quarta-feira, 18 de novembro de 2015

PUBLICITÁRIOS, IDIOTAS E A MELHOR IDADE - TEMAS QUE SE AFEIÇOAM











"Vamos agradecer aos idiotas. Não fosse por eles, não faríamos tanto sucesso." Mark Twain


"Não é bom deixar a noite julgar o dia: pois com frequência o cansaço torna-se juiz da força, do êxito e da boa vontade.
Assim também é aconselhável extrema cautela em relação à idade e seu julgamento da vida, uma vez que a velhice, como a noite, ama disfarçar-se de uma nova e atraente moralidade e sabe humilhar o dia com os vermelhos do crepúsculo e o silêncio apaziguador ou nostálgico." Nietzsche




CHAPTER ONE


Uma besteira para iniciar...

Daquelas que seriam qualificadas como - "totalmente desnecessárias".

E para inaugurar um dos dois capítulos de hoje, em que escrevo em homenagem aos idiotas. 

Ao escrever homenageando os idiotas, homenageamos quase todas as pessoas. Grande sacada. 

Assim como fazem os publicitários, sem qualquer escrúpulo. 

Aliás, publicidade e escrúpulos nunca andaram juntas, assim como a política e a honestidade. Onde quer que seja.

Publicidade e política só são honestas por acaso ou por necessidade.

Exemplo:

A Tatá Werneck, assim como a Dani Calabresa, não são musas, dentro de um conceito mais dogmático, universal, técnico e hermético de beleza. 

Também não são sábias, são apenas espertas. A diferença é kilométrica.

Basta ver que elas mesmas ficaram sem jeito quando tiveram que oferecer algo que nunca tiveram a oferecer. Elas mesmas ficaram surpresas, e continuam sem entender. Aliás, a Tatá até que entende um pouco melhor.

São, apenas e tão-somente, anti-heroínas. Assim como o Macunaíma. O Macunaíma, não o Otelo, por maior que seja, e mesmo sendo Grande.

Isso acontece quando o fenômeno social procura algum tipo de quebra não só da ordem estética, como da ordem em geral, em todas as suas manifestações.

Assim sendo, os publicitários deveriam deixar cada coisa em seu lugar, não precisariam tentar me convencer de que as extrovertidas e não-bonitas moças citadas acima, poderiam se prestar a traduzir parâmetros válidos e contundentes de beleza. 

São apenas bonitinhas quando muito. E espertas por demais.

Mas eles não deixam, e do Pop ninguém se salva.

Tudo bem que até prefiro o tipo de beleza delas, meio feia, meio pérfida, meio sórdida, meio odorífica, meio mais inteligente que o normal

Mas eu sou eu. Não poderiam os publicitários lançar mão destas imagens como algo válido em termos estéticos para o senso geral (?).

Ou poderiam, e justamente aí está a sacada (!). Eles precisam fazer isso, por isso que não são exatamente honestos, assim como os advogados...são honestos apenas por sorte.

Todos jogam apenas por si mesmos. É a guerra da carne.

Ou seja, apenas aqueles publicitários e comunicadores espertos demais (esperteza não é necessariamente uma virtude, pode ser, isso sim, a exteriorização da vileza), que hajam captado a noção psicologicamente coletiva de "tendência", tendo percebido, que, em face dos ciclos, estamos em um momento em que este tipo de parâmetro estético pode ser digerido, é que acabam fazendo a coisa certa. 

Ou seja, eles leram que queremos a quebra de parâmetros de estética, de maneira até mesmo debochada, não apenas séria. Então as musas passam a ser anti-heroínas, aparentemente idiotas, aparentemente atrapalhadas, e aparentemente não tão bonitas.

Afinal, publicitários servem, ou deveriam servir para isso, além de catapultar às esferas mais elevadas do Poder, pessoas como o Lula ou a Dilma. 

Aliás, publicitários são especialistas em pegar latas de merda e escrever expressões como "o melhor", "sabor inigualável", "honesto"...etc etc etc etc

Ao menos seus gostos são aprimorados, pois costumam comemorar as suas vitórias com o bom e velho vinho produzido por Domaine de la Romanée Conti.

Aliás, esta seria a única razão plausível para que eu cogitasse a hipótese de me tornar um homem da propaganda. 

Não ia ser a Escola Superior de Propaganda e Marketing, nem as palestras idiotas do Olivetto, porque bucetas, incompetentes e estrelas eu caminho e chuto na rua.

Ou seja, um de seus atributos é tentar ler o que a massa ignara quer.

Publicitários não devem dizer o que é certo, apenas captar o senso comum e transformar, na medida do possível, este senso em cifrões para os seus clientes.

Publicitários devem tentar vender, e, para tanto, farão o que for preciso. 

Seria demais pedir que fizessem mais do que isso, afinal, eles precisam comer, e, para isso, devem vender as suas almas. Infelizmente.

Publicitários de verdade, pois, não podem ter escrúpulos.

