domingo, 24 de maio de 2015

DEVANEIOS, VIZINHOS E SINCRONICIDADES

“O HOMEM É O HOMEM E AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS” (Ortega y Gasset)



– RABISCOS, DIVAGAÇÕES E FRAGMENTOS SOBRE O VIZINHO E OS VIZINHOS. SOBRE HOMENS E CIRCUNSTÂNCIAS. SOBRE NOITES SILENCIOSAS. SOBRE CEMITÉRIOS ALEGRES E SEUS HABITANTES. SOBRE ONDAS ELÉTRICAS. O “BIRD”.





“Aqui também essa desconhecida
e ansiosa e breve coisa
que é a vida.”









Onde moro tenho alguns vizinhos próximos, muito poucos, e tão discretos quanto eu.


Enfrentei algumas dificuldades inicialmente, mas os problemas tiveram mais relação com casas que ficam desocupadas o ano todo, do que com pessoas do entorno.


E também com o fato de ter que lutar sozinho contra forças poderosas (como o mentor intelectual do “Sundance Festival” – Robert Redford), não em nobreza, mas em vilania (e alguma deslealdade).


25:17 – “cercado por todos os lados pelas iniquidades da tirania e do egoísmo do homem mau”


QUE SORTE, pois, invocando uma vez mais o nosso caro Sartre (que agora habita o além sepultado ao lado de Beauvoir, no Cemitério Montparnasse), e citando a mesma frase do escrito da noite passada, “o inferno é o outro”, nota-se todos os dias que o equilíbrio entre as relações é bastante sutil, delicado, calmo como uma bomba por vezes (ou como diz o capitão nascimento, carrasco estatal e que conta com o silêncio conveniente da população, pois Tropa de Elite não é apenas um bom filme contando uma boa estória – aquela merda é baseada em fatos reais – “e naquela noite ventou forte no babilônia”).


E, em certas oportunidades, não seremos acompanhados pela mesma sorte, ainda que, segundo o Alexandre, Ela acompanhe aos que ousam. Não convém abusar, pois.


Também em Paris, aliás, dizem que é localizado o cemitério mais alegre do mundo, ou seja, o Père-Lachaise, que abriga, entre outras figuras, Honoré de Balzac, Proust, Danton, Edith Piaf, Allan Kardec, Chopin, Isadora Duncan, Oscar Wilde, entre outras figuras deste quilate, até mesmo, e curiosamente, o americano Jim Morrison. Aliás, é disparado o túmulo mais visitado e depredado deste cemitério. Todos querem levar um pedaço, como relatou minha mãe quando foi visitar o jazigo.


Bom, já que falei nele duas vezes ultimamente, e como sempre acabo fazendo, abro um paralelo no escrito para transcrever algumas rápidas colagens da “wiki” acerca do “Sartre”, as quais relacionei, pois achei interessantíssimas:


(...)
“Após a morte de Gide, Sartre se preocupa em defender a memória do companheiro de letras dos ataques feitos pela Imprensa francesa. Ao se posicionar dessa forma ética e chamar a atenção para o legado de Gide: que foi a lição de que a adesão incondicional a um ideal é algo perigoso, Sartre ocupa um lugar de destaque na intelligentsia francesa nos quadros da Libertação do país da ocupação nazista.

(...)
A pessoa de Sartre era enigmática. Era reconhecido pela sua simplicidade e por distribuir gentilezas, o que contrastava com a predominante arrogância ostentada pela maioria dos homens de letras da França. Fumante inveterado, Sartre parece que além de feio, era desprovido de beleza.

Porém, de miúdo e vesgo, logo se transformava em um sedutor orador quando falava com desenvoltura sobre literatura, teatro e filosofia. Enfim, na excelente frase de Michael Winock, em O século dos intelectuais, o filósofo “queria ser Vitor Hugo; tornou-se Jean-Paul Sartre” (p. 513). Até os desfechos da II Guerra, Sartre ostentava uma postura política apática e individualista, porém já marcada por um temperamento anarquista no qual a moral e a hipocrisia burguesa são sempre denunciadas em seus textos.

