"Vamos agradecer aos idiotas. Não fosse por eles, não faríamos tanto sucesso." Mark Twain
"Não é bom deixar a noite julgar o dia: pois com frequência o cansaço torna-se juiz da força, do êxito e da boa vontade.
Assim também é aconselhável extrema cautela em relação à idade e seu julgamento da vida, uma vez que a velhice, como a noite, ama disfarçar-se de uma nova e atraente moralidade e sabe humilhar o dia com os vermelhos do crepúsculo e o silêncio apaziguador ou nostálgico." Nietzsche
CHAPTER ONE
Uma besteira para iniciar...
Daquelas que seriam qualificadas como - "totalmente desnecessárias".
E para inaugurar um dos dois capítulos de hoje, em que escrevo em homenagem aos idiotas.
Ao escrever homenageando os idiotas, homenageamos quase todas as pessoas. Grande sacada.
Assim como fazem os publicitários, sem qualquer escrúpulo.
Aliás, publicidade e escrúpulos nunca andaram juntas, assim como a política e a honestidade. Onde quer que seja.
Publicidade e política só são honestas por acaso ou por necessidade.
Exemplo:
A Tatá Werneck, assim como a Dani Calabresa, não são musas, dentro de um conceito mais dogmático, universal, técnico e hermético de beleza.
Também não são sábias, são apenas espertas. A diferença é kilométrica.
Basta ver que elas mesmas ficaram sem jeito quando tiveram que oferecer algo que nunca tiveram a oferecer. Elas mesmas ficaram surpresas, e continuam sem entender. Aliás, a Tatá até que entende um pouco melhor.
São, apenas e tão-somente, anti-heroínas. Assim como o Macunaíma. O Macunaíma, não o Otelo, por maior que seja, e mesmo sendo Grande.
Isso acontece quando o fenômeno social procura algum tipo de quebra não só da ordem estética, como da ordem em geral, em todas as suas manifestações.
Assim sendo, os publicitários deveriam deixar cada coisa em seu lugar, não precisariam tentar me convencer de que as extrovertidas e não-bonitas moças citadas acima, poderiam se prestar a traduzir parâmetros válidos e contundentes de beleza.
São apenas bonitinhas quando muito. E espertas por demais.
Mas eles não deixam, e do Pop ninguém se salva.
Tudo bem que até prefiro o tipo de beleza delas, meio feia, meio pérfida, meio sórdida, meio odorífica, meio mais inteligente que o normal
Mas eu sou eu. Não poderiam os publicitários lançar mão destas imagens como algo válido em termos estéticos para o senso geral (?).
Ou poderiam, e justamente aí está a sacada (!). Eles precisam fazer isso, por isso que não são exatamente honestos, assim como os advogados...são honestos apenas por sorte.
Todos jogam apenas por si mesmos. É a guerra da carne.
Ou seja, apenas aqueles publicitários e comunicadores espertos demais (esperteza não é necessariamente uma virtude, pode ser, isso sim, a exteriorização da vileza), que hajam captado a noção psicologicamente coletiva de "tendência", tendo percebido, que, em face dos ciclos, estamos em um momento em que este tipo de parâmetro estético pode ser digerido, é que acabam fazendo a coisa certa.
Ou seja, eles leram que queremos a quebra de parâmetros de estética, de maneira até mesmo debochada, não apenas séria. Então as musas passam a ser anti-heroínas, aparentemente idiotas, aparentemente atrapalhadas, e aparentemente não tão bonitas.
Afinal, publicitários servem, ou deveriam servir para isso, além de catapultar às esferas mais elevadas do Poder, pessoas como o Lula ou a Dilma.
Aliás, publicitários são especialistas em pegar latas de merda e escrever expressões como "o melhor", "sabor inigualável", "honesto"...etc etc etc etc
Ao menos seus gostos são aprimorados, pois costumam comemorar as suas vitórias com o bom e velho vinho produzido por Domaine de la Romanée Conti.
Aliás, esta seria a única razão plausível para que eu cogitasse a hipótese de me tornar um homem da propaganda.
Não ia ser a Escola Superior de Propaganda e Marketing, nem as palestras idiotas do Olivetto, porque bucetas, incompetentes e estrelas eu caminho e chuto na rua.
Ou seja, um de seus atributos é tentar ler o que a massa ignara quer.
Publicitários não devem dizer o que é certo, apenas captar o senso comum e transformar, na medida do possível, este senso em cifrões para os seus clientes.