Eles não se prestam a dizer a verdade, apenas amoldar verdades aos nossos cotidianos.

Eles servem apenas como antenas que captam os ciclos, os velhos ciclos que sempre nos acompanharam, assim sendo, percebem que a fase é de quebra. Quer queiramos ou não. 

Quer eles queiram ou não. Paradoxal isso. O que será que vem primeiro o ovo ou a galinha??

O publicitário, forjando as verdades que precisamos digerir para que eles ganhem o seu pão. Eles apenas não têm escrúpulos. 

Ou seja, só existem publicitários, porque existem os idiotas. E os Idiotas são a maioria esmagadora.

Antes eles do que nós, que além de não termos escrúpulos, não temos parâmetros próprios, necessitando que tais paradigmas sejam impostos de fora para dentro, e somos burros, pois lidamos com tendências como se devêssemos nos entregar a elas.

Patos na lagoa. 

Assim sendo, em verdade. os culpados somos nós, que aceitamos e engolimos tudo, pois somos carentes de lideranças, em todos os setores.

Não somos mais honestos. Somos apenas idiotas manipuláveis, o que também, de certa forma, nos faz desonestos, pois deveríamos tentar não ser apenas bonecos nas mãos de títeres. 

Deveríamos desenvolver conceitos e tendências próprias, pois, apenas eventualmente as verdades vendidas a nós serão verdadeiras. 

Depende de uma variante: se esta verdade vende ou não. 

Mas é mais fácil esperar pelo que vem de fora, pois afinal de contas o que importa é cuidar de nossas vidinhas particulares idiotas, e, desde que tudo pareça bem, está tudo bem.



CHAPTER TWO


E por falar nas propagandas e reclames em geral, publicitários e suas imposições de tendências, sejam elas honestas ou não, ontem tive a oportunidade de observar que continuam tentando me vender a ideia da assim denominada "terceira idade".

Noto, inclusive, que hoje em dia isso esta mais restrito a reclames de classe inferior em termos técnico-financeiros, porque outras camadas já nem engolem mais essa baboseira.

Contudo, o fato é que grande parte do público é capaz de engolir estas bobagens, e por isso mesmo as peças de propaganda (e políticos) ainda exploram expressões tão bestas e irreais quanto esta da "melhor idade".

Como acontece com aquela escumalha que diz praticar a religião evangélica. Se eu tiver que assistir de novo a programas evangélicos de televisão etc.....tenho acessos de vômito e melancolias que conduziriam ao suicídio.

Mas estes programas existem, assim como aqueles "templos" idiotas, mal feitos, mal estruturados, consistindo simplesmente em caixas para receber aquela legião de idiotas querendo depositar seus parcos recursos em urnas e sacos bem distribuídos nestes estabelecimentos comerciais (sentir-me-ia ridículo se chamasse de igrejas).

Já tem até drive thru, inovação da Universal. Ideia daquele psicopata do Edir Macedo, que é cultuado até no oriente, assim como o medíocre oportunista do Paulo Coelho. 

Ao menos somos apenas medíocres, o que não chega a ser exatamente um alívio.

Enquanto isso observo todas as noites, há mais de vinte e cinco dias, as idosas e idosos do prédio vizinho. 

Eles estão sempre lá e estão sempre esperando, aparentemente desolados. 

Eles têm medo porque não estavam preparados. Talvez tenham sido arrogantes demais. Talvez hajam produzido muito ruído, olvidando seus ocos, ou mesmo para não ouvi-los.

Melhor idade é o caralho. Ponto. Nem vou desenvolver, até porque é na melhor idade de verdade que algo se desenvolve.

Parecem perdidos, tristes, frágeis, abandonados, amargos, aflitos, saudosos...vítimas...para os outros e para si mesmos...se carregam dia após dia nas costas.....as suas......

Será que tem que ser assim?

Mesma indagação que vinha à mente quando eu era criança e observava o ar sisudo, taciturno, preocupado, ensimesmado, carrancudo, dos adultos. 

Adultos. O que você vai ser...quando você crescer...?

Chega. Dói a nuca escrever. E não gosto de escrever com gente na volta. Gente é gente e faz ruído de gente. O problema não é o ruído. Não mais. Mas amanhã eles não estarão mais na volta.


















segunda-feira, 16 de novembro de 2015

ANJOS E DEMÔNIOS. LIMBOS E TRANSCENDÊNCIAS. COTIDIÂNUS.








“...como admirava, então, aquelas enevoadas tardes de outono ou de inverno! Como respirava, ansioso e embevecido, a sensação de isolamento e melancolia, quando, noite adentro, enrolado em meu capote, atravessava as chuvas e tempestades de uma natureza hostil e revoltada, e caminhava errante, pois naquele tempo já era só, mas ia repleto de profunda satisfação e de versos, que mais tarde escrevia, em meu quarto, à luz de uma vela, sentado à beira da cama.”

