segunda-feira, 16 de novembro de 2015

ANJOS E DEMÔNIOS. LIMBOS E TRANSCENDÊNCIAS. COTIDIÂNUS.








“...como admirava, então, aquelas enevoadas tardes de outono ou de inverno! Como respirava, ansioso e embevecido, a sensação de isolamento e melancolia, quando, noite adentro, enrolado em meu capote, atravessava as chuvas e tempestades de uma natureza hostil e revoltada, e caminhava errante, pois naquele tempo já era só, mas ia repleto de profunda satisfação e de versos, que mais tarde escrevia, em meu quarto, à luz de uma vela, sentado à beira da cama.”

“Como não haveria de ser eu um Lobo da Estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! (...) E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou louco.

"Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.”

“...nada daquilo era para mim, tudo aquilo era para os normais, as pessoas comuns.”

"...agora me visto e saio, vou visitar o professor e troco com ele algumas frases amáveis, mais ou menos falsas, tudo isso contra a minha vontade, assim procede a maioria dos homens que vivem e negociam todos os dias, todas as horas, forçadamente e sem na realidade querê-lo; fazem visitas, mantêm conversações, sentam-se durante horas inteiras em seus escritórios e fábricas, tudo à força, mecanicamente, sem vontade; tudo poderia ser realizado com a mesma perfeição por máquinas ou não se realizar;

"e essa mecânica eternamente continuada é o que lhes impede, assim como a mim, de exercer a crítica à sua própria visao, reconhecer e sentir sua estupidez e superficialidade, sua desesperada tristeza e solidão. E têm razão, muitíssima razão, os homens que assim vivem, que se divertem com seus brinquedinhos, que correm atrás de seus assuntos, em vez de se oporem à mecânica aflitiva e olharem desesperados o vazio, como faço eu, homem marginalizado que sou.”

“Não se deveria falar dos animais dessa maneira. Podem ser terríveis às vezes, mas sem dúvida são muito mais justos que os homens.”

“Saímos da natureza e caímos no vazio.”

“Aprenda a levar a sério o que merece ser levado a sério, e a rir de tudo mais!”

Excertos de "O Lobo da Estepe" de Hermann Hesse.



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P.S. Alguns animais ilustram este escrito. São figuras aleatórias, sem nome nem residência, que vagam em torno de nossas existências, procurando alimento, algum abrigo, e remédios para suas dores. Captei-os em minhas andanças, aqui e ali.
Ilustram o post pois foram mencionados. Pois, talvez como eu mesmo, se sentem também como fantasmas, como nos relatos contidos no Livro "O Lobo da Estepe", os quais introduzem o texto abaixo. "Míseros eremitas em meio a um mundo cujos objetivos não compartilham", apenas se adaptam. Observam tudo de fora, equidistantes.
São, como assinala Hesse, "na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.” 
Cumpre advertir que todos os animais retratados nas fotos que ilustram este escrito, concordaram em ter as suas imagens divulgadas, e assinaram os documentos e termos necessários, conforme a legislação vigente.
Esta não é uma obra de ficção, de modo que qualquer semelhança com pessoas, animais, fatos e eventos da vida real, não terá sido mera coincidência.




OS demônios pairam e pousam sobre os edifícios e casas à noite. Os anjos também. 

Se pensarmos que, segundo o texto bíblico, os demônios seriam anjos que caíram, ou seja, pecaram antes da criação de Adão, e foram condenados ao Inferno, ambos podem ser denominados de anjos.

Ambos usam armas, e são suficientemente preparados para que, ocasionalmente, precisem matar. Ainda não se perquire a respeito do justo e injusto nesse momento. Valorações e motivações ainda não são relevantes.

Não que eu acredite em anjos e demônios e humanos bons. São apenas metáforas, ainda que goste muito de símbolos sacros, além de símbolos em geral. 

Por isso mesmo que dois dos filmes que mais gostei envolvem anjos, mesmo não crendo em sua existência. Serão abaixo citados.

Mas acredito nos animais. Não que sejam exatamente bons, mas não são cínicos. 

Não costumam ver deuses, e os únicos demônios que eles conhecem os rodeiam todos os dias, nós. E sua forma de sobreviver foi tentando cortejar estas bestas, algo que as vacas não conseguiram. 

Pelo menos aqui no Brasil, pois assim como, em países orientais, os cães viraram uma iguaria culinária. 

A velha estória da sorte ou revés.


Lugar errado, hora errada.



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Ou lugar certo e hora certa, como este cão da foto abaixo, que mora em uma lage alguns andares abaixo de onde estou habitando provisoriamente, a qual, por seu turno, fica há dois andares do nível da rua. 

Ao menos, a lage tem uma boa extensão.