Publicitários devem tentar vender, e, para tanto, farão o que for preciso.
Seria demais pedir que fizessem mais do que isso, afinal, eles precisam comer, e, para isso, devem vender as suas almas. Infelizmente.
Publicitários de verdade, pois, não podem ter escrúpulos.
Eles não se prestam a dizer a verdade, apenas amoldar verdades aos nossos cotidianos.
Eles servem apenas como antenas que captam os ciclos, os velhos ciclos que sempre nos acompanharam, assim sendo, percebem que a fase é de quebra. Quer queiramos ou não.
Quer eles queiram ou não. Paradoxal isso. O que será que vem primeiro o ovo ou a galinha??
O publicitário, forjando as verdades que precisamos digerir para que eles ganhem o seu pão. Eles apenas não têm escrúpulos.
Ou seja, só existem publicitários, porque existem os idiotas. E os Idiotas são a maioria esmagadora.
Antes eles do que nós, que além de não termos escrúpulos, não temos parâmetros próprios, necessitando que tais paradigmas sejam impostos de fora para dentro, e somos burros, pois lidamos com tendências como se devêssemos nos entregar a elas.
Patos na lagoa.
Assim sendo, em verdade. os culpados somos nós, que aceitamos e engolimos tudo, pois somos carentes de lideranças, em todos os setores.
Não somos mais honestos. Somos apenas idiotas manipuláveis, o que também, de certa forma, nos faz desonestos, pois deveríamos tentar não ser apenas bonecos nas mãos de títeres.
Deveríamos desenvolver conceitos e tendências próprias, pois, apenas eventualmente as verdades vendidas a nós serão verdadeiras.
Depende de uma variante: se esta verdade vende ou não.
Mas é mais fácil esperar pelo que vem de fora, pois afinal de contas o que importa é cuidar de nossas vidinhas particulares idiotas, e, desde que tudo pareça bem, está tudo bem.
CHAPTER TWO
E por falar nas propagandas e reclames em geral, publicitários e suas imposições de tendências, sejam elas honestas ou não, ontem tive a oportunidade de observar que continuam tentando me vender a ideia da assim denominada "terceira idade".
Noto, inclusive, que hoje em dia isso esta mais restrito a reclames de classe inferior em termos técnico-financeiros, porque outras camadas já nem engolem mais essa baboseira.
Contudo, o fato é que grande parte do público é capaz de engolir estas bobagens, e por isso mesmo as peças de propaganda (e políticos) ainda exploram expressões tão bestas e irreais quanto esta da "melhor idade".
Como acontece com aquela escumalha que diz praticar a religião evangélica. Se eu tiver que assistir de novo a programas evangélicos de televisão etc.....tenho acessos de vômito e melancolias que conduziriam ao suicídio.
Mas estes programas existem, assim como aqueles "templos" idiotas, mal feitos, mal estruturados, consistindo simplesmente em caixas para receber aquela legião de idiotas querendo depositar seus parcos recursos em urnas e sacos bem distribuídos nestes estabelecimentos comerciais (sentir-me-ia ridículo se chamasse de igrejas).
Já tem até drive thru, inovação da Universal. Ideia daquele psicopata do Edir Macedo, que é cultuado até no oriente, assim como o medíocre oportunista do Paulo Coelho.
Ao menos somos apenas medíocres, o que não chega a ser exatamente um alívio.
Enquanto isso observo todas as noites, há mais de vinte e cinco dias, as idosas e idosos do prédio vizinho.
Eles estão sempre lá e estão sempre esperando, aparentemente desolados.
Eles têm medo porque não estavam preparados. Talvez tenham sido arrogantes demais. Talvez hajam produzido muito ruído, olvidando seus ocos, ou mesmo para não ouvi-los.
Melhor idade é o caralho. Ponto. Nem vou desenvolver, até porque é na melhor idade de verdade que algo se desenvolve.
Parecem perdidos, tristes, frágeis, abandonados, amargos, aflitos, saudosos...vítimas...para os outros e para si mesmos...se carregam dia após dia nas costas.....as suas......
Será que tem que ser assim?
Mesma indagação que vinha à mente quando eu era criança e observava o ar sisudo, taciturno, preocupado, ensimesmado, carrancudo, dos adultos.
Adultos. O que você vai ser...quando você crescer...?
Chega. Dói a nuca escrever. E não gosto de escrever com gente na volta. Gente é gente e faz ruído de gente. O problema não é o ruído. Não mais. Mas amanhã eles não estarão mais na volta.