(...)


Assim, Sartre vivencia uma grande crise pessoal ao ser um sujeito que despreza o individualismo burguês, mas que cresceu em meio a uma família que cultivava esse valor e tenta conciliar sua face de militante com a de filósofo. Por suas origens abastadas, Sartre é duramente criticado por Raymond Aron quando este pronunciou que a fé do filósofo em uma ideal humanitário irrealizável o conduziu ao ódio e ao desprezo pelos homens vivos e concretos. Ainda rompido com Camus, só em 1960, após a morte deste, é que Sartre busca reconciliar-se com a memória do escritor argelino. Em face da divulgação dos crimes de Stalin, Sartre acaba preferindo torna-se acrítico a anticomunista.


A imprensa da época divulgou o quanto o enterro de Sartre, em 1980, foi comovente. O principal adversário do filósofo, Raymond Aron, irá se referir de forma elogiosa a Sartre quando o considera um moralista que acabou se perdendo na selva da política. Aron morreu pouco tempo depois, em 1983, de ataque cardíaco.


Então, Aron e Sartre, que protagonizaram duelos ásperos, são, na verdade, duas faces de uma mesma moeda: a do intelectual que personaliza uma época.”


Mas retornando ao tema proposto inicialmente, ou seja, “os vizinhos”, estava caminhando um pouco de madrugada, e refleti particularmente sobre um deles e sua circunstância, e a minha.


(Lembrei de um filme, o “Bruno”, do Baron Cohen. Em uma cena um pastor evangélico americano ou algo assim, que era especialista em converter homossexuais, se é que isso pode ser um ofício sério e regulamentado (que o diga o Feliciano), em uma destas sessões (sim elas existem de verdade e o pastor era real com nome e tudo, quem conhece os filmes do sacha sabe que ele faz colagens de eventos da realidade) refere para o homossexual masculino, personagem do sacha, que realmente as mulheres eram difíceis de lidar, por que nunca retornavam ao tema objeto da conversa, e se perdia em debates paralelos).


Então, tentando retornar uma vez mais ao objeto deste Post, como dizia acima, refleti particularmente sobre um de meus vizinhos, sua circunstância, e a minha.


Foi quando me lembrei de outra abordagem paralela, mas nem tanto.


Portanto, antes de retornar ao objeto deste texto, acho interessante analisar a seguinte frase, que, evidentemente, não está desgarrada do conteúdo deste escrito.


É como fazia o “BIRD” – Charlie Parker – ele voava na própria estrutura melodiosa da música (be bop), acrescentava notas como um gênio, como o Amadeus e Salieri, e com muita rapidez, tão rápido que ele parecia apenas a caixa de ressonância de algum elemento externo.


Não se trata, pois, de apenas empilhar novas notas musicais dentro de uma música, isso um autista faria. Estas notas acrescentadas têm que guardar relação com o que está sendo exposto. Vamos à frase:


“O HOMEM É O HOMEM E AS SUAS CIRCUNSTÂNCIAS”, segundo defendia outra genial criatura, o “Ortega Y Gasset”, cujas ideias considero paradigmáticas, senão, vejamos:


“Para o filósofo José Ortega y Gasset (1883-1955), todas as coisas estão em permanente processo de mudança.


Por isso a vida, do início ao fim, é um aprendizado.


Fiel a esse princípio, sua obra é uma ininterrupta investigação dos grandes temas das ciências humanas, sem simplificações, mas escrita de modo a ser compreendida por leitores não especializados e isso o tornou um dos intelectuais mais queridos da Espanha na primeira metade do século 20.


Portanto, o propósito pedagógico, no sentido mais amplo, faz parte da espinha dorsal de seu pensamento. "O homem tem uma missão de clareza sobre a Terra", dizia.


Ortega y Gasset tinha uma concepção dinâmica do mundo e da vida humana, além da ambição de revolucionar a tradição filosófica.


Por outro lado, sua doutrina social propõe uma organização política de molde aristocrático e se baseia numa avaliação cética das possibilidades do homem comum. No Brasil, seu pensamento foi e continua sendo muito influente, em especial nos meios conservadores.