“Como não haveria de ser eu um Lobo da Estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! (...) E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou louco.

"Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.”

“...nada daquilo era para mim, tudo aquilo era para os normais, as pessoas comuns.”

"...agora me visto e saio, vou visitar o professor e troco com ele algumas frases amáveis, mais ou menos falsas, tudo isso contra a minha vontade, assim procede a maioria dos homens que vivem e negociam todos os dias, todas as horas, forçadamente e sem na realidade querê-lo; fazem visitas, mantêm conversações, sentam-se durante horas inteiras em seus escritórios e fábricas, tudo à força, mecanicamente, sem vontade; tudo poderia ser realizado com a mesma perfeição por máquinas ou não se realizar;

"e essa mecânica eternamente continuada é o que lhes impede, assim como a mim, de exercer a crítica à sua própria visao, reconhecer e sentir sua estupidez e superficialidade, sua desesperada tristeza e solidão. E têm razão, muitíssima razão, os homens que assim vivem, que se divertem com seus brinquedinhos, que correm atrás de seus assuntos, em vez de se oporem à mecânica aflitiva e olharem desesperados o vazio, como faço eu, homem marginalizado que sou.”

“Não se deveria falar dos animais dessa maneira. Podem ser terríveis às vezes, mas sem dúvida são muito mais justos que os homens.”

“Saímos da natureza e caímos no vazio.”

“Aprenda a levar a sério o que merece ser levado a sério, e a rir de tudo mais!”

Excertos de "O Lobo da Estepe" de Hermann Hesse.



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P.S. Alguns animais ilustram este escrito. São figuras aleatórias, sem nome nem residência, que vagam em torno de nossas existências, procurando alimento, algum abrigo, e remédios para suas dores. Captei-os em minhas andanças, aqui e ali.
Ilustram o post pois foram mencionados. Pois, talvez como eu mesmo, se sentem também como fantasmas, como nos relatos contidos no Livro "O Lobo da Estepe", os quais introduzem o texto abaixo. "Míseros eremitas em meio a um mundo cujos objetivos não compartilham", apenas se adaptam. Observam tudo de fora, equidistantes.
São, como assinala Hesse, "na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.” 
Cumpre advertir que todos os animais retratados nas fotos que ilustram este escrito, concordaram em ter as suas imagens divulgadas, e assinaram os documentos e termos necessários, conforme a legislação vigente.
Esta não é uma obra de ficção, de modo que qualquer semelhança com pessoas, animais, fatos e eventos da vida real, não terá sido mera coincidência.




OS demônios pairam e pousam sobre os edifícios e casas à noite. Os anjos também. 

Se pensarmos que, segundo o texto bíblico, os demônios seriam anjos que caíram, ou seja, pecaram antes da criação de Adão, e foram condenados ao Inferno, ambos podem ser denominados de anjos.

Ambos usam armas, e são suficientemente preparados para que, ocasionalmente, precisem matar. Ainda não se perquire a respeito do justo e injusto nesse momento. Valorações e motivações ainda não são relevantes.

Não que eu acredite em anjos e demônios e humanos bons. São apenas metáforas, ainda que goste muito de símbolos sacros, além de símbolos em geral. 

Por isso mesmo que dois dos filmes que mais gostei envolvem anjos, mesmo não crendo em sua existência. Serão abaixo citados.

Mas acredito nos animais. Não que sejam exatamente bons, mas não são cínicos. 

Não costumam ver deuses, e os únicos demônios que eles conhecem os rodeiam todos os dias, nós. E sua forma de sobreviver foi tentando cortejar estas bestas, algo que as vacas não conseguiram. 

Pelo menos aqui no Brasil, pois assim como, em países orientais, os cães viraram uma iguaria culinária. 

A velha estória da sorte ou revés.


Lugar errado, hora errada.



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Ou lugar certo e hora certa, como este cão da foto abaixo, que mora em uma lage alguns andares abaixo de onde estou habitando provisoriamente, a qual, por seu turno, fica há dois andares do nível da rua. 

Ao menos, a lage tem uma boa extensão.

Mas o lugar é um tanto deprimente, menos para o cão, do que para um humano, pois apresenta aquela cor habitual do mofo e do concreto de prédios antigos e feios e sujos, e se trata apenas de uma lage, sem qualquer tipo de vida vegetal.

Ele perambula por ali, inconsciente, ao menos, acerca da incômoda situação em que se encontra. 

Talvez mais incômoda em minha racionalidade do que para o que pudesse estar elaborando mentalmente o conformado ser de se trata. Visitado por algumas pombas passageiras. Latindo para janelas em que percebe algum movimento. Cheirando aqui e ali. 

Pois nesta ensolarada tarde de sábado, sua massacrante rotina foi quebrada, já que acabou por conhecer o raro sabor de um bom sanduíche de atum. 

