seja qual for o ritmo que estiver tocando.

Talvez por isso os muçulmanos só consigam ajoelhar em direção a meca. Reverentes e sádicos, pois dogmáticos demais para serem coisa melhor, assim como os cristãos e judeus em geral. E a praga dos evangélicos. 

Meca e merda, para mim, é a mesma coisa, ainda mais que todos os anos mata dezenas de peregrinos esmagados por eles mesmos.

E assim caminhamos, esmagando-nos a nós mesmos. A religião nega a vida, e celebra a morte, assim como a dança nega a morte, celebrando a vida.

Dança pulsa. Religião consome, destrói, odeia, separa, e causa a sensação constante da verdadeira finitude, ou seja, exerce a verdadeira finitude quem não celebra a vida em nome de dogmas que celebram algo que vem após a morte, como se esta fosse uma dádiva a ser ansiosamente aguardada.

Evidentemente neste ponto alguns dirão, com muita propriedade que algumas religiões têm na dança uma de suas manifestações.

Direi que não trato de danças rituais, duras, claustrofóbicas, repetitiva, dogmáticas, reverentes e impostas, e com a finalidade de servir divindades.

São sempre apenas movimentos de sofrimento e servilismo, e não manifestações naturais do corpo diante da melodia bem construída.

Basta ver que música gospel não é música, é uma espécie de agressão sonora preconceituosa, permeada por ideias fixas, culpas, punições veladas, dura e peçonhenta. Isso não é música, apenas parece.

É como os mil folhas e pizzas em geral. Têm apenas cara do que querem ser, mas normalmente são sofríveis.

É como pegar uma lata de merda e escrever sorvete. A merda não vai virar sorvete, merda permanecerá.


*****************************XXX*********************************


"Para um autêntico samurai não existem as tonalidades cinzas no que se refere a honra e justiça, só existe o certo e o errado."Código Samurai

"O samurai nasce para morrer. A morte, não é uma maldição a evitar, senão o fim natural de toda vida."Código Samurai






Nenhum comentário:

Postar um comentário