Mas o lugar é um tanto deprimente, menos para o cão, do que para um humano, pois apresenta aquela cor habitual do mofo e do concreto de prédios antigos e feios e sujos, e se trata apenas de uma lage, sem qualquer tipo de vida vegetal.

Ele perambula por ali, inconsciente, ao menos, acerca da incômoda situação em que se encontra. 

Talvez mais incômoda em minha racionalidade do que para o que pudesse estar elaborando mentalmente o conformado ser de se trata. Visitado por algumas pombas passageiras. Latindo para janelas em que percebe algum movimento. Cheirando aqui e ali. 

Pois nesta ensolarada tarde de sábado, sua massacrante rotina foi quebrada, já que acabou por conhecer o raro sabor de um bom sanduíche de atum. 

Aliás, vários bons sanduíches de atum, que por mim foram arremessados, já que, após o primeiro, ele continuava esperando o próximo, e, seu olhar, de certa forma me compadeceu, devo admitir.

E lá estava ele aguardando outra guloseima voadora, olvidando, momentaneamente, a ordem das coisas que o cercavam. A monótona ordem de coisas que acompanhavam a sua improvável existência entre nós. 

Apenas esperando mais uma daquelas iguarias voadoras, compostas a partir de trigo e um tal de atum e arremessadas por algum humano de alguma janela, que ele já não conseguia divisar muito bem, tendo em vista a condição já precária de sua visão, cachorro que é (é aquela figurinha bem no meio da foto - estava meio longe, tive que contar com meus dons no arremesso): 







Mas retornando ao último aspecto acima referido, sobre lugares errados e horas erradas e vice-versa, se eu fosse homossexual e morasse no Brasil, participaria de manifestações festivas e, no máximo, apanharia as vezes. 

Já na Síria, seria defenestrado a partir do topo de algum prédio de dez pavimentos em nome do Profeta (prédio este ainda, e por milagre, poupado de bombas e destruições...deve ser Alá...exercitando sua imensurável piedade e nobreza...........alá o cara caindo!!!), por iniciativa do grupo de fanáticos carniceiros que estiver na moda no momento, no caso, o Estado Islâmico.

Al quaeda já está demodé. É brega. Vetusta. Chinfrim. 


Significado de Chinfrim
adj.2g. Ordinário; de péssima qualidade; sem utilidade ou valor: sapato chinfrim.Reles; sem relevância, importância; que é insignificante: sujeito chinfrim.Mau gosto: festa chinfrim.Barulhento; muito tumultuado: protesto chinfrim. s.m. Popular. Algazarra; excesso de desordem, de confusão.Brasil. Festa popular, informal, muito descontraída e alegre.Regionalismo. Arrasta-pé; baile com músicas populares como o forró.(Etm. de origem questionável)


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Entretanto, não são apenas os animais que cortejam as bestas, senão que a maioria de nós mesmos vive a cortejar estúpidos e criminosos, fantasmas e cínicos, maldosos e psicopatas, tiranos e sádicos, as nossas bestas.

Se vivêssemos em um ambiente aonde ainda existissem verdades e justiças, o Eduardo Cunha já teria sido currado por um touro em praça pública, ao invés de touros serem currados por covardes em arenas espanholas, nação autoproclamada "evoluída". 

Evolução é um todo, não deve ser considerada pela metade, como a Suíça, puta vestida de freira (nada contra putas, e sim contra freiras) paraíso financeiro de canalhas.

Calma...não estou pregando o primitivismo bárbaro e medieval, onde nos transformamos em monstros para combater monstros, algo não indicado por Nietzsche. 

São apenas metáforas que ilustram a realidade injusta e falsa, irreal, de nossas "desrealidades" pessoais e coletivas.

Touros, galos, cães, humanos tudo o que puder fazer parte de uma "rinha", está valendo, desde que o sofrimento seja alheio.

Assim como o numerário que vier a ingressar em seus bolsos, fruto de sofrimento e sangue maquiados de espetáculo, como o Coliseu moderno, espetáculos sádicos, feitos de sádicos para sado-masoquistas. 

Eles quase gozam quando ouvem: "iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiits ........TIIIIMEEEEEEE!!!!", famoso jargão de um famoso apresentador de eventos de MMA, e que, aliás, introduz irritante e repetidamente o comercial de mais um dos carros de som que perambulam incessantemente nos arredores do local onde tenho habitado.


E não cortejamos bestas apenas elegendo sempre os mesmos vermes perniciosos e degenerados a cada eleição, mas também em uma escala mais doméstica, ao aguentarmos e calarmos diante de alarmes que tocam à noite, mulheres que apanham, e perturbações sonoras de toda a ordem, bem como as habituais arrogâncias externadas diariamente por tolos existenciais, os quais mereceriam, no mínimo, punições com bofetões na face.