Aliás, vários bons sanduíches de atum, que por mim foram arremessados, já que, após o primeiro, ele continuava esperando o próximo, e, seu olhar, de certa forma me compadeceu, devo admitir.

E lá estava ele aguardando outra guloseima voadora, olvidando, momentaneamente, a ordem das coisas que o cercavam. A monótona ordem de coisas que acompanhavam a sua improvável existência entre nós. 

Apenas esperando mais uma daquelas iguarias voadoras, compostas a partir de trigo e um tal de atum e arremessadas por algum humano de alguma janela, que ele já não conseguia divisar muito bem, tendo em vista a condição já precária de sua visão, cachorro que é (é aquela figurinha bem no meio da foto - estava meio longe, tive que contar com meus dons no arremesso): 







Mas retornando ao último aspecto acima referido, sobre lugares errados e horas erradas e vice-versa, se eu fosse homossexual e morasse no Brasil, participaria de manifestações festivas e, no máximo, apanharia as vezes. 

Já na Síria, seria defenestrado a partir do topo de algum prédio de dez pavimentos em nome do Profeta (prédio este ainda, e por milagre, poupado de bombas e destruições...deve ser Alá...exercitando sua imensurável piedade e nobreza...........alá o cara caindo!!!), por iniciativa do grupo de fanáticos carniceiros que estiver na moda no momento, no caso, o Estado Islâmico.

Al quaeda já está demodé. É brega. Vetusta. Chinfrim. 


Significado de Chinfrim
adj.2g. Ordinário; de péssima qualidade; sem utilidade ou valor: sapato chinfrim.Reles; sem relevância, importância; que é insignificante: sujeito chinfrim.Mau gosto: festa chinfrim.Barulhento; muito tumultuado: protesto chinfrim. s.m. Popular. Algazarra; excesso de desordem, de confusão.Brasil. Festa popular, informal, muito descontraída e alegre.Regionalismo. Arrasta-pé; baile com músicas populares como o forró.(Etm. de origem questionável)


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Entretanto, não são apenas os animais que cortejam as bestas, senão que a maioria de nós mesmos vive a cortejar estúpidos e criminosos, fantasmas e cínicos, maldosos e psicopatas, tiranos e sádicos, as nossas bestas.

Se vivêssemos em um ambiente aonde ainda existissem verdades e justiças, o Eduardo Cunha já teria sido currado por um touro em praça pública, ao invés de touros serem currados por covardes em arenas espanholas, nação autoproclamada "evoluída". 

Evolução é um todo, não deve ser considerada pela metade, como a Suíça, puta vestida de freira (nada contra putas, e sim contra freiras) paraíso financeiro de canalhas.

Calma...não estou pregando o primitivismo bárbaro e medieval, onde nos transformamos em monstros para combater monstros, algo não indicado por Nietzsche. 

São apenas metáforas que ilustram a realidade injusta e falsa, irreal, de nossas "desrealidades" pessoais e coletivas.

Touros, galos, cães, humanos tudo o que puder fazer parte de uma "rinha", está valendo, desde que o sofrimento seja alheio.

Assim como o numerário que vier a ingressar em seus bolsos, fruto de sofrimento e sangue maquiados de espetáculo, como o Coliseu moderno, espetáculos sádicos, feitos de sádicos para sado-masoquistas. 

Eles quase gozam quando ouvem: "iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiits ........TIIIIMEEEEEEE!!!!", famoso jargão de um famoso apresentador de eventos de MMA, e que, aliás, introduz irritante e repetidamente o comercial de mais um dos carros de som que perambulam incessantemente nos arredores do local onde tenho habitado.


E não cortejamos bestas apenas elegendo sempre os mesmos vermes perniciosos e degenerados a cada eleição, mas também em uma escala mais doméstica, ao aguentarmos e calarmos diante de alarmes que tocam à noite, mulheres que apanham, e perturbações sonoras de toda a ordem, bem como as habituais arrogâncias externadas diariamente por tolos existenciais, os quais mereceriam, no mínimo, punições com bofetões na face.

Como aqueles infligidos pela polícia aos suspeitos que habitam regiões menos providas em termos financeiros,.

Gentileza não dispensada a criminosos mais famosos, e que são presos após darem entrevistas em suas motos importadas, como o escroto do Roberto Jefferson, psicopata social de alta periculosidade, que goza de todos os benefícios ofertados por nossa surreal visão de mundo, que tanto cultivamos, onde nada mais é estranho.

Baixamos a cabeça e seguimos, amassados pela vergonha que sentimos de nós mesmos, e amassados diante do fato de saber que as estruturas criadas para defender-nos, em verdade, nada farão, são apenas fachadas, e que as vezes cuidar de si mesmo é simplesmente passar pela humilhação de ter que baixar a cabeça, o que acaba por perturbar o sono, pois de nosso próprio julgamento não fugimos.

Nem do sistema.