Em reação às correntes que afirmam a supremacia da razão e àquelas que buscam a verdade absoluta fora do mundo sensível, o filósofo construiu um sistema baseado no que chamou de razão vital.


A palavra expressa a racionalidade como função da vida, isto é, algo que não pode ser separado das condições física, psicológica e social do indivíduo. A verdade também só é alcançável do ponto de vista de cada um.


Essas concepções podem parecer subjetivas, mas não são: para que o funcionamento da existência se estabeleça, é preciso que o indivíduo interaja com a sociedade. "A vida é considerada no sentido que o termo possui na linguagem cotidiana, particularmente como um valor biográfico", diz Juan Guillermo Droguett, professor da Universidade Paulista e do Colégio Internacional Tabor, em São Paulo.


"Viver é certamente tratar com o mundo."


Esse é o sentido da mais famosa máxima de Ortega y Gasset: "O homem é o homem e a sua circunstância". Para ele, não é possível considerar o ser humano como sujeito ativo sem levar em conta simultaneamente tudo o que o circunda, a começar pelo próprio corpo e chegando até o contexto histórico em que se insere.


A Educação vira um instrumento para que cada um possa conscientizar-se de sua circunstância, relacionar-se com ela e superá-la. "Se não a salvo, não me salvo eu", conclui o filósofo espanhol.”


Foi por isso que lembrei do Gasset, pois falei em circunstâncias acima, pois, como refere a análise acima, sobre o pensamento do mestre Gasset, “não é possível considerar o ser humano como sujeito ativo, sem levar em conta simultaneamente tudo o que o circunda (...)”


A opção de citar, evidentemente, resulta da conclusão pessoal de que os aspectos declinados pelo Filósofo tinham pertinência com as divagações aqui delineadas, e acabam dando forma e sentido ao presente escrito.


Retornemos, contudo, à simplicidade e ao comezinho, onde mora a verdadeira sabedoria, e, na verdade, do que é feita a vida, ainda que os adultos e crenças (econômicas ou religiosas), em algum momento, tenham transformado tudo em algo aparentemente complicado.


Eventuais argumentos relacionados a aspectos de diferenças culturais desde há muito para mim não têm qualquer sentido, uma vez que o que é certo é certo, e o que é errado é errado. Acredito é na existência de valores universais, e não regionais, ditados por normas tendenciosas, e distantes de nossas origens fundamentais.


Aliás, este pseudo-filosófico argumento relacionado às diferenças entre culturas, de modo que uma não seria superior a outra, mas apenas diferente, é uma falácia, que só serve para justificar eventuais regimes de força ou tiranos, e também incrementa tendências sociais xenofóbicas, separatistas, quando, em verdade, não passa de um bando de seres humanos cagantes que deveriam olhar na mesma direção ao invés de ficar perdendo tempo e vidas com bravatas e conflitos cretinos.


Depois de passearmos por mais um paralelo de ideias, falávamos sobre vizinhos.


Tenho um vizinho particularmente curioso. Algumas peculiaridades que acabam nos aproximando. Como diz o “Kraftwerk” na consagrada “The Hall Of Mirrors”:


The young man stepped into the hall of mirrors, where he discovered a reflection of himself.” 
(…)

“He made up the person he wanted to be, and changed into a new personality.”
(...)

“The artist is living in the mirror, with the echoes of himself.”



Assim, considerando o Kraftwerk e os ensinamentos do Gasset, é que incursionei na questão relacionada aos vizinhos. Pois esta pessoa, fui obrigado a notar, se parece comigo em vários aspectos, inclusive no estilo de vida, mais especificamente no que diz respeito aos horários e hábitos (não todos).


Pensei isso ao caminhar com o cão há pouco. Outra noite silenciosa e profunda. Um pouco úmida e abafada, mas silenciosa. Ouço um ruído, olho para trás, e há uns 500 metros, bem na esquina da minha casa (eu já havia me afastado de casa), passava ele, assim como eu, passeando com o cão de madrugada.