Como aqueles infligidos pela polícia aos suspeitos que habitam regiões menos providas em termos financeiros,.

Gentileza não dispensada a criminosos mais famosos, e que são presos após darem entrevistas em suas motos importadas, como o escroto do Roberto Jefferson, psicopata social de alta periculosidade, que goza de todos os benefícios ofertados por nossa surreal visão de mundo, que tanto cultivamos, onde nada mais é estranho.

Baixamos a cabeça e seguimos, amassados pela vergonha que sentimos de nós mesmos, e amassados diante do fato de saber que as estruturas criadas para defender-nos, em verdade, nada farão, são apenas fachadas, e que as vezes cuidar de si mesmo é simplesmente passar pela humilhação de ter que baixar a cabeça, o que acaba por perturbar o sono, pois de nosso próprio julgamento não fugimos.

Nem do sistema.

E eles lá, os fantasmas de nós mesmos, o sistema e os animais, nos observando, invisíveis, como os anjos dos excelentes filmes do Win Wenders, "Tão Longe, Tão Perto e Asas do Desejo", ou como no Ghost Dog, do Jim Jarmusch.

Só não estão em cima dos monumentos de Berlim, anjos sem asas que são, mas ali estão. Anjos caídos foram despojados de suas asas. 

Sempre presentes. Como adornos invisíveis, como são as gárgulas para os incautos que visitam catedrais góticas. Ou os cães, baratas e mendigos para a maioria de nós.

Sempre observando o incessante vai e vem de seres cujo comportamento, bondade e maldade são imprevisíveis. 

Eles e suas dores invisíveis, as quais poderiam ser facilmente debeladas ou aliviadas a partir da administração adequada de modernos opiáceos.

Um desses cães que na rua conheci, particularmente mais sábio que outros, como sói ocorrer entre os humanos, (apelidei de coruja, pois sua inteligência se sobressaía em relação a outros de sua espécie...não que uma coruja seja sábia...mas parece...como a mulher de César), chegou a me dizer, entre tantos outros pensamentos e entre uma coçada e outra: 

"Ao menos estou livre de conduzir, sob relho e mesmo gozando de saúde precária, uma carroça todos os dias, como aquele cavalo que vai cruzando a rua, limitado por suas viseiras, triste e errante figura, escravo de escravos, e produzindo faíscas fugazes, produzidas no atrito entre o não- capim e suas gastas ferraduras, que dão sorte apenas àqueles que não as usam..." 

Opiáceos. Os alívios. Tão longe, tão perto, como o título do filme.







E os animais parecem observar a nós mesmos melhor do que somos capazes de fazê-lo, e não porque estejamos sempre correndo, porque isso sempre estivemos, mas porque somos patéticos, e cheios de atos desnecessários, tolos, rasos e maus.

Suas agruras, ao menos, não nascem no bojo da covardia, do comodismo, e do culto exagerado à estética e afetações de qualquer tipo. E mesmo o culto aos atos e cotidianos inconscientes, onde nos acostumamos a tolerar o mau e a dor, tanto em relação a nós mesmos quanto ao próximo.

Se a nós não logramos observar com realismo, tampouco observaremos as dores que são alheias, tanto as de outros humanos, como aquelas dos animais, ou mesmo a própria agonia silenciosa quase "inanimada" dos recursos naturais.

Tratamos como inanimado o sofrimento que não nos pertença, agimos como o homem que vira homem-pedra ao cruzar por um mendigo em estado terminal, um cão com dores, ou um cavalo escravo chicoteado todo o dia, todos os dias.

Acostumamo-nos a tolerar o horror de nós mesmos, a saber que o inferno é o outro e que só amamos ao próximo quando este não é o nosso vizinho ou quando não é aquele que bate à nossa porta a esmolar.

Deuses e Bíblias e Alcorões e Torás servem apenas para que alguns fiquem ricos, a maioria padeça em sentimentos de culpa, e outros se explodam em nome de estórias cretinas criadas em mundos isolados, por humanos que acreditavam em bruxas e Terras quadradas. 

Que acreditavam que o sol girava em torno da Terra e éramos o centro do universo.







Contudo, a respeito dos anjos e demônios (ainda que de outra coisa não se esteja a falar), recordo que, certa feita, em algum  tipo de filme de ação, chamou-me a atenção um breve diálogo onde uma das personagens informava à outra que apenas os criminosos e os policiais viam o mundo como ele realmente se nos apresentava.

Por isso mesmo, acho, não gosto de escrever sem os meus coturnos. 

Não gosto de escrever de pés descalços. Justamente por isso volta e meia acabo protagonizando cenas ridículas, como agora: camiseta, cueca e coturno.