E eles lá, os fantasmas de nós mesmos, o sistema e os animais, nos observando, invisíveis, como os anjos dos excelentes filmes do Win Wenders, "Tão Longe, Tão Perto e Asas do Desejo", ou como no Ghost Dog, do Jim Jarmusch.

Só não estão em cima dos monumentos de Berlim, anjos sem asas que são, mas ali estão. Anjos caídos foram despojados de suas asas. 

Sempre presentes. Como adornos invisíveis, como são as gárgulas para os incautos que visitam catedrais góticas. Ou os cães, baratas e mendigos para a maioria de nós.

Sempre observando o incessante vai e vem de seres cujo comportamento, bondade e maldade são imprevisíveis. 

Eles e suas dores invisíveis, as quais poderiam ser facilmente debeladas ou aliviadas a partir da administração adequada de modernos opiáceos.

Um desses cães que na rua conheci, particularmente mais sábio que outros, como sói ocorrer entre os humanos, (apelidei de coruja, pois sua inteligência se sobressaía em relação a outros de sua espécie...não que uma coruja seja sábia...mas parece...como a mulher de César), chegou a me dizer, entre tantos outros pensamentos e entre uma coçada e outra: 

"Ao menos estou livre de conduzir, sob relho e mesmo gozando de saúde precária, uma carroça todos os dias, como aquele cavalo que vai cruzando a rua, limitado por suas viseiras, triste e errante figura, escravo de escravos, e produzindo faíscas fugazes, produzidas no atrito entre o não- capim e suas gastas ferraduras, que dão sorte apenas àqueles que não as usam..." 

Opiáceos. Os alívios. Tão longe, tão perto, como o título do filme.







E os animais parecem observar a nós mesmos melhor do que somos capazes de fazê-lo, e não porque estejamos sempre correndo, porque isso sempre estivemos, mas porque somos patéticos, e cheios de atos desnecessários, tolos, rasos e maus.

Suas agruras, ao menos, não nascem no bojo da covardia, do comodismo, e do culto exagerado à estética e afetações de qualquer tipo. E mesmo o culto aos atos e cotidianos inconscientes, onde nos acostumamos a tolerar o mau e a dor, tanto em relação a nós mesmos quanto ao próximo.

Se a nós não logramos observar com realismo, tampouco observaremos as dores que são alheias, tanto as de outros humanos, como aquelas dos animais, ou mesmo a própria agonia silenciosa quase "inanimada" dos recursos naturais.

Tratamos como inanimado o sofrimento que não nos pertença, agimos como o homem que vira homem-pedra ao cruzar por um mendigo em estado terminal, um cão com dores, ou um cavalo escravo chicoteado todo o dia, todos os dias.

Acostumamo-nos a tolerar o horror de nós mesmos, a saber que o inferno é o outro e que só amamos ao próximo quando este não é o nosso vizinho ou quando não é aquele que bate à nossa porta a esmolar.

Deuses e Bíblias e Alcorões e Torás servem apenas para que alguns fiquem ricos, a maioria padeça em sentimentos de culpa, e outros se explodam em nome de estórias cretinas criadas em mundos isolados, por humanos que acreditavam em bruxas e Terras quadradas. 

Que acreditavam que o sol girava em torno da Terra e éramos o centro do universo.







Contudo, a respeito dos anjos e demônios (ainda que de outra coisa não se esteja a falar), recordo que, certa feita, em algum  tipo de filme de ação, chamou-me a atenção um breve diálogo onde uma das personagens informava à outra que apenas os criminosos e os policiais viam o mundo como ele realmente se nos apresentava.

Por isso mesmo, acho, não gosto de escrever sem os meus coturnos. 

Não gosto de escrever de pés descalços. Justamente por isso volta e meia acabo protagonizando cenas ridículas, como agora: camiseta, cueca e coturno.








E a cueca se deve justamente ao fato de também não gostar de escrever completamente nu, ou pelo menos com as "vergonhas à mostra)" (como disse Cabral em sua famosa missiva), senão seria ainda mais decadente a visão que teria de mim mesmo ao cruzar o espelho.

Formas de vida decadentes. Thundercats. Moon Há.

Não que tais comentários aleatórios possam ter alguma importância, além do fato de serem apenas filigranas curiosos de uma vida involuntariamente cheia de "exotices" eventualmente cômicas, ao que, passam a ser dignas de nota, ao menos no limitado entendimento deste que vos escreve.

Mas retornando ao comentário acima, sobre criminosos e policiais, a personagem completa o diálogo afirmando que os demais humanos mais viviam as suas ilusões, devaneios "disneilândicos", agruras pessoais massacrantes e egoísmos desmedidos.

(estou escutando aquilo que veio a ficar mais conhecido, durante uma determinada época e em uma determinada região, como a vinheta da Policlínica Central, melancólico reclame exibido pela antiga TV2 Guaíba durante as madrugadas...e somente durante as madrugadas...estranho isso faz tanto tempo...mas desde sempre frequentei as madrugadas...de autoria do Pink Floyd)

Nos filmes em geral sempre me senti mais afeito aos personagens obscuros, enigmáticos, magnéticos, sordidamente inteligentes, não necessariamente maus, que empregassem violência extrema ou mínima dependendo apenas do limite que possa a maldade alcançar. 