A gente se relaciona muito bem, com muita cordialidade, lealdade e parceria. Contudo, quase nunca nos visitamos, pouco nos vimos, apesar do fato de que as casas distem no máximo trinta metros entre si. Havia eu acabado de passar pela frente da casa dele com o cão. E quando o vi, sem nos falarmos, ele passava com o cão dele pela frente da minha, mas estava eu longe.


Nos observamos de longe, mas não para investigar, mas porque acho que um gosta que o outro esteja por ali, e ambos sabemos que temos a mesma paz, tanto é que quando um visita o outro (quase tem que mandar memorando um p o outro), conversamos durante horas as vezes. Depois podemos passar até um mês sem contato pessoal, e nos falamos por mensagens, acenos e facebooks.


Quase não produzimos sons, ainda que ambos frequentemos a madrugada. Os sons que produzimos normalmente são ouvidos em headphones.


Sempre digo que o ANARQUISMO - por mais interessante que pareça - por mais que as minhas ideias se aproximem desta corrente teórica (deixo as minhas ideias se aproximarem dos pensamentos, prefiro assim do que procurar pensamentos e líderes para me escravizar a uma liderança, para criar dogmas desnecessários, porque sou fraco demais para ter as minhas próprias ideias) – por mais plausível que seja - é apenas uma bela utopia, infelizmente, uma vez que estamos tratando de teorias para orientar as relações humanas/sociais, e, como sabemos, onde entra o homem dá briga, discórdias cretinas fundamentadas em bobagens.


O homem, ao contrário de Midas, que fazia virar ouro os objetos em que tocava, onde toca vira merda.



Como diz o iluminado “Vô Vieira”, Avô de um de meus mais antigos amigos, o Stefan: “Existem os gênios e existem os desesperados”. Sempre gostei desta frase. Aliás, impossível não gostar. Impossível não gostar dele.



Tenho uma foto incrível dele aliás, com sua inseparável, mas a foto diz tudo. Realmente incrível a foto, faz meses que guardei. Emocionante. Infinita. Uma lição estática (mas que não contraria a dinâmica proposta acima por “Ortega y Gasset”, ao contrário, a confirma, em pura arte).


Reproduzirei a foto abaixo. Vale a pena mesmo. Curioso é que devo ter visto ele pessoalmente apenas algo como três ou quatro vezes. Ele nem deve lembrar que existo. Mas sempre o admirei de longe, há vários anos, e esta foto só confirma tudo o que fui construindo a respeito dele.


Ou seja, sequer é uma foto doméstica que reproduzirei abaixo, ou por sentimento de grupo, ou outras tendências naturais que envolveriam o fato de conhecer alguém e conviver com alguém há vários anos. Não. Nosso contato foi praticamente zero, pessoalmente. Deveria ser até mesmo premiada uma foto como essa que servirá para ilustrar o post, ao final.


Pois hoje acho que falamos de vidas alegres, estórias felizes, e que valem a pena contar e homenagear. Se eu falar sempre em política acabo tendo um ataque de depressão, e perdendo a inspiração.


Ele também dizia aquela: “essa bolachinha é bem boazinha”. Ou ainda: “Zero Hora é jornal de judeus para índios”. Excelente. Genial. E gosta de bolachinhas e leituras decentes. “O prazer do homem sábio tende a ser simples”.


Gosto de pescar e acampar sozinho, ou com um bom e velho amigo, como farei em breve. Com uma pessoa sábia.


Pois bem, este meu vizinho de que falava, tem uma idade parecida, um veículo automotor exatamente igual ao meu, inclusive a cor. Gosta de Doors e da Holanda, de pizza (tendo feito algum curso de culinária – também cozinho), de cães falei acima, também não dorme de noite, também advoga, também escreve, e também finalizou um relacionamento antes de vir morar neste município. Também tem dois irmãos. Também planta tomates. Também se libertou.


A lembrança relacionada ao Kraftwerk, aliás, veio à tona justamente quando pensei em “espelhos e reflexos de nós mesmos”, além de “homens e circunstâncias”, pois “the young man stepped.....into the hall of mirrors.......where he discovered............. a reflection of himfelf.” (dei um ritmo diferente à música ao citar, que me perdoe o pessoal do “Kraft”, se vivos ainda estiverem...tomara que estejam.