E a cueca se deve justamente ao fato de também não gostar de escrever completamente nu, ou pelo menos com as "vergonhas à mostra)" (como disse Cabral em sua famosa missiva), senão seria ainda mais decadente a visão que teria de mim mesmo ao cruzar o espelho.

Formas de vida decadentes. Thundercats. Moon Há.

Não que tais comentários aleatórios possam ter alguma importância, além do fato de serem apenas filigranas curiosos de uma vida involuntariamente cheia de "exotices" eventualmente cômicas, ao que, passam a ser dignas de nota, ao menos no limitado entendimento deste que vos escreve.

Mas retornando ao comentário acima, sobre criminosos e policiais, a personagem completa o diálogo afirmando que os demais humanos mais viviam as suas ilusões, devaneios "disneilândicos", agruras pessoais massacrantes e egoísmos desmedidos.

(estou escutando aquilo que veio a ficar mais conhecido, durante uma determinada época e em uma determinada região, como a vinheta da Policlínica Central, melancólico reclame exibido pela antiga TV2 Guaíba durante as madrugadas...e somente durante as madrugadas...estranho isso faz tanto tempo...mas desde sempre frequentei as madrugadas...de autoria do Pink Floyd)

Nos filmes em geral sempre me senti mais afeito aos personagens obscuros, enigmáticos, magnéticos, sordidamente inteligentes, não necessariamente maus, que empregassem violência extrema ou mínima dependendo apenas do limite que possa a maldade alcançar. 

Nunca maus, mas justos. 

Adoro o Eastwood, tirando o fato de que ele é Republicano. Mas ele fez um bom trabalho como Prefeito de um Condado qualquer, então o perdoo. Não que ele vá se importar, e tampouco ficar sabendo.

Anjos possuem as mesmas armas que os demônios. E, assim como os seus algozes, não são necessariamente bonzinhos.

Aliás, e prosseguindo, agruras pessoais massacrantes e os egoísmos desmedidos têm algo em comum. Ambas as posturas encerram em si um grande grau de egocentrismo, o que nos conduz novamente à ideia de...egoísmo. E não só.

Ambas as posturas revelam fraquezas, cada qual em sua modalidade. 

Tanto egoístas compulsivos e vaidosos quanto aqueles que passam a vida a carregar cruzes, e isso não tem a ver com condição financeira, padecem de carências tão essenciais, que, talvez como punição, não lhes tenha sido ofertado o Direito (condição interna) de gozar e se regojizar com os pequenos e grandes momentos onde se sente algo parecido com o conceito de felicidade. 

Curiosa, pois, se torna a sua empáfia, a forma inconsciente e patética como tentam produzir uma ideia positiva daquilo que se tornaram.

Vidas no limbo, cheias de nuvens de chuva pairando. 

Não a chuva de verão, refrescante e cheia de arco-íris e surpresas ao final do dia - potes de ouro, mas a chuva renitente e enfadonha do inverno (inferno) profundo, onde tudo são cinismos, onde nada parece o que deveria parecer, e as ilusões desencaminhadas conferem às suas existências um gosto azedo, acre.


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E o burburinho continua lá fora, e em certos dias faz parecer que algo está acontecendo, mas não está. 

Trata-se apenas do fato de ser, o humano, eminentemente social, e ficar, assim como as moléculas ao serem expostas ao calor, mais agitadas.

Contudo, essa aparente agitação se dissipa quando todos acabam concluindo que se trata de um conjunto de egoísmos que apenas estão a ocupar o mesmo espaço geográfico, mas que, estranhamente, mesmo sendo egoísmos, a atração é quase inevitável, sociais que somos.

Por isso mesmo é que The Wall acaba se baseando nessa ideia de que por mais juntos que pareçamos estar, em verdade, acabamos é criando muros a nossa volta com o passar dos anos, visíveis e invisíveis.

E lá estão eles, os cães, as aves, os insetos, os gatos, baratas, caratas, invisíveis, sempre a observar tudo melhor do que nós mesmos poderíamos fazer.

Invisíveis, ou apenas eventualmente visíveis, como os anjos do Win Wenders, acostumados com a sua condição subalterna, conformados em sentir dor, e silenciar, e mesmo, por vezes, inconformados em serem invisíveis, como ocorre no segundo filme. 

Felizes com suas pequenas alegrias, como sanduíches voadores de atum, ou mesmo uma boa fogueira no inverno. 

Vidas curtas e patéticas, mas não secas, cínicas e covardes.

Ao menos, livres. 


Isso me faz lembrar que "O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores numa posição posterior aos porcos na prioridade de escolha de materiais orgânicos é o fato de não terem dinheiro nem dono. Os humanos se diferenciam dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por serem livres. 

Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."


(A frase acima encerra o genial curta-metragem Ilha das Flores, mas a última parte é da autoria de Cecília Meireles, não menos genial.)






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