Nunca maus, mas justos. 

Adoro o Eastwood, tirando o fato de que ele é Republicano. Mas ele fez um bom trabalho como Prefeito de um Condado qualquer, então o perdoo. Não que ele vá se importar, e tampouco ficar sabendo.

Anjos possuem as mesmas armas que os demônios. E, assim como os seus algozes, não são necessariamente bonzinhos.

Aliás, e prosseguindo, agruras pessoais massacrantes e os egoísmos desmedidos têm algo em comum. Ambas as posturas encerram em si um grande grau de egocentrismo, o que nos conduz novamente à ideia de...egoísmo. E não só.

Ambas as posturas revelam fraquezas, cada qual em sua modalidade. 

Tanto egoístas compulsivos e vaidosos quanto aqueles que passam a vida a carregar cruzes, e isso não tem a ver com condição financeira, padecem de carências tão essenciais, que, talvez como punição, não lhes tenha sido ofertado o Direito (condição interna) de gozar e se regojizar com os pequenos e grandes momentos onde se sente algo parecido com o conceito de felicidade. 

Curiosa, pois, se torna a sua empáfia, a forma inconsciente e patética como tentam produzir uma ideia positiva daquilo que se tornaram.

Vidas no limbo, cheias de nuvens de chuva pairando. 

Não a chuva de verão, refrescante e cheia de arco-íris e surpresas ao final do dia - potes de ouro, mas a chuva renitente e enfadonha do inverno (inferno) profundo, onde tudo são cinismos, onde nada parece o que deveria parecer, e as ilusões desencaminhadas conferem às suas existências um gosto azedo, acre.


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E o burburinho continua lá fora, e em certos dias faz parecer que algo está acontecendo, mas não está. 

Trata-se apenas do fato de ser, o humano, eminentemente social, e ficar, assim como as moléculas ao serem expostas ao calor, mais agitadas.

Contudo, essa aparente agitação se dissipa quando todos acabam concluindo que se trata de um conjunto de egoísmos que apenas estão a ocupar o mesmo espaço geográfico, mas que, estranhamente, mesmo sendo egoísmos, a atração é quase inevitável, sociais que somos.

Por isso mesmo é que The Wall acaba se baseando nessa ideia de que por mais juntos que pareçamos estar, em verdade, acabamos é criando muros a nossa volta com o passar dos anos, visíveis e invisíveis.

E lá estão eles, os cães, as aves, os insetos, os gatos, baratas, caratas, invisíveis, sempre a observar tudo melhor do que nós mesmos poderíamos fazer.

Invisíveis, ou apenas eventualmente visíveis, como os anjos do Win Wenders, acostumados com a sua condição subalterna, conformados em sentir dor, e silenciar, e mesmo, por vezes, inconformados em serem invisíveis, como ocorre no segundo filme. 

Felizes com suas pequenas alegrias, como sanduíches voadores de atum, ou mesmo uma boa fogueira no inverno. 

Vidas curtas e patéticas, mas não secas, cínicas e covardes.

Ao menos, livres. 


Isso me faz lembrar que "O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores numa posição posterior aos porcos na prioridade de escolha de materiais orgânicos é o fato de não terem dinheiro nem dono. Os humanos se diferenciam dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por serem livres. 

Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."


(A frase acima encerra o genial curta-metragem Ilha das Flores, mas a última parte é da autoria de Cecília Meireles, não menos genial.)






segunda-feira, 9 de novembro de 2015

NOITES QUENTES, MÚSICAS URBANAS E LEGIÕES. PUTAS E INTELECTUAIS.



"HORAS RUBRAS

Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos rubros e ardentes
De noites de volúpia, noites quentes Onde há risos de virgens desmaiadas
Oiço olaias em flor às gargalhadas...Tombam astros em fogo, astros dementes
E do luar os beijos languescentesSão pedaços de pla's estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...Os meus braços são leves como afagos,Vestiu-os luar de sedas puras
Sou chama e neve e branca e misteriosa...E sou, Talvez, na noite voluptuosaÓ meu Poeta, o beijo que procuras!"

Florbela Espanca

Intelectuais, no verão, sem comportam como putas. Principalmente à noite. São como raparigas à sombra da lua. Em flor.

Ainda bem que, normalmente, pertencem a localidades onde prevalece o clima frio. 

Não que eu prefira os intelectuais às putas. Pelo contrário.

Estas, ao menos, além de filosofar, uma filosofia mais crua e menos influenciada por fatores políticos e diplomáticos e morais, são menos hipócritas e sua vaidade mais admitida, por isso mesmo mais palatável.