E veio a tona também pois lembrei que minha vida é recheada de coincidências, é tão inacreditável que nem costumo mais falar quando acontecem, apenas sorrio e penso que algo deve estar acontecendo com o tempo, pois elas estão se acentuando ano a ano de maneira bastante contundente e perceptível.


Não vou alongar mais este post, este assunto, aliás, merece um post so para ele, mas vou dizer apenas, e acreditem, acontecem coisas incríveis, tão incríveis que teria a sensação de algo de outro mundo se não fosse cético.
Acho que podemos pensar em antenas e conexões mentais alimentadas por uma energia elétrica difusa e sempre presente em tudo, campos magnéticos etc, mas falamos nisso noutro post.


Aliás, para Jung nem seriam coincidências propriamente tais, mas “sincronicidades”, ou “coincidência significativa” (Princípio de Conexões Acasuais).


Lembrei também do “insigth” (COMPREENSÕES INSTANTÂNEAS), termo também criado pelo Jung, e que também encerra um mundo de ideias interessantíssimas e formidáveis, ALÉM DE ÚTEIS PARA O DIA A DIA E PARA A FORMAÇÃO DO CONHECIMENTO, imagino (e pratico).


A “sincronicidade” é reveladora, mas necessita de um tipo de compreensão que deve ocorrer instantaneamente, “sem nenhum raciocínio lógico”. Isso, em resumo, é o que o Jung chama de “insight”.


Um exemplo prático de seu uso é quando temos que resolver questões que envolvem vários argumentos, várias teses. Grosseiramente, temos que encher o cérebro de informações, sem a preocupação inicial de entender o que está acontecendo. E fazer isso gradualmente, com intervalos lúdicos e carregados de levezas. Temos que ficar leves e tranquilos.


É incrível, a coisa vai acontecendo sozinha, as conexões entre as necessárias lógicas (aqui a mentira atrapalharia), vão acontecendo ao natural, e as soluções praticamente são produzidas como se um mecanismo externo estivesse se encarregando disso. É exatamente assim que vejo este processo, por experiência própria. Isso é um exemplo típico de “insight”.


Ou seja, as pessoas poderiam estabelecer trabalhos mentais menos estressantes, deixar que o cérebro trabalhe sozinho, criando as condições para isso. Depois é só ingerir glicose, pois o cérebro queima este elemento em quantidades industriais enquanto trabalha.


Impossível, por isso, não lembrar a existência desta teoria desenvolvida pelo Jung, denominada “SINCRONICIDADE”, que considero indispensável desde há muito tempo, mas, principalmente, pela comprovação prática habitual destes aspectos magistralmente expostos pelo Jung.


Vamos para a “Wiki” novamente, para finalizar, porque isso é ultra-interessante. Darei só uma pincelada (aliás, é incrível, comecem acreditando, é o primeiro passo):


“Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado. Desta forma, é necessário que consideremos os eventos sincronísticos não relacionados com o princípio da causalidade, mas por terem um significado igual ou semelhante. A sincronicidade é também referida por Jung como "coincidência significativa".


O termo foi utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém Jung demorou ainda mais 21 anos para concluir a obra "Sincronicidade: um princípio de conexões acausais", onde o expõe e propõe o início da discussão sobre o assunto. Uma de suas últimas obras foi, segundo o próprio, a de elaboração mais demorada devido à complexidade do tema e da impossibilidade de reprodução dos eventos em ambiente controlado.


Em termos simples, sincronicidade é a experiência de ocorrerem dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa "coincidência significativa", onde esse significado sugere um padrão subjacente, uma sincronia1 .


A sincronicidade difere da coincidência, pois não implica somente na aleatoriedade das circunstâncias, mas sim num padrão subjacente ou dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significativos. Foi este princípio, que Jung sentiu abrangido por seus conceitos de Arquétipo e Inconsciente coletivo, justamente o que uniu o médico psiquiatra Jung ao físico Wolfgang Pauli, dando início às pesquisas interdisciplinares em Física e Psicologia.