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O equilíbrio pode nascer do fato de cortejarmos a insanidade, como diz o RR, alguém homenageado ao longo de todo o texto. 

Contudo, pode ocorrer o contrário, de modo que, ao optarmos por um tal caminho, devemos estar cientes das eventuais consequências derivadas do risco envolvido no tênue limite existente entre uma e outra condição.

Em algum momento o abismo se nos mostra e diz: "decifra-me ou te devoro." E, após os primeiros passos, não há retorno.


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Noites quentes onde habito. Onde, agora, habito.

Agora é aqui que habito - "em algum lugar no fim do fundo da América do Sul", como o "Joaquim Louco", do Vitor Ramil.

Em qualquer lugar em que se habite, contudo, as motocicletas e motores ruidosos em geral, sempre vão reivindicar atenção às três da manhã, assim como demônios e almas perdidas em geral.

Principalmente em noites quentes...e urbanas, onde o anoitecer tem som de Jazz e cheiro de pinho, mofo, comida descartável, diesel e desespero. 

Nas não urbanas, o que bradam são os sons aerados, rápidos e apitados dos facões e punhais traçando o ar. O desespero também está sempre presente. 

Faz parte da condição humana - estar vivo - náusea.

Ainda mais quando o tempo começa a esquentar. Assim como as mariposas. O humano é apenas o humano.

Isso já me incomodou um dia. Agora, e novamente citando o líder da Legião, vejo que se trata apenas de "música urbana", algo que simplesmente está ali, e sempre estará, inexoravelmente. 

Quando o tempo começa a esquentar tanto intelectuais como putas aumentam a intensidade do volume de seus vaidosos shows particulares, pois, no fundo, seu funcionamento é o mesmo.

Gritam o que não sentem. 

Falam sobre o que não conhecem, pois sabem que o "poeta é um fingidor, e chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente", e sabem também que aqueles que "leem o que escreve, na dor lida sentem bem, não as duas que ele teve...mas só a que eles não têm."

O volume de suas manifestações sonoras vêm a ser apenas a medida de suas vaidades, no entanto, em virtude deste mesmo volume sonoro, ainda se pode aquilatar suas medidas de suas maldades.  

Enquanto isso, finjo estar concentrado lendo amenidades em uma revista de amenidades, onde, estranhamente, sempre se encontra ao menos uma reportagem interessante. 

Não gosto de estar em um local público, sozinho, sem ter algo para ler. 

Qualquer coisa serve...leria (leio) qualquer besteira, nestas ocasiões, sob pena de parecer louco, homossexual, ou tarado, nada que eu tenha algo contra qualquer uma destas categorias. Nem que eu tenha a favor. 

Trata-se apenas de fatos.

Pois lá estava eu, entretido em leituras amenas para disfarçar minhas vis intenções em relação às fêmeas que habitavam o recinto e as camareiras e seu rústico e não revelado encanto, escondendo suas humanas intenções.

Tudo isso em meio a atitudes ciumentas, despeitadas, territoriais e sutilmente arrogantes de "machos" contrários à minha enigmática presença, o que acaba por confrontá-los com suas fraquezas sempre convenientemente esquecidas, mas sempre latentes. Vidas secas.

E homossexuais eventuais, como sói ocorrer, mal-disfarçando suas intenções por meio de patéticos teatros. 

E lá estavam eles, sempre querendo ser ouvidos, mesmo em silêncio. Os seres todos que habitavam aquele bar.

Eles e suas vaidades intelectuais. Eles e suas óbvias exteriorizações de instintos mediatos.

Ou não. Neste caso eram. Acabei achando, com o tempo, que são as mais engraçadas.

As outras modalidades de exteriorização de vaidade, ainda que em um primeiro momento pareçam mais divertidas, são tão estúpidas e repetitivamente previsíveis que acabam chamando menos a atenção com o passar do tempo.

Saudade de escrever ouvindo The Dark Side Of The Moon. Saudade de escrever. Horas profundas, lentas e caladas, como diz a Florbela.

As suas vaidades ruidosas eram como cachoeiras de informações, as quais, quando envolviam termos estrangeiros (limitados propositalmente apenas a um idioma), era pronunciadas em volume ainda mais elevado, e com pequenas e discretas olhadas no entorno, onde bobos observavam-nos com suas bocas entreabertas, e sábios entretinham-se.

São os  discretos charmes da burguesia, fenômeno muito bem observado pelo cinema de Buñuel. 

Cuspindo informações decoradas e aceitas em grupos intelectuais, sem qualquer ousadia, em tom pedante, e analisadas a partir de opiniões já aceitas e debatidas, também decoradas, sem luz arte e criação, por mais que pareçam entender do que estão a tratar.

Riem por rir. Falam por falar. Repetem e querem comer e trepar apenas. E depois cagar escondido, assim como peidam. Peidam escondido e condenam às escancaras. Não as suas fraquezas, mas as alheias.


E maldades despeitavam, sempre silenciosamente. Aquelas, maldades inconscientes, fruto de fraquezas. Estas, maldades calculadas, frutos de de tendências.

A maldade da tendência costuma ser silenciosa como a sabedoria, pois carrega bastante sabedoria, de modo que apenas faz optar, modo consciente, pelo meio mais obscuro para alcançar seus objetivos.

Por isso mesmo é que um dos sinais silenciosos mais flagrantes de elogio, vem a ser justamente o despeito revelado pela maldade, em seus ocultos sinais, e não a fala fácil e política do humano em geral, bem intencionado ou não em termos do requisito da vaidade, o qual diz respeito apenas a si mesmo, e não à coisa analisada.

Se Deus existisse, diria que "Deus mora nos detalhes", e estes não são revelados ou ditados por elementos facilmente visíveis ou perceptíveis, senão que vêm a ser um conjunto de imperceptíveis e inconscientes manifestações humanas inatas ou derivadas de um conjunto de padrões previamente observados, e que levam o observador atento, e normalmente não dotado daquelas características (poucos), que conseguem captar tais sutis aparições, pois portadores de algum tipo de percepção fina, como a sintonia é para o rádio.

Quando reflito sobre tais considerações, sempre lembro daquela frase da música da Legião que dizia: "já não me preocupo se não sei porque...às vezes o que eu vejo quase ninguém vê..."...

Aliás, toda a letra da música "Quase sem querer", da Legião, assim como a melodia, são ótimas...nem preciso dizer...:

Tenho andado distraído Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso Só que agora é diferente Estou tão tranquilo E tão contente
Quantas chances desperdicei Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo Que eu não precisava Provar nada pra ninguém
Me fiz em mil pedaços Pra você juntar E queria sempre achar Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído Fiz questão de esquecer Que mentir pra si mesmo É sempre a pior mentira
Mas não sou mais Tão criança a ponto de saber tudo
Já não me preocupo Se eu não sei porquê Às vezes o que eu vejo Quase ninguém vê E eu sei que você sabe Quase sem querer Que eu vejo o mesmo que você 
Tão correto e tão bonito O infinito é realmente Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso Palavras repetidas Mas quais são as palavras Que nunca são ditas?
Me disseram que você estava chorando E foi então que percebi Como lhe quero tanto
Já não me preocupo Se eu não sei porquê Às vezes o que eu vejo Quase ninguém vê E eu sei que você sabe Quase sem querer Que eu quero o mesmo que você


O grande erro em que a maldade acaba por cometer é desconhecer o fato de que a sorte não acompanha apenas aos que ousam, como disse o Alexandre da Macedônia, senão que uma tal ousadia deve estar sempre aliada à ideia de conservação de valores universais, ou seja, como diz o Spyke Lee - Faça a Coisa Certa.

Se precisarmos explicar a alguém o que é fazer a coisa certa com base em valores universais, não percamos tempo. Seria como explicar uma piada depois de contada. 

Ele apenas riu e se foi. Ele e seus punhais, pois a ignorância tende a ser traiçoeira, pois traiçoeira é a covardia.

Eu...bem...eu apenas torcia para que o meu creme de ervilhas demorasse um pouco mais, ainda que tivesse lançado mão do artifício da caipirinha para que meu tempo, eventualmente, pudesse render mais, pois há aqueles que precisam dos cotidianos sociais, e outros apenas os colhem como fonte de inspiração. 

Passam ao largo. Fantasmas.

Como estivesse demorando o creme de ervilhas, pensava em outra música da Legião que adoro como um hino...


Parece cocaínaMas é só tristezaTalvez tua cidadeMuitos temores nascemDo cansaço e da solidãoDescompasso, desperdícioHerdeiros são agoraDa virtude que perdemos
Há tempos tive um sonhoNão me lembro, não me lembroTua tristeza é tão exataE hoje o dia é tão bonitoJá estamos acostumadosA não termos mais nem isso
Os sonhos vêm e os sonhos vãoE o resto é imperfeitoDissestes que se tua vozTivesse força igualÀ imensa dor que sentesTeu grito acordariaNão só a tua casaMas a vizinhança inteira
E há temposNem os santos têm ao certoA medida da maldadeE há tempos são os jovensQue adoecemE há temposO encanto está ausenteE há ferrugem nos sorrisosSó o acaso estende os braçosA quem procuraAbrigo e proteção
Meu amor!Disciplina é liberdadeCompaixão é fortalezaTer bondade é ter coragemLá em casa tem um poçoMas a água é muito limpa

Pego minha sopa, termino a caipirinha com um vigoroso e imprevisível gole, e dirijo-me a meus aposentos, pois já era observado mais do que o necessário, e minhas inspirações já estavam colhidas.

Momento este em que a lógica coletiva é quebrada, pois lógica não havia, mas só neste momento é que percebem. Relutam. Mas continuam agindo do mesmo modo, ainda que cada vez mais amargos, pois outra opção não lhes restaria.