Ocorre que a sincronicidade se manifesta às vezes atemporalmente e/ou em eventos energéticos acausais, e em ambos os casos são violados princípios associados ao paradigma científico vigente. Segundo Rocha Filho(2007), inclusive o insight pode ser um fenômeno sincronístico, assim como muitas descobertas científicas que, de acordo com dados históricos, ocorreram quase simultaneamente em diferentes lugares do mundo, sem que os cientistas tivessem qualquer contato.


Acredita-se que a sincronicidade é reveladora e necessita de uma compreensão, e essa compreensão poderia surgir espontaneamente, sem nenhum raciocínio lógico. A esse tipo de compreensão instantânea Jung dava o nome de "insight".


Este resumo demonstra como esta ideia é e pode ser interessante. Como já foi comentado longamente acima, passemos ao epílogo.


O inusitado mesmo, é que toda essa estória boba e quase sem graça acabou trazendo à tona, como a locomotiva que conduz os seus vagões (composição) todas estas reflexões, desdobramentos e conclusões acima propostas.


MAS AO MENOS VIMOS PORQUE AO ESTABELECER AS CONEXÕES ENTRE OS TEMAS. POST AUTO-EXEMPLIFICATIVO.


Neste caso, pois, as conclusões deste escrito não dizem respeito a uma situação com resultados concretos, mas aos eventuais frutos resultantes da dialética e conjunto de informações que acabam aflorando desse processo todo, de modo que um pensamento vai sendo construído acima e a partir de outro.


Isso me reporta ao Piaget:


“Jean Piaget, para explicar o desenvolvimento intelectual, partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio. Assim, Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico (WADSWORTH, 1996). Para Piaget, a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do organismo (1952, p.7) :


Do ponto de vista biológico, organização é inseparável da adaptação: Eles são dois processos complementares de um único mecanismo, sendo que o primeiro é o aspecto interno do ciclo do qual a adaptação constitui o aspecto externo.

Ainda segundo Piaget (PULASKI, 1986), a adaptação é a essência do funcionamento intelectual, assim como a essência do funcionamento biológico. É uma das tendências básicas inerentes a todas as espécies. A outra tendência é a organização. Que constitui a habilidade de integrar as estruturas físicas e psicológicas em sistemas coerentes. Ainda segundo o autor, a adaptação acontece através da organização, e assim, o organismo discrimina entre a miríade de estímulos e sensações com os quais é bombardeado e as organiza em alguma forma de estrutura. Esse processo de adaptação é então realizado sob duas operações, a assimilação e a acomodação.”


Portanto, as conclusões, a meu ver, podem ser mediatas e imediatas. Procuremos por elas então, principalmente as imediatas. Fui.


E por falar em sincronicidade e seus exemplos e manifestações, foi incrível, fantástico, acabei de escrever o Post agora há pouco, levantei, peguei o rádio e fui para a cozinha fazer um suco de abacaxi (de Terra de Areia, aquele bem doce, o melhor). Estava nesta atividade e a âncora que apresentava o noticiário da hora, falou em “Rua Albert Camus”.


Quem é Albert Camus¿


“Camus conhece Sartre em 1942e tornam-se bons amigos no tempo de pós-guerra. Conheceram-se devido ao livro "O Estrangeiro" sobre o qual Sartre escreveu elogiosamente, dizendo que o autor seria uma pessoa que ele gostaria de conhecer. Um dia em uma festa em que os dois estavam, Camus se apresentou ao Sartre, dizendo-se o autor do livro. A amizade durou até 1952, quando a publicação de "O Homem Revoltado" provocou um desentendimento público entre Sartre e Camus.
Camus morreu em 1960vítima de um acidente de automóvel. Em sua maleta estava contido o manuscrito de "O Primeiro Homem", um romance autobiográfico. Por uma ironia do destino, nas notas ao texto ele escreve, diz que aquele romance deveria terminar inacabado. Por coincidência, a sua mãe falece no mesmo ano que ele.”




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